Ao ouvir a voz, Florence se virou e viu uma mulher vestida com um terno preto perfeitamente alinhado, parada diante dela.
— Lembra de mim? Sou a Isadora, fiquei em terceiro lugar na última competição.
Florence assentiu educadamente:
— Lembro, olá.
Isadora ajeitou o blazer e passou os dedos pelos cabelos, tentando parecer casual:
— Na última vez, obrigada por ter cedido o lugar para mim.
— Não foi nada. O horário está apertado, melhor subirmos. Podemos conversar depois. — Disse Florence, olhando para o relógio. Ela não queria chegar em cima da hora. Era o primeiro dia de estágio, e, no mínimo, deveria chegar dez minutos mais cedo para se ambientar.
— Certo. — Isadora respondeu, apressando os passos para acompanhá-la. Um leve entusiasmo tomou conta de sua voz. — Flor, na verdade, eu acho que o seu trabalho é que merecia o primeiro lugar.
Florence parou de repente e a interrompeu:
— Isadora, guarde isso para você. Não diga mais essas coisas.
Ela sabia que Daphne não era tão despreocupada com a fama quanto aparentava. Pelo contrário, Daphne era mesquinha e não tolerava nem o menor sinal de ameaça.
O que nenhuma delas esperava era que, assim que Florence terminou de falar, as portas do elevador se abriram. De dentro, vindo do estacionamento subterrâneo, saiu Daphne.
Florence e Isadora ficaram estáticas por um momento, cada uma torcendo silenciosamente para que Daphne não tivesse ouvido a conversa.
A maquiagem de Daphne parecia impecável à primeira vista, mas, ao se aproximar, era possível notar o quanto estava pesada. As olheiras, mesmo mal disfarçadas, deixavam claro que a noite anterior não tinha sido fácil. O banho de sopa de abóbora certamente havia surtido efeito.
Mas Daphne era uma ótima atriz. Seu olhar passou rapidamente por Florence antes de pousar em Isadora. Um sorriso afável e caloroso iluminou seu rosto.
— Isadora, que prazer te encontrar. Durante a competição, nem tivemos tempo de conversar direito. Lucian e eu adoramos o seu trabalho.
— Sério? Muito obrigada pela apreciação de vocês! — Isadora respondeu, com os olhos brilhando. Seu entusiasmo era tão evidente que parecia quase infantil.
— Não há de quê. — Disse Daphne, embora seu olhar estivesse fixo em Florence. O tom era doce, mas carregado de sarcasmo, como se quisesse mostrar que sabia exatamente como manipular a situação.
Quando saíram do elevador, Isadora, em um gesto quase submisso, abriu caminho para Daphne passar. E, num sussurro, disse para Florence:
— Nunca imaginei que a Daphne fosse tão simpática.
Florence abriu a boca para responder, mas desistiu. Não valia a pena.

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