Henry sentia que o coração martelava nos ouvidos, e suas mãos estavam fechadas em punhos dentro dos bolsos, como se precisasse se segurar para não desmoronar ali mesmo. Jamais a tinha visto daquela maneira! Nos últimos dois anos até tinha desejado que ela se apaixonasse por outra pessoa para ver se ia embora da vida dele de uma vez, mas agora...
Aquele gesto automático dele de acariciar a nuca com dureza, fez Rebecca olhar para outro lado, e voltou a se sentar com o café nas mãos, com uma serenidade que desconcertava.
— Rebecca — murmurou ele, com voz baixa e conciliadora, uma que jamais tinha se incomodado em usar com ela. — Eu sei que a Julie Ann agiu mal...
Ela levantou lentamente o olhar da xícara, arqueou uma sobrancelha e o observou como quem examina um objeto que já não interessa.
— E o que esperava? — disse, com um tom carregado de ironia. — Não foi você quem sempre passou pano para ela? Ou já esqueceu todas as vezes que ela zombou de mim na frente da sua família, e você ria da gracinha calado? A verdadeira pergunta, Henry, não é se ela agiu mal, ou se seus pais fizeram, porque a verdade é que eu não me casei com nenhum deles. A verdadeira pergunta é: você sabe que agiu mal?
O silêncio caiu pesado entre os dois e Henry parou de respirar por um segundo, sentindo como as orelhas ardiam. Baixou o olhar um instante, envergonhado, mas logo voltou a olhá-la com uma espécie de obstinação.
Rebecca, imperturbável, levou a xícara aos lábios e deu um gole, como se a conversa fosse um mero trâmite. Aquela frieza o enlouquecia, fazia sentir-se insignificante para a pessoa para quem antes tinha sido tudo. Definitivamente estava ficando louco!
— Estou disposto a aceitar o castigo que você quiser me dar — disse por fim com um suspiro carregado de determinação.
Ela o olhou com uma mistura de pena e condescendência.
— Te castigar? — repetiu, com um brilho de incredulidade nos olhos. — Henry, você realmente acha que minha vida gira em torno disso? Não, querido. Não me interessa perder meu tempo castigando você.
Inclinou-se para trás no sofá, cruzando as pernas com um gesto elegante, e acrescentou com calma:
— A única coisa que me importa é que não posso deixar passar algo tão perigoso quanto uma usurpação de identidade. Você tem ideia das coisas que a Julie Ann pôde ter feito com aquele cartão que estava no meu nome? Abrir contas, me endividar, assinar contratos falsos, pagar por uma criança na Dark Web... e tudo porque você permitiu que ela brincasse de ser eu!
— Eu não...
— Porque você a acostumou que fizesse o que fizesse ia passar pano para ela, ia justificar! Então pode se dar ao luxo de ser uma mentirosa até com você, porque sabe que do mesmo jeito vai protegê-la. Exatamente como está fazendo agora!
Henry levou as duas mãos à cabeça, esfregando o cabelo para frente e para trás, mas a verdade era que não havia nada que pudesse rebater as palavras de Rebecca.
— Não vou permitir que nada disso te toque ou te machuque — respondeu olhando-a nos olhos. — Juro que nada do que ela fez terá consequências para você...
Rebecca dedicou-lhe um sorriso gelado.
— Pois é tarde demais para suas promessas — replicou, baixando a voz como se não quisesse gastar energia discutindo.
— Não quer saber minha condição? — perguntou ela e Henry fechou os olhos por um segundo.
— Seja qual for, cumprirei — cedeu, e por sua cabeça passou de tudo menos o que Rebecca realmente ia pedir.
— Bem, então retirarei a denúncia contra a Julie Ann, desde que tudo o que ela e sua família compraram com meu nome... me seja entregue. Acho que isso é o mínimo, não acha?
Henry ficou gelado por um instante, tentando processar as palavras dela.
— Rebecca — balbuciou por fim, porque não tinha outra opção senão ser sincero— , minha empresa não está no seu melhor momento. Eu... contava com esse dinheiro para injetar liquidez e...
— E isso também não é meu problema! — interrompeu ela, devorando-o com o olhar. — Por que todo mundo acha que meu nome é "Rebecca a Altruísta"?
— Me escute — insistiu ele, levantando a voz um pouco, com um tom quase desesperado. — Não se trata só de dinheiro. É a estabilidade da minha gente, dos meus funcionários. Se eu perder tudo...
Rebecca o interrompeu com uma risada breve, carregada de desprezo.
— E você estava contando com esse dinheiro? — perguntou sem disfarçar sua incredulidade. — Ai, coitadinho, de te odiar vou passar a ter pena de você! Você realmente acreditou que a Julie Ann ia vender a Ferrari, os diamantes, as bolsas de grife e tudo mais para te devolver esse dinheiro? Acreditou que seus pais e a Chelsea venderiam tudo para te dar esse dinheiro? É que até me atreveria a apostar com você! Sabe o quê? Conheço tão bem as víboras rasteiras que você tanto ama, que me atrevo a fazer uma aposta: Faça um inventário de tudo para leiloar, se sua mãe, seu pai, sua irmã, e sua amante te assinarem isso, eu retiro a ação contra a Julie Ann. Caso contrário, tudo isso será meu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O ÚLTIMO BEIJO... ANTES DO DIVÓRCIO
NUNCA, MAS NUNCA mesmo uma mulher com caráter voltaria com este homem escrito. Depois de ir para cama, transar por a boca em n lugares de uma puta? JAMAIS tocaria ou chegaria perto de mim...e com está família de ladrões, mentirosos, etc? Eu quereria distância, e melhor ainda NUNCA ter me tocado? Com certeza livramento......
Esse romance está com problemas nas páginas, trava ele só consegue chegar nas páginas seguintes pulando capítulos...
Sinceramente? Uma mulher, principalmente, ou homem com dignidade sairia e JAMAIS voltaria... dignidade acima de TUDO. Homem ou mulher que não respeitam os votos matrimônios não merecem respeito e chance....
Mas para passar para o capítulo seguinte agora aparece sempre a mesma página que temos que desbloquear com 7 moedas????? É brincar com as pessoas......