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O Segredo por Trás da Traição romance Capítulo 60

Luna ficou paralisada.

Os nós de seus dedos, segurando o copo, ficaram brancos.

A loja ficava perto do museu, mas a construtora que ele administrava estava a quarenta ou cinquenta minutos de distância.

Eles realmente não desperdiçavam um único momento que podiam ter para um encontro.

O copo escondeu o sorriso de escárnio que se formou em seus lábios.

Quanta força psicológica ele precisava ter para trazê-la, com tanta tranquilidade e descaramento, ao mesmo restaurante onde tivera um encontro com Catarina?

— Luna, o que você vai querer? — Mateus entregou-lhe o cardápio.

Luna o empurrou de volta.

— Para mim, tanto faz. Pode escolher.

Mateus sabia que ela nunca gostava de escolher os pratos, então não insistiu. Pediu três pratos e uma sopa, todos os favoritos de Luna.

Só de pensar que ele esteve sentado naquele mesmo lugar com Catarina no dia anterior, em um clima de romance, Luna não apenas perdeu o apetite, como sentiu o estômago revirar.

Mesmo assim, forçou-se a comer alguns bocados para que Mateus não percebesse nada.

Vendo-a largar os talheres, Mateus franziu a testa.

— Já terminou?

— Sim, estou satisfeita.

Mateus suspirou, impotente, com os olhos cheios de uma falsa pena.

— Mas você comeu tão pouco. Parece que seu apetite ainda não voltou. Amanhã de manhã, vou preparar uma compota de pera para você.

Ele fez uma pausa e disse em voz baixa:

— Mas... Luna, amanhã preciso ir para a Cidade Vista.

Luna estacou, erguendo o olhar para ele. Sua voz saiu suave, mas sentiu a garganta apertar.

— Viagem de negócios? A que horas você vai?

— Tenho uma reunião pela manhã. Depois da reunião, vou direto da empresa para o aeroporto.

Já fazia mais de vinte dias desde a sua última viagem de negócios.

— Luna, você é tão maravilhosa. Ter me casado com uma esposa tão atenciosa e compreensiva como você é realmente uma bênção para mim.

— Certo, termine de comer. Vamos para casa.

Luna baixou os olhos, escondendo a decepção, a tristeza e o desprezo que sentia.

Na manhã seguinte, quando Luna desceu, Mateus já havia preparado a compota de pera e até colocado uma porção em uma garrafa térmica para ela levar ao museu.

Enquanto o observava sair de carro com a mala, o coração de Luna pesou.

Será que desta vez era mesmo uma viagem de negócios?

Essa dúvida não durou muito. Naquela noite, às sete horas, ao chegar em casa, ela recebeu uma mensagem: [Mateus e Catarina deram entrada no Hotel Continente, quarto 1408.]

Como esperado.

Luna sorriu com ironia. Durante todo o dia, ela ainda havia sentido uma pequena e tensa ponta de esperança.

Era um sentimento inexplicável.

Talvez fosse um resquício emocional dos muitos anos de relacionamento que eram difíceis de abandonar.

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