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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 465

Olga ergueu os olhos, já conhecendo a história, mas ainda sentindo repulsa.

— Mulheres eram embarcadas como funcionárias, acompanhantes, tripulação falsa. — continuou ele, sem emoção aparente. — Entravam nos Estados Unidos com documentação forjada. Algumas eram revendidas antes mesmo de pisarem em terra.

Felipe cerrou o maxilar.

— Eu recusei. — Frederico prosseguiu. — E entreguei tudo à polícia. Ajudei a derrubar aquele homem.

A chuva bateu mais forte nos vidros.

— Isso rendeu à família Holt inimigos que talvez eu nunca tenha dimensionado. — os olhos dele endureceram. — O que eu não imaginei… era que o neto continuaria o império podre do avô.

Virou-se lentamente para Felipe.

— E menos ainda que Érica estaria trabalhando em um hotel, em outro país, justamente onde ele se hospedaria… se tornaria amante dele… e os dois se uniriam para destruir nossa família.

Felipe soltou o ar pelo nariz, amargo.

— Érica sabe exatamente como segurar um homem na cama. — falou sem qualquer ternura. — Sabe ser amante. Sabe manipular. Sempre soube conseguir o que quer.

O olhar dele escureceu.

— Elisa era totalmente diferente dela. — Felipe passou a mão no rosto, tomado por culpa antiga. — Na primeira vez que fomos para a cama… ela chorou muito. Eu não entendi. Achei que fosse medo, nervosismo… qualquer coisa.

Ele riu sem humor, os olhos perdidos em lembranças que o feriam.

— A verdadeira Érica jamais choraria. Sempre foi devassa, calculista, intensa… usava o corpo como arma quando queria alguma coisa.

A voz pesou.

— Só quando descobri a verdade comecei a entender tantas atitudes dela… o silêncio, a doçura estranha, a forma como às vezes parecia me olhar como se estivesse presa numa vida que não era dela.

Felipe fechou os olhos por um instante.

— Eu não percebi que não era a Érica. Elas eram totalmente idênticas.

Uma pausa curta.

— Uma é um anjo… a outra, um demônio.

O silêncio que se seguiu foi quebrado apenas pela chuva do lado de fora. Frederico descruzou lentamente os braços, o olhar se tornando ainda mais frio.

— Alberto quer vingança, sim. — disse com precisão cirúrgica. — Mas vingança nunca foi o único objetivo dele.

Caminhou até a janela, observando a escuridão além do vidro.

— Ele quer o filho no cargo de CEO a qualquer custo. Porque, com o comando da Trident nas mãos erradas, a empresa pode finalmente fazer o que anos atrás eu me recusei a permitir.

Felipe ergueu os olhos, entendendo. Frederico continuou, sem alterar o tom.

— Frota internacional. Rotas privilegiadas. Portos estratégicos. Empresas satélites. Influência política. Estrutura perfeita para movimentar pessoas, dinheiro e mercadorias sem levantar suspeitas.

Virou-se devagar.

— Todo esse esquema gera cifras obscenas. Dinheiro suficiente para comprar silêncio, juízes, políticos… e lealdades.

Uma pausa curta endureceu ainda mais o ambiente.

— Alberto não quer apenas poder. Ele quer transformar o legado da família numa máquina criminosa altamente lucrativa.

Os olhos de Frederico escureceram.

— E ele odeia o Liam. Sempre odiou.

Olga ergueu o rosto devagar.

— Alberto sabe que, ao tocar no meu neto… está tocando em mim também. — a voz saiu baixa, porém implacável. — Liam é o ponto mais sensível que tenho.

Frederico manteve o queixo erguido, orgulhoso apesar da tensão.

— Eu o treinei desde cedo. Ensinei tudo o que sabia sobre guerra, estratégia, liderança e sobrevivência.

Um quase sorriso surgiu, breve e frio.

— Treinei tão bem… que ele se tornou melhor do que eu.

A chuva continuou batendo nos vidros. Dentro do escritório, nenhum deles dizia em voz alta, mas todos sabiam: já não estavam lutando apenas pela liberdade de Liam. Lutavam para impedir que décadas de segredos enterrassem toda a família.

Horas mais tarde, o carro atravessou o acostamento, rompeu a proteção metálica e despencou por um barranco coberto de árvores.

Olívia gritava. Meredith berrava no bebê-conforto.

O impacto final sacudiu toda a estrutura do carro e lançou Olívia para frente, mesmo presa pelo cinto no banco traseiro. Sua cabeça bateu de lado no encosto e tudo girou.

Na frente, o motorista colidiu violentamente contra o volante e tombou imóvel.

Meredith chorava em desespero.

Olívia abriu os olhos zonza, sentindo sangue quente escorrer da testa até a boca. O gosto metálico a fez engasgar.

O carro estava inclinado entre troncos partidos, soltando fumaça pelo capô amassado.

Então ela ouviu um estalo. Depois outro. Cheiro de gasolina. Pânico puro.

— Não… não… moço? — a voz saiu trêmula. — Moço… me responde… por favor…

Nenhuma reação.

Ela encarou o homem curvado sobre o volante.

Olívia se encolheu imediatamente sobre a filha, cobrindo-a com o próprio corpo. O carro virou uma bola de fogo entre as árvores.

Ela chorava sem som. Tremendo inteira. A fumaça saía de sua boca junto com a respiração descontrolada. A chuva fina caía sobre seus cabelos ensanguentados.

— Calma, meu amor… nós estamos vivas… — sussurrou aos prantos. — Você precisa se acalmar… se não, vão nos ouvir…

Levantou-se com esforço, mancando, e caminhou mais para dentro da mata. O frio mordia a pele ferida.

Parou junto a uma árvore larga, cujos galhos protegiam um pouco da chuva.

Sentou-se no chão úmido, abraçando Meredith. A menina seguia chorando.

— Filha… será que tem algum lugarzinho machucado? — perguntou em desespero, examinando-a. — Eu preciso pedir ajuda… por favor, aguenta só um pouquinho… eu não estou suportando ver seu sofrimento.

Beijou a testa da bebê repetidas vezes.

— É tudo culpa minha…

Olívia abriu a mochila com as mãos trêmulas e puxou o celular. Digitou um número.

Chamou.

Ninguém atendeu.

— Por favor… me atende…

Ligou novamente.

Nada.

Em Nova York, na cobertura de André, o quarto permanecia escuro e silencioso. Ao lado dele, Amanda se mexeu sonolenta entre os lençois.

— André… não vai atender?

André, de olhos fechados, puxou o travesseiro.

— Deve ser operadora querendo vender plano. Vamos dormir.

O telefone tocou pela terceira vez. Amanda se inclinou por cima dele, pegando o aparelho no criado-mudo.

— Essa hora ninguém vende plano. Atende. É um número desconhecido.

André bufou, pegando o celular ainda deitado. Atendeu sem paciência.

— Fala.

Do outro lado, entre choro, vento e respiração quebrada, veio a voz que o fez sentar na cama na mesma hora.

— André… pelo amor de Deus… eu preciso de ajuda.

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