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O Rei Lycan e sua Tentação Sombria romance Capítulo 689

NARRADORA

— Senhorita Victoria! — ao ouvir a voz dela, ele se assustou.

Parecia um amante pego no flagra.

Os lábios de Meridiana grudaram úmidos na bochecha dele quando ele virou o rosto.

Se Rousse pudesse corar, estaria mais vermelho que um tomate.

— Isso… não é o que parece…

— Ah, não é? — Victoria não resistiu e zombou um pouco.

Observava com curiosidade a mulher que agora se afastava. Era bonita.

— Devo ir embora? Precisa de um tempinho a sós com sua namorada?

— Ela não é minha namorada! — ele até se defendeu, nervoso.

Não queria que Meridiana interpretasse errado.

— Quem é ela, Rousse? — a voz baixa da bruxinha perguntou.

As mãos dela se agarraram à capa pesada, como se tivesse medo de que ele a afastasse.

Por algum motivo, ela parecia alerta e um pouco amarga.

Quem era essa mulher falando com tanta intimidade com ele?

Rousse aproveitou para levantá-la e se afastar um pouco.

— Esta é a Senhorita Victoria. Trabalho para a família dela. E esta é… Meridiana, uma feiticeira — Rousse apresentou as duas, meio desconfortável.

Victoria continuava olhando pra ele com aquele ar zombeteiro.

— Prazer em te conhecer, Meridiana — estendeu a mão, mas a feiticeira não respondeu.

Ficou parada ao lado do general grandalhão como um bichinho dependente.

Rousse fez um gesto sutil indicando os olhos da garota.

Victoria entendeu que não era um acessório excêntrico de bruxa, mas que ela realmente não enxergava.

A vampira recolheu a mão lentamente.

— Eu… também fico feliz em conhecê-la.

Disse tão contrariada que Victoria quase caiu na risada.

Dava pra ver que ela não gostou nem um pouco de ter seu momento "amigável" com Rousse interrompido.

Muito interessante.

Victoria nem ficou brava e, na verdade, até admitia que seu humor tinha melhorado com aquele casalzinho estranho.

— Bom, então, já que somos todos amigos, vamos conversar…

*****

— Tem certeza de que os lobos têm feiticeiras prisioneiras? — Victoria franziu a testa.

Os três estavam sentados ao redor da fogueira.

— Quando voltei pro meu clã, senti cheiro de lobisomens… mas também acho que havia vampiros… não tenho certeza, meus sentidos… não são muito bons.

Meridiana abaixou a cabeça, dizendo a verdade.

— Consegue tirar as restrições pelo menos de nós? — Victoria tentava achar uma saída.

— Minha magia… é meio estranha… não é boa como a das outras bruxas — acrescentou, olhando na direção de Rousse.

Na mente, o general contava a Victoria o que tinha visto no lobo moribundo.

Que tipo de poder aquela garota tinha?

— Você também revive criaturas mortas? — a vampira foi direto ao ponto.

— Não, não funciona assim — ela negou com um suspiro, hesitando se falava ou não sobre suas esquisitices.

— Minha magia funciona melhor em criaturas que estão a um passo da morte, entre o mundo dos vivos e dos mortos — começou a explicar.

— Consigo entrar nos corpos delas e é quando meu poder “floresce” — disse com sarcasmo.

— Prolongo suas vidas, curo doenças, até compartilho meus poderes mágicos… mas isso não dura pra sempre.

Suspirou com tristeza.

— No fim, ninguém consegue aguentar minha energia… tão corrosiva e dominante… como meu amigo Ron.

— E já tentou com alguém que já morreu? — Victoria se interessou de repente.

A necromancia não a fascinava tanto quanto fascinava seu pai ou as Selenias, mas também fazia parte da sua herança.

— Tipo alguém como o Rousse.

Rousse franziu a testa. Aquilo soava errado por todos os lados.

— Não, nunca conheci alguém como ele. Estava justamente testando agora há pouco. Você se sentiu mal com meu poder?

Perguntou ao general.

Na verdade, ele não tinha se sentido mal…

Tinha se sentido péssimo.

Mas de um jeito que o fazia lembrar como era estar vivo.

— Não me machucou — foi tudo o que respondeu.

A mente de Victoria girava a mil por hora. Estava curiosa.

“Rousse, você deixaria ela usar a magia em você?”

Perguntou em silêncio.

Ele pensou bem. Na verdade… ele queria.

O canto se misturava ao vento, e a lua se escondia atrás das nuvens.

A última coisa que Victoria viu foi Rousse caindo de joelhos diante da silhueta negra de uma mulher atravessando seu corpo.

Nunca tinha visto o homem mais poderoso do exército de seu pai com aquele rosto de agonia, e quase interferiu.

Logo, sua visão foi coberta pela escuridão.

Ela olhou o redemoinho negro girando sem parar, até que o vento começou a limpar a neblina — e dela saiu a silhueta de um homem.

Victoria apertou os olhos… e depois os arregalou.

Poucas vezes na vida ficou sem palavras.

— Quem?… Quem diabos é você e o que fez com o Rousse?! Feiticeira, se isso for alguma brincadeira…!

— Sou eu… senhorita Victoria… sou… o Rousse…

Victoria negou com a cabeça, em choque.

Conhecia aquele homem desde que nasceu.

Rousse sempre foi a sombra que a vigiava por ordem do pai.

Quando havia perigo, era o primeiro a ser chamado.

Ela sabia muito bem como ele era… pelo menos, como um não morto.

Mas o homem de cabelos claros e olhos cinzentos à sua frente parecia vivo.

Ela juraria que até ouvia o coração dele bater.

Que tipo de magia era essa?!

— Já imaginou como tá sua aparência agora? — ela perguntou, e ele franziu o cenho, confuso.

Ok… lá estava aquele olhar típico de general.

— Vai se olhar nas águas do rio — apontou, com a mão até tremendo.

Com passos hesitantes, ele caminhou até a margem.

Victoria viu suas costas largas, o cabelo loiro-acinzentado caindo na nuca.

Os fios tinham um brilho saudável, como sua pele, clara mas com um tom bronzeado.

A magia daquela feiticeira era um verdadeiro milagre.

Algo capaz de transformar o morto Rousse no homem que ele já foi um dia.

Quando os olhos cinzentos e masculinos encararam o reflexo na água, algumas gotas escorreram deles pela bochecha.

Ele nem lembrava mais como impedir.

Aquilo… eram lágrimas?

“Rousse, você gostou do meu presente?”

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