Olga ergueu os olhos, já conhecendo a história, mas ainda sentindo repulsa.
— Mulheres eram embarcadas como funcionárias, acompanhantes, tripulação falsa. — continuou ele, sem emoção aparente. — Entravam nos Estados Unidos com documentação forjada. Algumas eram revendidas antes mesmo de pisarem em terra.
Felipe cerrou o maxilar.
— Eu recusei. — Frederico prosseguiu. — E entreguei tudo à polícia. Ajudei a derrubar aquele homem.
A chuva bateu mais forte nos vidros.
— Isso rendeu à família Holt inimigos que talvez eu nunca tenha dimensionado. — os olhos dele endureceram. — O que eu não imaginei… era que o neto continuaria o império podre do avô.
Virou-se lentamente para Felipe.
— E menos ainda que Érica estaria trabalhando em um hotel, em outro país, justamente onde ele se hospedaria… se tornaria amante dele… e os dois se uniriam para destruir nossa família.
Felipe soltou o ar pelo nariz, amargo.
— Érica sabe exatamente como segurar um homem na cama. — falou sem qualquer ternura. — Sabe ser amante. Sabe manipular. Sempre soube conseguir o que quer.
O olhar dele escureceu.
— Elisa era totalmente diferente dela. — Felipe passou a mão no rosto, tomado por culpa antiga. — Na primeira vez que fomos para a cama… ela chorou muito. Eu não entendi. Achei que fosse medo, nervosismo… qualquer coisa.
Ele riu sem humor, os olhos perdidos em lembranças que o feriam.
— A verdadeira Érica jamais choraria. Sempre foi devassa, calculista, intensa… usava o corpo como arma quando queria alguma coisa.
A voz pesou.
— Só quando descobri a verdade comecei a entender tantas atitudes dela… o silêncio, a doçura estranha, a forma como às vezes parecia me olhar como se estivesse presa numa vida que não era dela.
Felipe fechou os olhos por um instante.
— Eu não percebi que não era a Érica. Elas eram totalmente idênticas.
Uma pausa curta.
— Uma é um anjo… a outra, um demônio.
O silêncio que se seguiu foi quebrado apenas pela chuva do lado de fora. Frederico descruzou lentamente os braços, o olhar se tornando ainda mais frio.
— Alberto quer vingança, sim. — disse com precisão cirúrgica. — Mas vingança nunca foi o único objetivo dele.
Caminhou até a janela, observando a escuridão além do vidro.
— Ele quer o filho no cargo de CEO a qualquer custo. Porque, com o comando da Trident nas mãos erradas, a empresa pode finalmente fazer o que anos atrás eu me recusei a permitir.
Felipe ergueu os olhos, entendendo. Frederico continuou, sem alterar o tom.
— Frota internacional. Rotas privilegiadas. Portos estratégicos. Empresas satélites. Influência política. Estrutura perfeita para movimentar pessoas, dinheiro e mercadorias sem levantar suspeitas.
Virou-se devagar.
— Todo esse esquema gera cifras obscenas. Dinheiro suficiente para comprar silêncio, juízes, políticos… e lealdades.
Uma pausa curta endureceu ainda mais o ambiente.
— Alberto não quer apenas poder. Ele quer transformar o legado da família numa máquina criminosa altamente lucrativa.
Os olhos de Frederico escureceram.
— E ele odeia o Liam. Sempre odiou.
Olga ergueu o rosto devagar.
— Alberto sabe que, ao tocar no meu neto… está tocando em mim também. — a voz saiu baixa, porém implacável. — Liam é o ponto mais sensível que tenho.
Frederico manteve o queixo erguido, orgulhoso apesar da tensão.
— Eu o treinei desde cedo. Ensinei tudo o que sabia sobre guerra, estratégia, liderança e sobrevivência.
Um quase sorriso surgiu, breve e frio.
— Treinei tão bem… que ele se tornou melhor do que eu.
A chuva continuou batendo nos vidros. Dentro do escritório, nenhum deles dizia em voz alta, mas todos sabiam: já não estavam lutando apenas pela liberdade de Liam. Lutavam para impedir que décadas de segredos enterrassem toda a família.
Horas mais tarde, o carro atravessou o acostamento, rompeu a proteção metálica e despencou por um barranco coberto de árvores.
Olívia gritava. Meredith berrava no bebê-conforto.
O impacto final sacudiu toda a estrutura do carro e lançou Olívia para frente, mesmo presa pelo cinto no banco traseiro. Sua cabeça bateu de lado no encosto e tudo girou.
Na frente, o motorista colidiu violentamente contra o volante e tombou imóvel.
Meredith chorava em desespero.
Olívia abriu os olhos zonza, sentindo sangue quente escorrer da testa até a boca. O gosto metálico a fez engasgar.
O carro estava inclinado entre troncos partidos, soltando fumaça pelo capô amassado.
Então ela ouviu um estalo. Depois outro. Cheiro de gasolina. Pânico puro.
— Não… não… moço? — a voz saiu trêmula. — Moço… me responde… por favor…
Nenhuma reação.
Ela encarou o homem curvado sobre o volante.
Olívia se encolheu imediatamente sobre a filha, cobrindo-a com o próprio corpo. O carro virou uma bola de fogo entre as árvores.
Ela chorava sem som. Tremendo inteira. A fumaça saía de sua boca junto com a respiração descontrolada. A chuva fina caía sobre seus cabelos ensanguentados.
— Calma, meu amor… nós estamos vivas… — sussurrou aos prantos. — Você precisa se acalmar… se não, vão nos ouvir…
Levantou-se com esforço, mancando, e caminhou mais para dentro da mata. O frio mordia a pele ferida.
Parou junto a uma árvore larga, cujos galhos protegiam um pouco da chuva.
Sentou-se no chão úmido, abraçando Meredith. A menina seguia chorando.
— Filha… será que tem algum lugarzinho machucado? — perguntou em desespero, examinando-a. — Eu preciso pedir ajuda… por favor, aguenta só um pouquinho… eu não estou suportando ver seu sofrimento.
Beijou a testa da bebê repetidas vezes.
— É tudo culpa minha…
Olívia abriu a mochila com as mãos trêmulas e puxou o celular. Digitou um número.
Chamou.
Ninguém atendeu.
— Por favor… me atende…
Ligou novamente.
Nada.
Em Nova York, na cobertura de André, o quarto permanecia escuro e silencioso. Ao lado dele, Amanda se mexeu sonolenta entre os lençois.
— André… não vai atender?
André, de olhos fechados, puxou o travesseiro.
— Deve ser operadora querendo vender plano. Vamos dormir.
O telefone tocou pela terceira vez. Amanda se inclinou por cima dele, pegando o aparelho no criado-mudo.
— Essa hora ninguém vende plano. Atende. É um número desconhecido.
André bufou, pegando o celular ainda deitado. Atendeu sem paciência.
— Fala.
Do outro lado, entre choro, vento e respiração quebrada, veio a voz que o fez sentar na cama na mesma hora.
— André… pelo amor de Deus… eu preciso de ajuda.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
559 parou ja ter 3 semanas como podem....
Cadê o comprometimento com o leitor? Oque custa posta td livro?...
Falta de comprometimento com o leitor...
Acabou o livro? Mais de uma semana sem capítulos novos . . . ....
pelo que entendi estao postando de 20 dias a mais, quando vamos ler os novos capítulos nem se lembra mais o que estava nos capítulos anteriores, é preciso voltar p se atualizar. por favor poderiam postar tudo logo, já está ficando chato....
Até que enfim depois de 3 semanas divulgaram novos capítulos...
Mais capítulos já tem 3 semanas que li o cap 551. O romance é bom, mas ficar aguardando liberar capítulos é muito ruim....
Ivanete de fatima cerqueira de miranda...
Capitulo 552 ansiosa pra ler......
Fica difícil acompanhar a história pq demora muito para desbloquear os capítulos, está parado no 534 a muitos dias....