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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 466

O quarto do hospital estava em silêncio, mas Olívia não conseguia sentir paz.

Ela estava sentada na cama, ainda com curativos discretos nos braços e um corte limpo na lateral da testa. Meredith dormia ao seu lado, enrolada numa manta clara, depois de ter sido examinada e liberada pelo médico. A bebê parecia pequena demais para todo aquele horror.

Olívia não tirava os olhos da filha.

André estava perto da janela, tenso, falando baixo ao celular havia poucos minutos. Amanda permanecia ao lado da cama, observando Olívia com uma compaixão silenciosa, sem invadir, sem julgar.

Quando André desligou, Olívia ergueu o rosto depressa.

— Você tem certeza? — perguntou, a voz tremendo. — Tem certeza de que ninguém vai saber que eu estou aqui?

André guardou o celular no bolso e se aproximou devagar, como quem se aproxima de alguém prestes a quebrar.

— Tenho. — respondeu firme. — Ninguém vai saber que você esteve aqui.

André passou a mão pelo rosto antes de continuar:

— Quem atendeu você e a Meredith foi um amigo meu. O pai dele é o dono deste hospital.

Olhou diretamente para ela.

— Você não vai ficar internada justamente pra não deixar rastros. Não vai existir prontuário no seu nome, registro de entrada ou qualquer documento que possa provar que esteve aqui.

Olívia passou a mão trêmula sobre a manta da filha.

— Eu sinto muito… — murmurou, olhando para ele e depois para Amanda. — Eu atrapalhei vocês no meio da noite. Eu não sabia pra quem ligar.

André sentou-se na poltrona ao lado da cama.

— Eu disse várias vezes que você podia me pedir ajuda sempre. — falou baixo. — Não importava o horário.

Amanda se aproximou e tocou de leve o braço de Olívia.

— E você não precisa me pedir desculpas. — disse com delicadeza. — Eu apoio o André em ajudar você. O que aconteceu com você e com a sua filha é grave demais pra você passar por isso sozinha.

Olívia fechou os olhos, mas as lágrimas escaparam mesmo assim.

— Eles vão matar a Meredith. — sussurrou, puxando a bebê um pouco mais para perto. — Eles vão matar a minha filha, André. Eu preciso fugir. Preciso sumir com ela.

André ficou em silêncio.

O olhar dele se moveu para a janela escura. Depois voltou para Olívia. Havia algo mudando em seu rosto. Não era apenas preocupação. Era raciocínio.

— Olívia… — começou, devagar. — Escuta com calma.

Ela o encarou, apavorada.

— O carro explodiu. — disse ele, medindo cada palavra. — Quem estava seguindo vocês viu o carro cair, viu o fogo, viu a explosão.

Olívia engoliu seco.

Amanda respirou fundo, compreendendo antes dela. André continuou.

— O motorista morreu. O carro ficou destruído. Provavelmente vão achar que não houve sobreviventes.

Olívia ficou imóvel.

— O que você está dizendo?

André segurou o olhar dela.

— Se eles acham que você morreu… talvez essa seja a única chance de vocês sobreviverem.

O rosto de Olívia perdeu a cor.

— Não…

A mão dela foi à boca. O peito começou a subir e descer rápido.

— Não, André… não. O Liam já vai achar que eu abandonei ele.

A voz quebrou.

— Ele vai…

As lágrimas vieram mais fortes.

— Ele vai morrer por dentro. E se um dia descobrir a verdade, não vai me perdoar.

Amanda desviou o olhar, comovida. André se inclinou um pouco para frente.

— E se você aparecer agora… você morre de verdade. E a Meredith também.

Olívia pegou a filha e apertou contra si.

— Não fala isso…

— Eu preciso falar. — respondeu ele, firme, mas sem dureza. — Porque agora você não está decidindo só por você. Está decidindo por ela.

Olívia olhou para Meredith dormindo. A bebê respirava tranquila, alheia ao destino que a mãe tentava arrancar das mãos de monstros.

— Uma mansão onde passei muitas férias quando era mais novo… — continuou, a voz mais baixa.

Os olhos dele endureceram um pouco, mais sério agora.

— E o porto de lá é meu.

O silêncio caiu pesado no quarto.

— É o lugar mais seguro que eu tenho pra te esconder. — completou, firme.

Olívia o encarou, exausta e assustada.

— Você nunca me disse que sua mãe era brasileira.

Um sorriso triste passou pelo rosto dele.

— Nunca achei que essa informação fosse virar rota de fuga.

Amanda tocou a mão dele, dando apoio silencioso. André voltou a olhar para Olívia.

— Lá ninguém vai procurar você. — disse com firmeza. — É longe o suficiente, discreto o suficiente… e eu consigo te colocar lá sem expor seu nome.

Fez uma pausa curta, percebendo a tensão nos olhos dela.

— E fica tranquila… — acrescentou, a voz mais baixa, mais segura. — Nada do que eu vou fazer é ilegal.

Olívia franziu levemente a testa, ainda desconfiada. André continuou, didático, mas sem perder a urgência.

— Você sabe que aqui existem mecanismos legais para proteger pessoas que estão sob risco real de morte. — explicou calmamente. — Programas de proteção, medidas emergenciais… identidades resguardadas temporariamente.

Ajustou a postura, firme.

— Você não está fugindo da lei, Olívia. Você está sendo protegida por ela.

Amanda assentiu ao lado, reforçando.

— Você é vítima nessa história.

André sustentou o olhar dela.

— Eu vou garantir que tudo seja feito dentro do que a lei permite. Sem deixar rastros desnecessários… mas também sem te colocar em risco jurídico depois.

A voz dele suavizou um pouco.

— Você só precisa se manter viva agora. O resto… eu resolvo.

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