— Sr. Lúcio, não se pode dizer absurdos assim. Nossa corretora de valores é séria, nunca praticamos golpes ou enganamos ninguém.
O chefe ficou atônito. Não estavam discutindo sobre a Associação de Finanças? Por que Lúcio o estava acusando de praticar golpes?
— Por que não praticam? No setor financeiro, golpes dão um lucro enorme.
Lúcio ergueu o canto da boca, esboçando até um leve sorriso.
Mas o chefe ficou com a língua enrolada, sem saber como responder.
— Isso...
O chefe não era burro, percebeu que havia caído em uma armadilha.
— Não venha com aquelas conversas fiadas e discursos hipócritas sobre ter consciência. Fale a verdade.
Pronto, até as rotas de fuga foram bloqueadas.
A culpa era de sua própria boca, pois com tantos donos calados, por que ele tinha que se levantar?
— Porque não queremos sofrer sanções do órgão regulador de valores mobiliários.
Em caso de violação das regras, na melhor das hipóteses, teremos nossos privilégios limitados ou a licença cassada. Na pior, iremos para a prisão.
Quem se atreveria a violar as regras?
Ele sabia que, ao dizer isso, Lúcio iria certamente puxar a conversa para a regulamentação do mercado financeiro nacional, destruindo a mentira de que o mercado nacional era "caótico".
Mas se ele não dissesse isso, iria admitir que a própria empresa praticava golpes?
Se sofresse sanções e a notícia vazasse, a empresa estaria arruinada.
Perder a cara era melhor do que causar problemas à empresa.
E como esperado, a próxima pergunta de Lúcio foi: — Então você ainda acha que o mercado financeiro nacional é um caos total?
Ao dizer isso, Lúcio não olhou apenas para o chefe, mas também para os outros donos, para as "elites" que proferiram discursos, e para Igor e Lorenzo.
— Por que não respondem? Ou não têm o que dizer?
Senhores chefes, elites, jovem mestre internacional e meu irmão caçula, têm algo a declarar?
Dessa vez, era Lúcio quem estava chamando por eles.

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