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Renascida e Desalmada: Meus irmãos imploram por perdão romance Capítulo 2

Tainá lembrava-se de que, antes de ser arrastada para o porão, olhara com desespero para os familiares, implorando por ajuda. Ninguém, porém, movera um músculo para socorrê-la. Pelo canto do olho, apenas conseguiu captar o sorriso zombeteiro que curvava os lábios de sua "querida" irmã.

Na vida passada, Laura realmente alcançara o sucesso em seus planos.

Contudo, agora que Tainá havia renascido, faria com que todos pagassem em dobro.

Foi então que o som de passos soou do lado de fora, seguido pelo ruído áspero da fechadura sendo destrancada.

Antes que a tontura tomasse conta de si, Tainá cravou as unhas na palma da própria mão. A pontada de dor aguda forçou sua mente a despertar, enquanto um sorriso irônico se desenhava lentamente em seus lábios.

Para alguém que já havia morrido uma vez, o que mais haveria a temer?

Até os dezessete anos, Tainá fora a única garota da casa. Brilhante e dona de uma beleza inegável.

Seus pais costumavam dizer que ela era uma bênção dos céus, a joia mais preciosa de suas vidas, e que isso jamais mudaria.

Seus quatro irmãos juravam que ela era a princesinha da família, e que a protegeriam pelo resto da vida.

Essas promessas ainda ecoavam em seus ouvidos. Todavia, os eventos subsequentes provaram que apenas ela havia acreditado em cada palavra.

No passado, Tainá chegara a pensar que o problema estava em si mesma. Desdobrou-se tentando agradá-los, ansiando por resgatar o afeto familiar que um dia conheceram.

O resultado de seus esforços foi um fim trágico: acabou assassinada e descartada após um sequestro.

Agora, qualquer dívida de gratidão pela criação já fora devidamente paga. O laço fraterno, por sua vez, havia sido cortado em definitivo.

Nesta nova vida, ela não se curvaria para mais ninguém. Viveria única e exclusivamente para si mesma.

Quanto à verdadeira culpada de tudo... Ah, eles veriam do que ela era capaz!

Em meio aos seus devaneios, passos comedidos aproximaram-se pelo corredor.

Tainá ergueu o rosto e deparou-se com uma silhueta imponente, tão altiva quanto um bambu, parada diante dela.

— Tainá, já percebeu onde foi que você errou?

O homem de olhar profundo, charmoso e de postura inabalável era seu irmão mais velho, Thiago Torres, atual CEO do Grupo Torres.

O olhar de Tainá percorreu as feições dele, avaliando cada detalhe.

Naquele ponto da história, eles ainda não haviam se tornado inimigos mortais por causa de Laura. Por isso, era possível vislumbrar no fundo dos olhos dele uma preocupação genuína, ainda que camuflada.

Um dia, seus pais a chamaram e revelaram que a irmã gêmea desaparecida havia sido encontrada.

Ao receber a notícia, Tainá transbordou de alegria. Finalmente teria uma irmã, e fez questão de escolher os presentes mais elegantes para recebê-la.

Laura havia crescido no interior com pais adotivos e, desde pequena, possuía a saúde debilitada.

No primeiro encontro, a garota parecia abatida, com roupas simples, e agia de maneira tímida, quase letárgica.

A família, no entanto, não demonstrou o menor repúdio. Pelo contrário, todos a olharam com profunda pena, obcecados pela ideia de compensá-la pelo tempo perdido.

Os pais a matricularam na mesma escola de Tainá, no mesmo colégio de elite, esperando que a caçula a guiasse.

Como o rendimento escolar de Laura era fraco, Tainá frequentemente abdicava de seu tempo livre para dar-lhe aulas de reforço.

Quando os colegas zombavam do jeito simples da novata, Tainá sempre tomava a frente para defendê-la com unhas e dentes.

Tainá a apresentou às suas melhores amigas e até dividiu com ela seus objetos mais valiosos.

Contudo, não demorou muito para que Tainá percebesse que algo estava muito errado.

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