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O Rei Lycan e sua Tentação Sombria romance Capítulo 688

NARRADORA

Rousse conseguiu se agarrar na borda de uma rocha e finalmente saiu na margem.

Carregava contra seu corpo forte a pequena feiticeira.

Parecia um coala grudada em seu peito, tremendo de frio.

— Aguenta firme, vou acender uma fogueira pra você se esquentar.

Falou balançando a cabeça para escorrer toda a água do cabelo grisalho.

Suas roupas de couro estavam pesadas, mas ele não sentia frio, nem dor pelas pancadas e arranhões.

Ao se inclinar para deixá-la sentada num tronco de árvore, Meridiana levantou a cabeça para agradecer.

Foi então que Rousse percebeu.

A faixa tinha caído.

Seus olhos estavam cobertos por uma camada branca de cegueira, os cílios bem loiros estavam úmidos.

Ao redor deles, cicatrizes profundas se estendiam como manchas num quadro bonito.

Meridiana também sentiu o vento roçar seu rosto.

Estava mostrando praquele homem suas deficiências, sua vergonha.

— Não me olha! — gritou, enterrando o rosto no pescoço dele, tremendo ainda mais.

Não, não, não… com certeza ele ia sentir nojo.

Não bastava já ter mostrado sua magia horrível, agora ele também tinha visto seus olhos pavorosos.

Rousse não sabia o que fazer. Ela estava à beira do choro.

Tudo por causa de umas cicatrizes pequenas?

Se ela visse as dele, então morreria de susto.

— Não… não vi nada — mentiu, dando uns tapinhas de leve nas costas dela.

A outra mão ficou tensa embaixo de suas nádegas.

Aquela posição era bem apropriada para salvá-la, mas não agora.

As pernas da feiticeira estavam fechadas ao redor da cintura dele.

Ele sentia a respiração quente dela soprando contra seu pescoço, os braços rodeando seus ombros fortes.

A maciez dos seios encostando em seu peito e, sem falar daquela parte íntima roçando o abdômen…

Engoliu em seco.

Se ainda pudesse ter uma ereção, com certeza estaria excitado naquele instante.

“Em que você tá pensando, Rousse? A garota tá angustiada e você aí, cheio de pensamentos sujos.”

— Sério? Jura que não viu minhas cicatrizes? — um sussurro no ouvido dele o fez estremecer.

Será que ela estava fazendo isso de propósito?

— Cicatrizes? — fingiu confusão.

— Não tenho! Nadinha! — ela gritou no ouvido dele.

Rousse não conseguiu evitar baixar a cabeça e torcer a boca num quase sorriso.

— Tudo bem, então eu acredito — sussurrou.

Definitivamente, não fazia sentido uma criatura tão inocente quanto ela estar fazendo essas coisas de propósito.

Além disso, o que ela ganharia com isso?

No fim, ele conseguiu deixá-la sentada num tronco e se afastou discretamente pra permitir que ela colocasse outro pedaço de pano molhado.

Dava pra notar que ela não gostava de mostrar a cegueira, e ele respeitava isso.

Sabia bem como era se sentir diferente… ele também era diferente.

E as pessoas às vezes feriam com a curiosidade sem filtros.

Ele estava agachado acendendo a fogueira,

pensando no que fazer com aquela pequena acompanhante que claramente não pretendia ir embora.

O cheiro de flores invadia seu nariz, aquecendo o sangue que nem corria mais em suas veias.

Era um não morto peculiar… como alguém que já morreu podia sentir amor?

Rousse pensava que eram só reflexos de quando ainda era vivo.

Já tinha desistido de encontrar uma companheira, então por que se apegava a algo impossível?

Mas lá estava Meridiana, sem medo, sem ver a feiura dele, fascinada por saber que ele era um homem que enganou as garras da morte.

— Me conta, Rousse, diz… você se importa se eu fizer isso?

A bruxinha abriu a boca com cuidado e uma névoa escura saiu entre seus lábios.

Um sopro de magia negra entrou pela boca de Rousse e penetrou em seu sistema.

Não era incômodo… na verdade, era dor… ele sentia dor!

Arregalou os olhos, engolindo seco.

Era na garganta, onde aquele poder intenso se fundia às células mortas e parecia ativá-las.

— Faz de novo — ele disse, apertando a cintura dela.

Meridiana abriu mais a boca, a um suspiro da boca de Rousse.

Quem olhasse de fora, por um ângulo errado, acharia que eles estavam se beijando ou prestes a isso.

Foi assim que Victoria os encontrou.

Seguindo o rastro de seu general, chegou a tempo de ver a cena no clareira perto do rio.

— Mas… o que…?

Ficou sem palavras ao ver Rousse sentado no chão com uma mulher montada sobre ele.

Ela segurava suas bochechas, ele a cintura, e estavam prestes a se beijar.

Rousse claramente não tinha perdido tempo.

— Estou interrompendo?

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