Naquela noite, Helena jantava com Bianca e Célia no escritório enquanto discutiam a proposta enviada por Bruno.
A mesa de reuniões estava tomada por documentos, planilhas e embalagens de hambúrgueres que haviam chegado havia poucos minutos.
Bruno cumprira a promessa. A proposta era objetiva, justa e vantajosa para ambos os lados. Agora, cabia a elas decidir.
Célia terminou de ler o contrato e o colocou sobre a mesa.
— Realmente, essa é a melhor solução.
Bianca concordou com um aceno.
— Também acho. Se recorrermos a um empréstimo bancário, os juros serão altíssimos, e a liberação do dinheiro pode atrasar o conserto do tear. Não temos esse tempo.
Helena permaneceu em silêncio, os olhos presos às páginas diante dela. Sabia que Bruno estava tentando ajudá-la.
Mas também sabia que aquilo não era um favor. A proposta beneficiava os dois lados. Com o equipamento funcionando novamente, a Vasconcelos conseguiria cumprir os prazos, e Bruno não sofreria prejuízos em seu empreendimento. Ainda assim… Aceitar aquele acordo parecia mais difícil do que deveria.
Enquanto ela refletia, Célia e Bianca a observavam em silêncio. Cada uma por um motivo diferente.
Célia acreditava que recusar seria um erro estratégico.
Bianca, porém, conhecia a prima bem demais. Sabia que o verdadeiro conflito não estava nos números do contrato, mas no homem que, inevitavelmente, fazia parte daquela decisão.
Ela chegou a pensar que Helena deveria conversar com Eduardo antes de assinar qualquer coisa. No entanto, permaneceu calada, a decisão precisava partir dela.
Helena continuava a encarar os documentos.
Se aceitasse a proposta de Bruno, evitaria recorrer ao banco e, principalmente, evitaria recorrer a Eduardo. Ela já lhe devia demais.
O primeiro empréstimo havia sido justamente o motivo de estar naquele casamento ou, como Eduardo insistia em chamar, naquele negócio.
Depois vieram todas as despesas médicas de Clara. Desde a morte da mãe, Helena fizera uma promessa a si mesma. Quando a empresa se recuperasse, pagaria cada centavo e quitaria toda a dívida.
Sairia daquele casamento de cabeça erguida, não aceitaria a indenização prevista no contrato e não aceitaria o dinheiro de Eduardo. O que ela realmente queria... ele jamais poderia lhe oferecer.
Seu amor.
A simples lembrança fez seu peito apertar. Se voltasse a depender dele financeiramente, sua dívida apenas aumentaria e o fim do contrato estava cada vez mais próximo.
Restavam apenas seis meses, depois disso, cada um seguiria seu caminho. Eduardo estaria livre daquele casamento.
E ela… ela ainda não teria condições de devolver tudo o que lhe devia e ainda sairia com o coração em frangalhos.
Um nó se formou em sua garganta.
Quando percebeu, seu hambúrguer permanecia praticamente intacto, enquanto Bianca e Célia já haviam terminado os seus e aguardavam, respeitando o silêncio dela.
Por fim, Helena soltou um longo suspiro.
— Está bem... — disse, fechando a pasta. — É a melhor solução. Vamos aceitar a proposta.
As duas respiraram aliviadas.
— Foi a decisão certa. — afirmou Célia, satisfeita.
Bianca sorriu de leve. Sabia o quanto aquela resposta havia custado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Proibida de Amar Meu Marido