Ver a filha daquele jeito não a deixa nem um pouco contente, mas Silvia sente um alívio ao poder contá-la a verdade, já que percebeu que Alice ainda sentia algo por Richard.
— Sei que para você deve ser um grande choque, mas quero que saiba que desilusões amorosas são comuns na vida de todos. — Alice fica em silêncio, ainda esquadrinhando tudo o que a mãe lhe falou. — Homens como ele estão acostumados a lidar com mulheres o tempo todo, já você… — pondera. — Não conhece nada da vida, já que a única pessoa que conheceu foi o Endrick e ele sempre foi um bom rapaz com você.
— Ainda não consigo acreditar nisso, mãe — confessa. — Ele andou comigo pelas ruas de mãos dadas, como se fosse um homem solteiro, jantamos em lugares públicos e me levou à casa que pertence à família dele.
— Por acaso conheceu alguns de seus familiares? — indaga.
— Não, só a empregada da casa e ela me disse que eu deveria ser muito especial para o Richard, já que ele nunca havia levado nenhuma outra moça até ali.
— Ele deve ter pago para eles dizerem isso — insinua.
— Não creio que seja verdade — confessa.
— Verdade ou não, a foto dele no noivado estava estampada na capa dos jornais. E ele não se comprometeu com uma moça comum e sim uma muito rica e de família influente — revela. — Pessoas da classe social a que ele pertence não se relacionam seriamente com gente como você, Alice, devia entender que essas coisas só acontecem nos livros que gosta de ler.
— Devo ter sido muito idiota mesmo — diz, enxugando as lágrimas do rosto. — Porque acreditei em cada palavra que ele disse.
— Independente do que aconteceu entre vocês, deve pensar primeiro na Lily. Ela precisará da ajuda financeira do pai.
— Acha mesmo que terei coragem de procurá-lo, ainda mais agora que sei que irá se casar?
— Qual é a relação entre essas questões? Ele é responsável pelo bebê também e deve ajudá-la com as despesas, mesmo que esteja comprometido com outra mulher.
— Não vou atrás dele — confessa, se aproximando da mesa da mãe e desligando o computador. — E nem enviar nenhum e-mail ou coisa do tipo.
— Alice, não seja teimosa! — a voz de Silvia se altera.
— Não é teimosia, mas não há nada que eu queira falar com o Richard — responde. — Não preciso dele para conseguir cuidar da minha filha, você verá que darei conta de tudo, por mim ele nunca saberá sobre ela, ainda mais agora que está prestes a formar a sua própria família. — Alice abre a porta do escritório e deixa o local, deixando a mãe sozinha, ansiosa e sem saber o que fazer.
Quando entra em seu quarto, Alice senta-se na cama e começa a chorar, sentindo o quanto foi boba a acreditar na conversa de Richard. Ela pega o celular e escreve o nome dele no G****e e acaba lendo as últimas coisas que publicaram sobre ele há duas semanas.
“O empresário Richard Carter foi visto no último sábado jantando com a sua noiva Madeline Jones, num dos restaurantes mais caros da Califórnia”.
— Madeline — sussurra, lendo o nome da mulher que estava com Richard. — Acho que ele havia me dito sobre essa mulher.
— Agora? — Já são quatro da tarde — adverte Silvia.
— Eu sei, mas é o tempo que tenho de sobra no momento — responde.
— E sobre o que conversamos mais cedo?
— Esquece essa história de contatar o Richard, mãe. Nem eu e nem a Lily precisamos dele — diz, saindo dali e batendo a porta.
Silvia fica irritada com a teimosia da filha, tendo em vista que Alice é extremamente imatura para saber como lidar com os problemas da vida.
— Ah, Alice! Ainda bem que você tem uma mãe que olha por você — conversa sozinha, enquanto volta para o seu escritório. — Sua sorte é que sou mais experiente que você. Não deixarei que se mate de trabalhar, perdendo a sua juventude, sendo que o desgraçado do pai da Lily pode te ajudar com muita coisa.
Ao entrar em seu escritório, ela liga novamente o seu computador e volta a abrir a página do e-mail. Pacientemente, começa a escrever um enorme texto para Richard Carter, na esperança de que ele lesse aquilo o mais rápido possível.
— Você pode se casar, ter outros filhos ou fazer o que bem desejar de sua vida, mas deverá assumir as consequências de seus atos. Alice pode até ter sido uma boba que acreditou em suas palavras encantadoras, mas os pais dela estão aqui dispostos a lutar pela filha com garras e dentes. É melhor vir imediatamente conhecer e reconhecer a sua filha — termina de escrever e aproxima o dedo da tecla “enviar”.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido CEO, seu bebê quer te conhecer!