Mas a sorte finalmente sorriu para ele. O Diretor Gustavo viu um brilho de perspicácia em seus olhos e o contratou como assistente.
Naquele dia, Lira quase enlouqueceu de alegria. Como assistente do diretor, seu salário já seria o dobro do que ganhava no emprego anterior.
Após ser oficialmente efetivado, ele tinha plena consciência de suas próprias limitações. Em termos de capacidade técnica, não servia nem para amarrar os sapatos de seus colegas superqualificados e experientes.
Mas o esforço supera o talento natural. Ele pegava todo o trabalho pesado, antecipava as necessidades de todos e usava seu ponto forte: a habilidade de ler o ambiente e a sua lábia afiada.
Além disso, sugava o conhecimento de seus colegas como uma esponja, elevando constantemente o próprio nível.
Aos poucos, a equipe o abraçou. Em jantares de negócios e reuniões, o Diretor Gustavo passou a fazer questão de levá-lo.
Não demorou muito para que ele se tornasse o braço direito de Gustavo e fosse promovido a vice-diretor.
Ele calculou que, sendo comedido nos gastos, em dois ou três anos finalmente juntaria a entrada para a casa e estaria a um passo do casamento.
Mas o que ele jamais poderia imaginar era que a chefe os levaria para uma jogada no mercado de ações e faria com que todos mudassem de vida em um estalar de dedos.
Ouvindo Lira contar a história, Sofia sentiu que estava escutando um conto de fadas.
Mas eles estavam juntos há anos; sabia que seu namorado jamais mentiria sobre algo tão sério.
— Eu estou morrendo de curiosidade... quem é essa chefe de vocês? — Sofia indagou, com os olhos brilhando.
A expressão de Lira endureceu de repente. — Isso eu não posso dizer. É segredo absoluto da empresa. Meu amor, você quer que eu seja punido por violar as regras corporativas?
— Tudo bem, tudo bem, não precisa dizer — ela recuou rapidamente.
Seu namorado tinha lutado tanto para conseguir reconhecimento; a última coisa que ela queria era vê-lo sendo demitido.
— Onde vamos comer hoje? — ele perguntou, o sorriso voltando ao rosto.
— Vamos sair, amor! Precisamos celebrar!
...
No dia seguinte, ao chegar à escola, Tainá teve uma surpresa: Laura Torres estava de volta às aulas.
A nova e restabelecida Laura havia mudado da água para o vinho. Longe estava a garota que adorava ostentar, disputar os holofotes com Tainá e formar panelinhas elitistas pelos corredores.
Agora, ela parecia incrivelmente submissa. Quando ouvia murmúrios e pessoas apontando para ela, fingia não escutar e apenas abaixava a cabeça, concentrando-se nos estudos.
Ao chegar ao escritório da Bicicleta Verde, Tainá não esperava encontrar o Sr. Ciro ali. Ele conversava animadamente com Lúcio.
— Boa tarde, Presidente Torres — saudou o empresário.
Após tantos contatos, ele já havia compreendido muito bem que a jovem diante dele era a mente mestre do negócio.
— A que devo a honra da sua visita hoje, Sr. Ciro?
— Ouvi dizer que vocês estão expandindo para Porto Dragão e Anville. Eu vim propor que a fabricação das bicicletas para essas duas cidades fique sob a minha responsabilidade.
— Sob a sua responsabilidade? — Tainá ergueu uma sobrancelha. Ambas as cidades demandariam um volume massivo de frotas. Com apenas uma fábrica, ele levaria uma eternidade para entregar tudo.
— O que o Sr. Ciro quis dizer — interveio Lúcio — é que ele próprio irá até essas cidades para negociar com os fabricantes de bicicletas locais. Ele pretende firmar parcerias, adquirir fábricas ou até mesmo abrir filiais. O fornecimento continuará sendo feito exclusivamente por ele.
— O senhor realmente tem faro para os negócios, Sr. Ciro — Tainá comentou, um sorriso surgindo no canto dos lábios.
— Estou apenas surfando na onda do sucesso de vocês. — Ele riu, modesto.
— Não é uma ideia ruim. Mas a patente da Bicicleta Verde é nossa. Se surgir uma segunda empresa de bicicletas no mercado tentando nos copiar... — Tainá deixou a frase no ar, o olhar incisivo.

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