Maldita Tainá! Se não fosse por ela, estaria passando por aquele pesadelo?
Ela deixaria a desgraçada aproveitar a euforia por um tempo. No final, esmagaria o rosto daquela intrometida contra o asfalto.
Eu sou a verdadeira soberana! E sempre serei a rainha daqui!
Tentando mascarar o desconforto, Laura ergueu o queixo e seguiu em direção à sua carteira, fingindo ignorar o ambiente. Contudo, à medida que passava pelos corredores, os alunos afastavam-se dela de forma brusca, como quem se esquiva de uma praga contagiosa.
Ela sentou-se, esforçando-se para projetar um ar de tranquilidade, enquanto usava a visão periférica para localizar as poucas pessoas que haviam sido suas aliadas no semestre anterior (na verdade, os mesmos colegas que a própria Tainá havia lhe apresentado quando chegara à escola).
Para sua consternação, todos viravam o rosto de imediato, simulando um súbito e profundo interesse em qualquer outra coisa que não fosse ela.
No semestre passado, aquelas mesmas garotas haviam prometido que seriam suas melhores amigas! "Idiotas", pensou ela, bufando internamente. "Com certeza Tainá andou espalhando veneno contra mim."
Esforçando-se para aparentar indiferença, Laura começou a mexer em sua mochila. "Acidentalmente", puxou um estojo requintado de luxo.
Como esperado, o item chamou a atenção imediata de algumas alunas provenientes de famílias de classe média.
Eram Canetas de luxo JD — um design elegante e suntuoso, com o corpo adornado por pequenos diamantes. Um verdadeiro símbolo de riqueza.
Tratava-se de uma marca internacional tão exclusiva que possuir dinheiro não era garantia de conseguir um exemplar; era preciso status.
O estojo completo fora um presente de seu quarto irmão, Giovani, que o comprara de encomenda durante sua última viagem ao País M para um torneio de automobilismo.
Mas ela não se importava em usar aquilo como isca. Agora, possuía regalias e presentes aos montes.
Ela lançou um olhar condescendente para as colegas fascinadas, anunciou: — Passamos o verão inteiro sem nos ver. Trouxe pequenas lembranças para vocês.
A reação foi instantânea: como mariposas atraídas pela luz, o pequeno grupo aglomerou-se ao redor de sua mesa.
Ela sabia que aquela tática barata só funcionaria com os mais interesseiros. Os herdeiros bilionários da turma não dariam a mínima para um punhado de canetas brilhantes.
Contudo, isso pouco importava. O objetivo central estava cumprido: ela não parecia mais uma rejeitada solitária no fundo da classe. Além disso, a bajulação melíflua daquelas alunas amaciava seu ego, e isso já era o bastante.
Laura era viciada naquela sensação inebriante de ser venerada.
— Uau! Esses presentes são caros demais... Eu nem sei se deveria aceitar — murmurou uma delas, as mãos já agarrando o estojo.

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