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O ÚLTIMO BEIJO... ANTES DO DIVÓRCIO romance Capítulo 41

Rebecca deu meia-volta com uma elegância que doía. As costas retas, o queixo erguido e o vestido ondulando levemente ao caminhar, faziam-na parecer que flutuava para longe da discussão. O Comissário soltou uma gargalhada baixa e o Governador, incapaz de disfarçar, acabou tossindo para não rir.

Carlotta e Julie Ann ficaram congeladas, com as bochechas em fogo e a respiração entrecortada. E Henry só queria que a terra o engolisse. Não era difícil, só uma rachadura direto pro fogo do inferno não era muito pedir!

— O melhor que podem fazer é ir embora duma maldita vez! — disse em voz baixa, mas com um fio que deixava claro que não estava sugerindo nada, mas dando uma ordem. — Querem continuar me fazendo passar vergonha?

Carlotta cruzou os braços, altiva.

— Eu não vou a lugar nenhum — respondeu com um tom que pretendia firmeza, embora se notasse trêmula.

E Julie Ann interveio logo, cravando os olhos nas vitrines antes de olhar para Henry como se estivesse prestes a se ajoelhar chorando e implorando.

— Amor, por favor! Ali tem coisas valiosas para mim! Se ao menos pudesse... se pudesse tentar recuperar algumas das minhas joias... faz isso por mim...

Henry soltou uma risada amarga.

— Vocês realmente acham que vou deixá-las comprar joias a três ou quatro vezes o preço de mercado?

— Somos milionários! — cuspiu Carlotta furiosa, embora de soslaio olhasse ao redor para se certificar de que mais ninguém os estava ouvindo.

Mas por toda resposta Henry virou-se para Camilo, que parecia uma fada madrinha aparecendo magicamente atrás dele quando precisava, e deu uma ordem clara e cortante.

— Fala com o leiloeiro — sibilou com firmeza. — Ninguém da minha família tem direito de dar lances esta noite no leilão porque... bem, "eu" sou milionário, mas nenhum deles tem dinheiro.

Camilo arqueou as sobrancelhas, surpreso pelo tom, e não precisou repetir duas vezes. Até o sorrisão no rosto delatou o quanto estava curtindo aquilo.

— Tudo bem, vou fazer agora mesmo! — respondeu e se perdeu entre as pessoas com passo apressado.

Carlotta bufou, ofendida, enquanto tentava reclamar.

— Como você se atreve a falar assim de nós...!

Mas Henry já não estava ouvindo. Afastou-se delas com passos largos, como se precisasse colocar distância para poder respirar.

O leilão continuou normalmente, os números continuavam subindo e as pessoas continuavam dando lances entusiasmadas por todas as peças... até que de repente apareceu uma peça que cortou o ar de Henry. Na tela atrás do pódio brilhava uma fotografia: a aliança de casamento de Rebecca.

Henry sentiu que o mundo parava. O coração deu um pulo tão brusco que teve que se apoiar no encosto da cadeira. A respiração ficou curta, ofegante. Aquela aliança... aquele pequeno aro de ouro simples, sem adornos ostentosos e com um diamante minúsculo... parecia uma coisa anacrônica entre o resto das joias leiloadas naquela noite que valiam centenas de milhares.

A voz do leiloeiro rompeu o silêncio um segundo depois.

— Cinco mil dólares para iniciar o lance!

O número ressoou como um tapa, lembrando perfeitamente a Henry que, mesmo sendo milionário, ele não tinha querido gastar mais que isso na aliança de Rebecca. Tinha dito que a aliança não importava, que de qualquer forma ela valia menos que aquilo para ele...

E antes que pudesse pensar, sua mão se levantou sozinha.

— Seis mil! — gritou.

O leiloeiro assentiu, sem sequer olhá-lo; e Rebecca, de pé em um canto, observou-o de soslaio. Seus lábios se curvaram levemente em uma careta de incompreensão, mas não teve mais reação que essa.

Henry abriu a boca, mas nada saiu. Fechou os olhos por um segundo, como se precisasse voltar à realidade; mas a verdade era que não conseguia se arrepender do que tinha feito.

O leilão seguiu adiante, com mais peças vendidas, mais dinheiro se acumulando para as bolsas. O ânimo da sala mantinha-se alto, embora de vez em quando ainda se ouvissem murmúrios sobre o escândalo da aliança.

Quando a noite se aproximava do final, uma voz diferente percorreu a sala. O próprio senhor Carson subiu ao pódio, com passo firme e o microfone na mão, e o salão inteiro ficou olhando expectante.

— Senhoras e senhores — anunciou com solenidade —, esta foi uma noite extraordinária! Mas antes de terminar, tenho a honra de apresentar algo muito especial.

E Henry sentiu... é claro que sentiu, como se os frios dedos da morte estivessem acariciando suas joias!

— A senhora Rebecca Callaway — continuou o senhor Carson — pessoalmente entregará os reconhecimentos aos ganhadores pelas contribuições às bolsas. Ela começou uma série de projetos importantes para a comunidade, e quero anunciar que a última peça a ser leiloada esta noite... é ela mesma.

O silêncio foi absoluto e ao mesmo tempo cheio de curiosidade.

— Quem ganhar o lance terá a oportunidade de passar um dia com ela — prosseguiu Stefan Carson, com um sorriso —, revisando esses projetos e explorando possíveis negócios com a Indústrias Callaway.

Um murmúrio excitado sacudiu a sala. Alguns riram, outros trocaram olhares incrédulos, mas todos pareciam interessados. Indústrias Callaway era um nome pesado que não se mencionava há tempo e todos queriam ver se pensavam ressuscitá-lo.

Rebecca respirou fundo e, com sua habitual elegância, subiu ao pódio, parando diante de um público que a recebeu com aplausos.

— Este lance começa em quinhentos mil dólares! — anunciou o leiloeiro e então, sem dar tempo a mais nada, uma voz retumbou da primeira fila.

— Um milhão!

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