Capítulo 7
Riley Collins
Assim que o motorista deu dois passos para trás, Jackson ficou sério. O olhar arrogante, como se estivesse prestes a anunciar uma sentença.
— A vida da sua irmã está nas suas mãos — disse ele, seco, direto, como quem avisa sobre a previsão do tempo. — E você vai fazer exatamente o que eu mandar, se quiser vê-la viva novamente.
Engoli em seco. Minha pele arrepiava e o frio subia pelas costas como um aviso do meu corpo para correr dali. Mas não corri.
— O que você quer? — minha voz saiu falha, mas firme. — Já me tirou tudo. Não tem mais o que levar.
Ele sorriu, aquele sorriso torto, venenoso.
— Quero que encontre os papéis do seu casamento com Luca. Esconda de qualquer um. E traga até mim. Hoje.
— Como? — sussurrei. — Como eu vou levar isso até você? Luca não me deixa nem atravessar a rua sem que saiba onde estou. E... por que você quer esses papéis?
Ele riu alto. E depois, baixando a voz, se aproximou do meu ouvido.
— O tempo passa e você continua idiota, Riley. — Se afastou e completou: — Hoje é a leitura oficial do testamento do meu pai. E adivinha? O filho que estiver legalmente casado assume os negócios. E não, meu casamento com você nunca foi registrado oficialmente, nem de Luca. Aquela cerimônia toda? Foi uma encenação dele pra deixar mais membros em suas mãos. Sem validade, bem. — Ele ergueu a mão até meu rosto e bati tão forte na mão dele que o estalo foi notável por enfermeiros que passavam.
— Está brincando com fogo, franguinha?
— Agora sou esposa de Luca Black. Não ouse encostar em mim novamente.
— Quando digo que é idiota não acredita. Você não é a esposa dele. O juiz morreu, isso não é suficiente? Quem irá validar essa merda?
Meus olhos se arregalaram.
— Então... o casamento com Luca... — Minhas pernas fraquejaram. — Você quer os papéis para... anular tudo?
Ele assentiu, satisfeito.
— Você me traz aqueles documentos antes da leitura, e eu apareço com novos. Você assina como deveria ter feito desde o começo. Casando comigo.
— E Emma? Poderei vê-la?
— Claro. Ela faz a cirurgia no final da semana. Isso, claro, se você cumprir sua parte.
Olhei para os lados, sufocada. Tentei entender como tinha sido jogada em um jogo que eu nunca quis participar.
Ele caminhou para a porta mancando com uma bengala, ajeitando a gola da camisa, e antes de sair, se virou.
— Eu resolvo as testemunhas. Você só precisa ser obediente... por uma vez na vida.
E então sumiu no corredor.
Fiquei ali parada, tentando respirar. Cada palavra dele queimava dentro de mim como se meu corpo fosse feito de pólvora e ele tivesse riscado um fósforo. Meu coração parecia preso num soco permanente. Minha irmã... Deus... Emma.
Respira.
Foi então que o motorista voltou. Dessa vez acompanhado por um homem de jaleco, aparentando mais de cinquenta anos, com um rosto cansado, mas sério. O motorista fez a apresentação:
— Doutor Reinald Amaral. Diretor clínico.
— Senhora Collins Black? — ele estendeu a mão. Eu apertei com hesitação. Ele disse Black? — O senhor Black pediu que eu viesse pessoalmente esclarecer.
“Será que Jackson foi tão rápido? Ou já havia planejado isso?“
— Onde está minha irmã? — perguntei de imediato. — Emma Collins. Dezoito anos. Acidente de carro. Ela estava aqui. Eu liguei ontem, havia piorado...


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