Por Amor ou por Vingança romance Capítulo 27

Ethan

Olhei pela janela do carro, só agora observando que estava chovendo bastante naquela manhã de segunda-feira, o tempo completamente fechado, assim como o meu humor, depois de um fim de semana não tão agradável.

Mas eu estava tão distraído antes, que não tinha me dado conta daquele fato ainda, e só agora também foi que eu percebi que o carro estava praticamente parado em um congestionamento enorme.

Eu sempre procurava usar o meu tempo de maneira mais útil possível, e como o trânsito em São Paulo era péssimo, e não importava o que fizessem para tentar melhorar aquele fato, as coisas sempre continuavam da mesma forma que antes, eu optava por ter um motorista sempre a minha disposição, para poder me dedicar ao trabalho, enquanto o motorista enfrentava o trânsito pesado da capital paulista.

Naquela manhã não foi diferente, e enquanto eu analisava alguns relatórios da FERZ, o motorista guiava o carro com aparente perícia e agilidade.

Hoje eu não iria para a minha própria empresa e sim, para a do Murilo, assumir o meu novo cargo na FERZ, com o único intuito de dificultar a sua vida.

Ontem á tarde, como acontece em todos os domingos, eu estive no cemitério visitando o túmulo da Beatriz, e todo o sentimento de revolta e impotência se fez presente com força total, ainda mais depois de ter visto a matéria que estava estampando a capa de uma importante revista de negócios e que exibia uma foto de Murilo Fernandes.

Era inadmissível que ele estivesse cada dia mais influente no meio empresarial e alcançando patamares cada dia mais altos, não apenas em sua vida profissional, como a matéria na revista tão bem destacou, como também em sua vida pessoal, ao lado de sua mais nova conquista.

Murilo estava agora ao lado de uma bela mulher, por quem ele estava claramente apaixonado e seria pai nos próximos meses, como eu descobri recentemente.

Eu não poderia admitir que Murilo estivesse vivendo uma vida tão perfeita assim, depois de toda a dor que ele causou, e por esse motivo, agora eu ficaria mais próximo do meu inimigo, instalado dentro da FERZ.

Estava agora ainda mais determinado a conseguir mais algumas ações da empresa dele, porém, além das que eu já estava em posse, todas as outras pertencia ao próprio Murilo e ao babaca do Aquiles.

Mas todos têm seu preço, e eu iria tentar me aproximar do Aquiles e jogar ele contra o primo, pois apenas com o seu apoio, eu poderia fazer as mudanças que eu desejava e talvez até mesmo tirar Murilo da presidência da FERZ, algo que eu tinha certeza que iria abalar a vida daquele canalha.

Novamente olhei através do vidro escurecido pela película da janela do carro, constatando mais uma vez que pouco havíamos andado desde que eu observei, há alguns minutos.

— Algum problema, Simas? — pergunto ao motorista.

— Sim, senhor Constantino — ele confirma, olhando para mim através do vidro retrovisor — Aparentemente, temos um acidente e uma das vias está interditada por enquanto.

Que péssima notícia!

Depois de ter perdido muito do meu precioso tempo no trânsito, cheguei a FERZ no pior dos meus humores, e vou diretamente para a minha mais nova sala, no mesmo andar onde estavam instaladas as dos principais diretores e a presidência, mas espero não ter que encontrar com nenhum deles neste momento.

Meu desejo não é atendido e a primeira pessoa que vejo ao sair do elevador é Aquiles, mas dos males o menor, e como tenho planos de conquistar a sua confiança e trazê-lo para o meu lado, tentei ser minimamente cordial.

— Posso ver que você está realmente decidido a tirar a nossa paz, de verdade — Aquiles comenta de maneira brusca, seus modos na defensiva.

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