— Tudo bem.
— Então vão passear, não quero ficar de vela. Vou dar uma olhada no jogo de basquete. Me mandem uma mensagem quando terminarem.
Depois de conseguir o que queria, Catarina foi sensata e deu espaço aos dois.
Sem esperar que Luna dissesse algo, ela acenou e se virou animadamente, caminhando em direção à quadra de basquete.
Mateus olhou para o milkshake de frutas fechado na mão dela e perguntou, sorrindo:
— É para mim?
— Sim, não está mais tão quente — disse Luna, entregando-lhe. — Quer que eu compre outro? Não é longe.
— Não precisa, estou com um pouco de calor, algo gelado vai cair bem.
Enquanto falava, Mateus já abria o milkshake, pegando a mão dela com a outra.
Ao sentir o calor da mão dele, Luna franziu a testa. A lembrança do som do beijo dele com Catarina a encheu de náusea e repulsa.
Como ele conseguia agir com tanta naturalidade e calma?
Instantes depois de beijar Catarina apaixonadamente, ele agora podia segurar a mão dela com ternura, buscando as memórias do namoro deles.
Quão falso, quão repugnante.
Que lugar ela e Catarina ocupavam em seu coração?
Luna não entendia. Como um amor que fora tão profundo e intenso pôde mudar tanto?
Ela resistiu ao impulso de puxar a mão e perguntou em voz baixa:
— O que o Diretor Menezes queria com você?
— A Universidade A está organizando uma competição de línguas estrangeiras e quer que eu invista.
Mateus riu.
— A ideia me pareceu boa, mas preciso ver o plano de projeto deles. Eu sabia que ele não nos convidaria com tanto entusiasmo apenas para a festa. Aquele velho é esperto.
Luna assentiu, sem responder.
O pátio do departamento de artes estava cheio de cerejeiras, especialmente a que ficava perto da antiga sala de aula deles, que era excepcionalmente bonita.
Agora era inverno, e as árvores estavam despidas, restando apenas os galhos, o que deixava o pátio com um ar desolado.
— Lembro-me da primeira vez que te vi. Você estava desenhando debaixo desta cerejeira.
Era abril, as flores de cerejeira caíam com o vento, e ela, de cabelos longos, rosto liso e sem maquiagem, vestindo uma camisa branca e uma saia longa laranja, estava sentada ali, observando a paisagem e pintando.
A cena foi tão bela e romântica que ficou gravada em sua mente.
Ele pensou que jamais esqueceria aquele momento.
Luna parou de andar. Ela costumava amar aquela cerejeira e a pintou muitas vezes.
Ela não conseguia entender.
O que é o coração humano, tão difícil de controlar e tão propenso a mudar?
Mas, já que o fim estava destinado a ser sem dignidade, que este momento servisse como uma despedida final.
Isso também era bom.
Luna desviou o rosto, incapaz de conter as lágrimas que avermelharam seus olhos.
A festa da noite foi realizada em um hotel, com a presença de muitas pessoas importantes.
Mateus se movia com desenvoltura em eventos como aquele, e Luna, com graça e elegância, conversava e sorria com várias senhoras e jovens da alta sociedade.
Ding!
O som de uma mensagem no celular.
O coração de Luna estremeceu, mas seu sorriso não vacilou. Depois que a senhora terminou de falar, ela se desculpou:
— Com licença, preciso me ausentar por um momento.
Ela foi ao banheiro antes de ler a mensagem.
[A rede de prostituição subterrânea do Salão de Beleza Rosa tem atualmente 36 clientes. Quatro deles contrataram modelos masculinos com exclusividade. A lista de clientes é: Eunice Pacheco foi a primeira cliente, contratou dois modelos no total e agora está interessada em um modelo recém-contratado pelo Salão de Beleza Rosa, com intenção de sustentá-lo. As outras quatro que contrataram com exclusividade são Melissa, Priscila, Tania e Carolina. O restante inclui três novas clientes dos últimos dois meses: Jasmine, Erica, Zara…]
Seguia-se uma longa lista de nomes.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Segredo por Trás da Traição
Porque não abre os capítulos? Que chato,não quer liberar? normal, é só não disponibilizar, mas já que disponibilizou libera os capítulos....