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O Rei Lycan e sua Tentação Sombria romance Capítulo 686

NARRADORA

Rousse decidiu se aproximar.

Parecia que o bicho estava sofrendo.

Puxou a adaga da bota, tão grossa que parecia uma pequena espada.

Ia lhe dar um fim piedoso.

Mas quando o animal escutou o estalo das pedras sob os passos dele, virou-se alerta.

Deusa… a frente era ainda pior.

Os olhos sem pálpebras, o focinho como se tivesse sido mordido em pedaços que já nem estavam ali.

Mostrava os dentes, ameaçador, hostil.

— Calma, só quero ajudar, entendeu?

Rousse falou com sua voz rouca.

Sabia muito bem que o bicho não ia entender — era um animal selvagem.

Já estava preparado pra levar umas mordidas… e foi isso mesmo que aconteceu.

Quando deu mais um passo, o animal pulou pra mordê-lo no bracelete de couro que ele usava no braço.

Rousse levantou a adaga, pronto pra acabar com aquilo rápido e com misericórdia, mas ficou surpreso ao olhar nos olhos do animal.

As pupilas tinham ficado completamente brancas, como se ele tivesse ficado cego de repente.

O olhar durou só um segundo, mas Rousse sentiu o medo vindo da criatura.

Algo ao redor do lobo vibrou... algo que não parecia natural.

Ele já tinha convivido demais com magia pra não reconhecer um feitiço.

O animal nem tentou continuar o ataque, só queria assustar e fugir.

Rousse não hesitou em segui-lo floresta adentro.

Tinha um forte pressentimento de que aquilo o levaria até as bruxas — e não estava enganado.

Só que nada o preparou pro que presenciou a seguir.

Aquele corpo pobre já era um cadáver que nem mesmo a magia conseguia manter de pé.

Caiu no chão, se desmanchando em pedaços, e dele se desprendeu uma névoa negra.

Uma nuvem tóxica de calamidade que rastejava pela terra.

Rousse ficou paralisado ao ver aquela neblina se materializando em forma de mulher.

Ela se arrastava pelo chão com muito esforço.

Era pequena, usava um vestido branco cheio de flores e tinha o cabelo loiro com mechas cor-de-rosa.

Se encostou num tronco, ofegante, com a cabeça baixa.

Começou a rasgar a barra do vestido com as mãos trêmulas.

O que ela estava fazendo exatamente?

Rousse hesitou por um segundo, apenas ouvindo o coração dela bater apressado.

A respiração acelerada enquanto ela colocava o pano no rosto e amarrava atrás da cabeça.

Definitivamente, ele tinha encontrado uma feiticeira.

Guardou a arma e começou a andar devagar, passando por cima do lobo agonizante.

Sua mente fervia — era péssimo pra conversar com mulheres.

— Oi...

Falou o mais baixo que conseguiu, mas mesmo assim viu o corpo dela estremecer de medo.

Quantas vezes ele já tinha matado na vida?

Nem conseguia lembrar a quantidade… nem dos rostos, nem dos gritos.

Ela chorava baixinho quando ele se aproximou.

Parecia meio perdida e vulnerável.

— Estou procurando as feiticeiras que vivem nessa floresta. Tenho negócios com elas, nada de ruim. Pode me ajudar?

Ele perguntou.

— Aqui já não tem mais nenhuma feiticeira. Minha mestra, o clã todo... quando voltei, não estavam mais. — ela respondeu com sinceridade.

Rousse franziu a testa, desconfiado.

— Posso pagar pelos feitiços. Eu juro que não estou com os lobos.

— Não tô mentindo! — a feiticeira respondeu na hora, se levantando como um pulo.

Mas ao dar alguns passos na direção da voz dele, tropeçou nas raízes do chão.

— Aaah!

Rousse esticou os braços por instinto, segurando ela contra o próprio peito.

O calor da pele dela colou na dele, tão fria e sem vida.

O cabelo loiro roçou no queixo dele, e a brisa trouxe o cheiro delicioso de flores na primavera.

— Desculpa… sou desastrada... eu... não enxergo muito bem...

Ela disse com vergonha, tentando se afastar, mas quando a mãozinha tocou o peitoral esquerdo dele, parou.

A feiticeira Meridiana não sentiu nenhum batimento sob a palma. Nada.

Como se ela tivesse acabado de tocar num cadáver.

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