Capítulo 10
Riley Collins
O banco do carro era confortável, mas meu corpo inteiro estava tenso. Meus dedos seguravam os papéis com tanta força que eles podiam amassar. Respirei fundo. Luca parecia relaxado demais no banco ao lado, como se estivesse indo jantar, e não confrontar um inimigo com uma cópia da nossa certidão de casamento.
Olhei de canto e depois virei o rosto pra ele.
— Você acha que consegue encontrar minha irmã, chefe? Temo por ela.
Ele não me encarou de volta. Apenas olhou à frente e respondeu com a voz firme, como se já tivesse decidido tudo.
— Tudo o que precisa saber é que ela estará segura. Você casou com Luca Black, e ele nunca mente. Se guardar isso na sua mente, a sua vida vai começar a progredir. Se esquecer e voltar a dar moral para Jackson, vou te fazer pagar. E pagar caro, Riley.
Assenti em silêncio. Por mais que ele fosse rude, intenso, impulsivo... era Luca quem me dava mais segurança. Jackson me manipulou tantas vezes que eu já não reconhecia o que era real quando vinha dele. Com Luca... bom, com Luca tudo doía, mas tudo também parecia claro.
Decidi arriscar tudo.
— Vou confiar em você... — falei, num fio de voz.
Ele me lançou aquele olhar torto, carregado de ameaça. — Chefe — corrigi. — É só me dar as instruções e seguirei à risca.
Ele moveu o rosto, satisfeito.
— Ótimo. Pode entregar essas certidões de casamento a ele conforme combinou. O original está comigo.
— Você é do tipo que gosta de ver a queda, não é? Vai entregar um motivo pra ele sorrir pra depois fazê-lo engolir o sorriso.
— Exatamente. Tirando a parte em que odeio sorrisos... você entendeu.
“Louco! Quem odeia sorrisos?“
Me ajeitei no banco, abrindo a pasta. Peguei uma caneta estilosa que vi no bolso interno do paletó dele.
Luca ergueu uma sobrancelha, mas não reclamou.
Virei a segunda folha e escrevi um recado para Jackson com toda a raiva. Luca viu, mas não disse nada.
Devolvi a caneta.
Fechei a pasta e soltei o ar pela boca. O portão gigante à frente se abriu lentamente, com aquele som pesado de ferro contra o chão. A mansão parecia uma fortaleza, cercada por homens armados e câmeras. Não era exatamente o tipo de lar onde sonhei viver, mas era onde certamente estava a família dele.
Apoiei o rosto na janela, curiosa. Luca me puxou pelo braço com firmeza.
— Evite Jackson. Não o responda se eu não autorizar. Entendeu?
— Sim, chefe.
— Lá dentro me chame pelo nome. — Agora, com minha mãe... tenha cuidado. Não ouse deixá-la nervosa.
Senti um calafrio.
— Claro.
Descemos do carro juntos. A luz externa iluminava a entrada principal, e uma mulher elegante, de postura firme e olhos tão afiados quanto os de Luca, nos esperava no alto da escadaria.
Ela me observava como quem pesa ouro falso.
Respirei fundo.
Estava pronta para entrar no ninho.
Casada com Luca Black e decidida a jogar esse jogo até o fim.
A cada degrau da escadaria, meu coração batia mais alto. Luca ao meu lado caminhava como um general em zona de guerra. E, no topo, a mãe dele esperava.
E foi então que percebi — o vestido que ela usava era quase idêntico ao estilo que Luca tinha me enviado ontem. Clássico, elegante, marcando a cintura e cobrindo com sutileza o corpo. Nada como o que eu vestia agora. Meu vestido ousado, justo demais. Fenda alta. Decote profundo.
Instintivamente puxei o tecido pra baixo, tentando diminuir a fenda. Inútil. Só fez o decote aumentar. Merda. Tentei cobrir, ajustar, mas quanto mais eu mexia, mais chamativo parecia.
Foi aí que vi Jackson.
Saindo por trás da mãe deles, com aquele andar soberbo, mas mancando com as muletas pelo tiro.
Mas o que me deixou travada foram os olhos dele. Pela primeira vez, ele me olhou com desejo.
Não era mais aquele olhar de controle, de manipulação. Era luxúria. Seu olhar percorreu meu corpo inteiro, sem nenhuma vergonha. Do tipo que te faz se sentir nua mesmo com roupa.
Vi o movimento dos lábios dele. Mesmo sem som.


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