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Renascida e Desalmada: Meus irmãos imploram por perdão romance Capítulo 105

— Eu assisti à sua apresentação na competição. Aquela Dança de Capoeira foi simplesmente maravilhosa!

— Tainá, as suas habilidades marciais são absurdas!

— Os seus movimentos no palco foram sensacionais.

— Querem que eu ensine a vocês?

Tainá indagou com um sorriso amigável.

— Eu adoraria saber lutar, mas sou péssima para aguentar dor. O que eu faço?

— A Tainá virou uma cantora super famosa! Me dá um autógrafo, quero esfregar na cara dos meus vizinhos.

— Meu Deus, nós estudamos na mesma turma que uma celebridade.

...

— Parem com isso. Somos todos colegas de classe. Vocês me conhecem melhor do que ninguém, sabem perfeitamente quem eu sou.

— Ah, claro! O que não sabíamos é que você escondia todo esse talento!

...

Enquanto aquele lado da sala irradiava alegria e camaradagem, no extremo oposto reinava um clima pesado e sombrio.

Desde o momento em que cruzou a porta, Tainá já havia notado a presença de Laura e de um punhado de puxa-sacos que ela havia comprado. Qualquer aluno com um pingo de dignidade preferia manter distância de uma figura tão tóxica.

No semestre anterior, quando Laura foi transferida para o colégio, a rejeição por parte da turma fora imediata.

Crescida no campo, ela era completamente alheia às dinâmicas da alta sociedade. Faltava-lhe o traquejo social básico, e o conceito de etiqueta era algo alienígena para ela.

Como resultado, passou a ser tratada com desdém pelos professores e ignorada pelos próprios colegas.

Naquela época, Tainá agira como uma verdadeira ponte, gastando horas a fio apresentando-a ao círculo social da escola e ensinando pacientemente como se comportar no meio deles.

Contudo, assim que Laura conseguiu se adaptar minimamente, ela começou a usar a culpa que a família sentia a seu favor para orquestrar armadilhas contra a própria Tainá. Era a mais pura personificação do conto do fazendeiro e a serpente.

Desta vez, porém, Tainá estava decidida a mantê-la esmagada sob a sola do seu sapato, sem dar-lhe sequer uma chance de respirar.

Do outro lado da sala, os olhos de Laura faiscavam, quase saltando das órbitas, consumidos por uma inveja doentia.

Por que aqueles alunos da elite, brilhantes e populares, gravitavam em torno de Tainá, mas fugiam dela como se carregasse a peste bubônica?

Tainá já havia sido escorraçada da Família Torres! Como ela ousava continuar tão confiante e radiante?

Aquela adoração, aquele prestígio... Tudo aquilo deveria ser um direito exclusivamente seu!

— Eu não me importo com essas coisas. Afinal, eu sei o quanto o papai e os meus irmãos dão duro para ganhar o dinheiro da nossa família.

— Minha filha é um anjo de tão compreensiva — murmurou Viviane, os olhos marejados de emoção.

Ela apertou a garota contra o peito, acariciando suavemente seus cabelos.

— Ah, meu Deus... Se ao menos aquela sua irmã tivesse a metade da sua decência...

— Mãe, a Tainá é muito popular na sala. Se ela dissesse algumas palavras ao meu favor, tenho certeza de que ninguém ousaria me tratar mal.

As palavras foram o estopim para que a fúria de Viviane inflamasse. Ela cerrou os dentes e sibilou: — Não espere absolutamente nada daquela ali. Ela teve a vida fácil demais por muito tempo.

— Apenas confie na mamãe e faça o que eu disse...

— Mãe...! — exclamou ela, fazendo um muxoxo charmoso.

No entanto, enquanto protestava de forma melodramática, os cantos de seus lábios se erguiam em um sorriso maquiavélico.

Como esperado, assim que pisou na sala de aula naquela manhã, os olhares que recebeu confirmaram seus piores temores. Os alunos a encaravam com repulsa e estranheza, como se estivessem diante de uma aberração.

Naquele primeiro momento, a mente de Laura deu um branco. Ela desejou ardentemente ser invisível. Se houvesse um buraco no chão, não hesitaria em se jogar dentro dele para fugir do escrutínio.

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