— Você está louca? — questiona Alice, percebendo que a sugestão da amiga é totalmente infundada.
— Amiga, vai por mim, acho que é isso que o Richard espera de você — confessa. — Se ele vê que você largou tudo para ir atrás dele, poderá perceber o quão reciproco é o sentimento de vocês dois.
— Não posso fazer isso — responde. — Não falo mais por mim, falo por ela também — toca a barriga. — Eu aceito a rejeição dele, mas não posso vê-lo rejeitar a própria filha.
— Alice, você não ama?
— Eu o amo — seu amor é tão grande que chega a sentir uma dor no peito. — E é por esse amor que nunca mais irei lhe procurar. Magoei o Richard uma vez e ele me magoou também. É melhor ficarmos empatados antes que alguém saia mais magoado com esse jogo onde nenhum ganha.
Laila sente o quanto a amiga está ressentida com tudo o que aconteceu e, por ela estar grávida, parecia sentir as coisas com mais intensidade. Tudo que queria era ver a amiga feliz, mas sentia que Alice nunca seria se continuasse daquele jeito. No final das contas, todos estavam se magoando naquilo e quando se dessem conta, poderia ser tarde demais para eles. Mas escolhas foram feitas para serem respeitadas e por isso mudaria de assunto até que Alice mudasse de ideia.
— Já escolheu o nome dessa mocinha? — pergunta, querendo mudar o foco para algo bom.
— Pensei em um nome, mas ainda não tenho certeza — responde.
— Me diz, talvez te auxilie na escolha.
— Lily — revela. — O que acha?
— Amiga, esse nome é lindo — comenta animada.
— Eu também acho, mas fico em dúvida — confessa, parando num acostamento e estacionando o carro.
— Sobre o quê?
— Se o Richard gostaria desse nome — seus olhos começam a encher de lágrimas. — Me desculpe por isso, Laila. Já faz meses que nos vimos e, quando você toma a iniciativa de vir me ver, faço isso, fico comentando sobre os meus problemas, como se você tivesse a obrigação de ouvi-los — Alice começa a chorar descontroladamente. — Achei que minha vida voltaria ao normal após a morte do Endrick, entretanto, com a descoberta da gravidez, sei que jamais voltarei a ser a mesma.
— Amiga, para com isso — Laila tira o cinto de segurança e abraça Alice. — É para isso que estou aqui, pode desabafar para mim e dizer o que sente.
— Ontem, quando escutei a voz do Richard, senti que iriamos nos resolver, que tudo ficaria bem, mas tudo que ele fez foi jogar na minha cara os meus erros — confessa. — Sabe o que é querer muito que as coisas se resolvam, porém, sente que não pode fazer isso porque não tem controle sobre a situação? Eu me sinto tão impotente como se minhas mãos estivessem atadas.
— Alice, se aclame, desse jeito a Lily vai ficar triste também — pede Laila, tentando acalmar a amiga que parece começar a respirar ofegantemente.
— Eu quero morrer, Laila, só para não sentir mais essa dor que chega a corroer meus ossos e me consome todos os dias de um modo tão intenso.
— Para com isso, amiga, pensa na sua filha, você precisa ser forte por ela.
— Ela não merece uma mãe tão miserável como eu, eu… — Alice tenta falar, mas não consegue respirar.
— Alice precisa de um tempo para ela mesma, a senhora precisa dar espaço para que ela se abra de livre e espontânea vontade.
— Até quando isso, hein, Laila? Você acha que sou uma péssima mãe? Alice prefere contar as coisas para você, que é amiga dela, do que para mim, que sempre fiquei ao lado dela.
— A senhora é uma mãe maravilhosa, não duvide, mas acho que para Alice há coisas que são difíceis de compartilhar com os pais.
— Só que com isso todos sofremos sem poder fazer nada, me diz Laila, o que tanto aflige a minha filha que a impede de seguir a vida?
— Ela tem os problemas dela, a senhora deve saber um pouco.
— Eu não quero saber um pouco, quero saber mais. Acho que isso é um direito meu como mãe. O que faz a Alice ser tão triste assim?
Laila olha para a cara de aflição de Silvia e percebe o quanto ela está sofrendo pelos problemas da filha.
— A Alice sofre por conta do pai da bebê — confessa.
Silvia já desconfiava que devia ser por aquilo, só não sabia quem era esse homem.
— Por favor, Laila, por tudo que há de mais sagrado na sua vida, me revele agora mesmo, quem é o pai da bebê — pede com lágrimas nos olhos.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido CEO, seu bebê quer te conhecer!