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O Rei Lycan e sua Tentação Sombria romance Capítulo 685

VICTORIA

Não sei quanto tempo fiquei com a cabeça abaixada.

Pensando, de novo e de novo, no que tinha acontecido.

Sempre fui uma mulher espontânea, admito que até mimada, por causa da criação relaxada dos meus pais.

Estava acostumada a pegar o que queria sem pensar nas consequências.

Era a primeira vez que um homem me rejeitava.

Chegou até a me acusar de usar os feitiços de sedução vampíricos que algumas da nossa espécie usam pra encantar as vítimas.

Mas eu não fiz compulsão nenhuma. Sei muito bem que ele me desejava com a mesma fome que eu sentia por ele.

Por quê?

Por que me sinto tão atraída por esse grosso, mal-educado, que me tratou como se eu fosse qualquer uma?

— Será que ele é meu companheiro?

Murmurei olhando pro tapete, ainda apertando o vestido contra o peito.

O cheiro dele me enlouquece, o sangue dele me chama, meu coração dispara só de pensar nele.

Mas eu não tenho certeza... É assim que se sente a conexão entre companheiros?

— E além disso, os lobos são super possessivos. Se eu fosse a companheira dele, ele teria me reconhecido...

Minha mente vagava, aquele nó na garganta não passava.

— E se ele estiver escondendo isso, se estiver resistindo porque eu sou... vampira?

Suspirei, levando a mão ao rosto.

Toquei as lágrimas e comecei a limpá-las com força.

As palavras dele se repetiam na minha cabeça como um disco riscado, me machucando por dentro.

— Tá bom, se você é meu companheiro, ficou claro que me rejeitou. Quem perdeu foi você.

Saltei da mesa e comecei a amarrar as tiras do vestido.

Sou uma garota durona, uma vampira legítima, e nenhum lobo amargurado vai destruir minha autoestima.

Empurrei todos aqueles sentimentos confusos pra longe e foquei no que importava: fugir.

Caminhei com cuidado até a saída, farejando o ar.

Mas foi estranho perceber que não havia guardas por perto.

Na verdade, essa parte do acampamento parecia bem deserta.

Será que ele achou mesmo que eu não tentaria escapar?

Bufando de raiva, dei um passo pra fora, pronta pra correr em direção à floresta, quando uma algazarra ecoou perto.

Casco de cavalos, vozes gritando ordens — o acampamento estava se mobilizando por algum motivo.

— Destruam aquele grupo de rebeldes!

Ouvi uma ordem. Parecia a voz do Beta.

Me escondi nas sombras ao ver os cavaleiros passando na frente da tenda.

Olhei para a parte de trás, procurando uma rota de fuga.

A qualquer momento poderiam vir me executar.

Não iam me deixar aqui viva e solta.

Mas eles passaram galopando com fúria, levantando terra sob as patas dos cavalos.

Ninguém me notou... até o último cavaleiro.

Fiquei parada, mergulhada na sombra, mas sabia muito bem que meus olhos vermelhos me entregavam.

O cavalo relinchou forte, puxando as rédeas com força e parando por um instante.

Precisava se apressar.

Deixar a senhorita Victoria sozinha não tinha sido uma boa ideia.

Ela era muito impulsiva e teimosa. Uma combinação perigosa herdada dos pais.

O homem gigante parou no alto de uma colina, suas pupilas prateadas como a lua observaram tudo ao redor.

Avistou à distância uma leve fumaça preta saindo entre as copas das árvores.

Alguém estava preparando comida na floresta.

Mas o cheiro que chegou até ele não era de bruxaria.

Vampiros.

Havia um acampamento de vampiros perigosamente perto do território dos lobos.

Logo haveria luta. Mais um motivo pra acelerar a busca.

Rousse estava começando a perder a paciência — e olha que paciência era uma das suas maiores virtudes.

Se virou pra sair correndo de novo, mas de repente, um som chamou sua atenção.

Silenciosamente voltou a se fundir com a floresta, seguindo aquele rastro estranho.

E então encontrou, numa clareira perto da beira de um riacho.

Havia um lobo selvagem ali, mas ele não estava normal.

Era só osso e pele, o pelo e a carne caindo em pedaços.

Dava pra ver os ossos em várias partes, até órgãos internos expostos.

O fedor de decomposição vinha direto daquele corpo.

O que tinha acontecido com aquele animal?

E como ele ainda estava vivo naquele estado?

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