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Roubada no altar pelo chefe da Máfia romance Capítulo 163

Capítulo 163

Rúbia

Fazem dois dias desde a última conversa com Derrick. E também dois dias de silêncio e de perguntas engolidas.

Achei que estaria em paz sem ele, mas a verdade é que a ausência de Derrick não era confortável. Mas um zumbido constante dentro de mim, misto de alívio e desassossego.

A noite já estava nascendo quando olhei o relógio pela quinta vez. Quarenta e oito horas que ele não vem.

Era tarde, ele não vinha. De novo.

Dobrei a última toalha de banho da casa e coloquei sobre a pilha, tentando fingir que isso importava mais do que a falta que ele fazia, mesmo pra me incomodar e me irritar.

Mia também estava diferente desde cedo.

Inquieta, manhosa, agarrada no meu pescoço como se o mundo inteiro fosse acabar se eu a colocasse no berço ou no carrinho.

— Pequena, a mamãe precisa terminar essas roupas. Você espera só mais um pouquinho? — falei com a voz mole, ela fez beiço.

— Deixa a roupa aí, mamãe. — ouvi Riley atrás de mim, a voz tranquila, o sorriso doce. — Ela quer você.

Olhei para a mulher que, mesmo cercada de poder e guarda-costas, ainda parecia uma amiga de verdade.

— É que hoje ela está impossível. Não consegui terminar nada. A roupa já deveria estar passada. — Desabafei.

— Não se preocupe. Você é como uma convidada pra mim. Graças a você, pude salvar a Mia. Mas o que ela tem que está brava?

Riley veio mais perto e Mia esticou o bracinho para ela, mas quando a pegou, a menina fez um biquinho e voltou a me procurar com os olhinhos marejados.

— Ela está inquieta o dia todo senhora. Também estou achando ela meio quentinha. — observei, tocando a testa dela.

— Já mediu a temperatura? — perguntou Riley.

— Sim, 36.9... ainda normal, mas está estranha. Acho que sente falta do Derrick.

Riley assentiu devagar.

— É possível. Luca me contou que Derrick viajou pra resolver o problema dos exames. Por isso não apareceu.

— Então é verdade... — murmurei. — Ele foi mesmo atrás disso. Sabe se ele descobriu o que aconteceu?

— Não sei — Ela colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha e me olhou com aquele jeito de quem já viveu o inferno e voltou. — Mas acho que seria bom se ele viesse ver ela.

Eu sorri sem acreditar muito. Eu o afastei bem afastado da última vez.

— Espero que ele volte por ela, pelo menos. — Murmurei mais pra mim que pra ela.

Riley apertou minha mão, depois se afastou devagar.

— Se precisar de mim, me chama.

— Obrigada senhora.

Fiquei sozinha com Mia e decidi ir para o quarto descansar.

A coloquei na banheira com água morna, devagar, sentindo o calor se misturar ao vapor que subia em nuvens leves. O corpo dela, tão pequeno, parecia desmanchar dentro da espuma. As bochechas ainda rosadas denunciavam a febre que teimava em não ir embora. Eu mergulhei a mão, testei a temperatura mais uma vez — morna, o suficiente pra relaxar, pra enganar o desconforto.

— Tá gostoso, meu amor? — perguntei, forçando um sorriso.

Ela assentiu com a cabecinha, os olhos meio cansados, mas curiosos com as bolhas que estouravam na superfície. Passei a esponja devagar pelo bracinho dela, e o cheiro do sabonete infantil encheu o ar. Tudo parecia calmo, mas o coração apertava — porque eu sabia que aquele silêncio dela não era o de sempre.

— Olha a espuma, Mia… — murmurei, soprando um montinho branco que se desfez no ar. — É um monte de nuvenzinha. Será que uma vai pousar no seu nariz?

Ela riu baixinho — um som frágil, mas suficiente pra me fazer respirar de novo. Comecei a cantar, quase num sussurro, uma das musiquinhas que ela sempre pedia na hora do banho.

— “Dorme, neném, que a cuca não vem pegar… a mamãe não deixa, está aqui pra cuidar” — cantei, trocando o tom pra algo mais suave, como quem embala o próprio medo.

Ela me olhou, os olhos meio marejados, e estendeu a mãozinha molhada, encostando na minha bochecha.

— Quer que a mamãe, cante de novo, né?

E eu cantei. Mesmo com a voz embargada, mesmo com o peito pesando. Porque era o que eu podia fazer — transformar o medo em canção, a febre em espuma, o desespero em calma.

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