Um calafrio percorreu o corpo de Helena.
Eduardo se levantou.
— A partir de hoje, vou voltar para casa mais cedo. Jantaremos juntos. Tomaremos café da manhã como qualquer casal. — Fez uma breve pausa. — E precisamos melhorar nossa comunicação.
Helena continuou olhando para ele, sem entender onde aquilo iria chegar.
Eduardo caminhou até ela novamente. Dessa vez, seu olhar não era tão frio, embora sua voz continuasse firme.
— A partir de hoje, quero saber onde você vai e com quem.
Helena arregalou os olhos.
— Isso é um acordo unilateral? — Perguntou ela com certa indignação.
— Não. — Ele sustentou o olhar dela. — Eu também avisarei quando houver algo que altere minha rotina.
— Isso não parece um casamento. Parece uma prestação de contas.
— Talvez porque nosso casamento nunca tenha funcionado como um casamento.
Helena ficou sem resposta.
Eduardo deu mais um passo, parando diante dela.
— Se vamos continuar juntos, mesmo que seja apenas até o fim do contrato, precisamos ao menos parecer um casal de verdade.
Helena o encarou, surpresa e o silêncio entre os dois se prolongou até que Helena finalmente respirou fundo.
— Está bem. Vou fazer o que está pedindo. Afinal, ainda temos um contrato a cumprir, não é mesmo?
Aquelas palavras deveriam tê-lo tranquilizado, mas não tranquilizaram. Pelo contrário. Eduardo sentiu uma estranha irritação ao ouvir Helena falar novamente em contrato.
— Certo — respondeu ele.
Os dois permaneceram se olhando. Havia algo a ser dito. Algo que ambos pareciam querer colocar em palavras, mas nenhum dos dois encontrava coragem para fazê-lo.
Os olhos de Eduardo, antes frios e inexpressivos, ganharam um brilho intenso. Helena sentiu o coração martelar no peito. Nenhum dos dois saberia dizer depois quem se aproximou primeiro, quando perceberam, já estavam muito perto um do outro.
— Tem mais alguma coisa... que queira acrescentar? — perguntou Helena. Sua voz saiu baixa, trêmula, quase um sussurro.
Eduardo desviou os olhos para a boca entreaberta dela e engoliu em seco. O pomo de Adão se contraiu.
— Talvez... — respondeu, a voz baixa e rouca. — Talvez...
Ele não terminou e Helena permaneceu imóvel. Por um instante, teve a impressão de que Eduardo iria beijá-la.
E ele também pareceu acreditar que faria aquilo.
A mão dele se ergueu lentamente, como se quisesse tocar o rosto dela, mas parou no meio do caminho.

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