Laura apontou para a bandeja intacta sobre a mesa.
— Você quase não está comendo, não sai daqui, não fala com ninguém…
A respiração dela começou a acelerar.
— Faz uma semana, Liam! Uma semana!
Ele virou o rosto devagar para o outro lado. Como se nem tivesse forças para discutir. Aquilo irritou Laura ainda mais.
— Eu entendo que você precisa viver o luto! — a voz falhou no meio da frase, mas ela continuou. — Eu entendo que está sofrendo… mas eu não vou aceitar perder mais uma pessoa da minha família!
Liam fechou os olhos. O maxilar travou discretamente. Laura sentiu as lágrimas queimarem seus olhos imediatamente.
— Você acha que é o único destruído nessa casa? — perguntou mais baixo agora. — Está todo mundo desmoronando junto com você.
A mão dela pousou no próprio ventre instintivamente.
— O pai da Olívia quase infartou… nosso pai não dorme direito… a Vânia vive chorando escondida pela casa… a vovó Olga está acabada… o vovô Frederico está assustadoramente calado… e a Ísis está se corroendo de culpa.
A voz embargou.
— Já basta eu ter que conviver pro resto da vida com o fato de que fui brigar com a minha cunhada em vez de abraçar ela. — os olhos encheram de lágrimas. — Agora não dá pra perder você também, Liam.
O silêncio caiu pesado entre eles. Liam respirou fundo uma única vez. Dolorosamente.
— Não consigo. — confessou baixo, sem encará-la. — Não consigo existir sem elas.
Laura fechou os olhos por um segundo ao ouvir aquilo. Então aproximou-se mais da cama.
— Consegue sim. — respondeu firme, apesar das lágrimas. — E vai conseguir porque eu não vou deixar você se afundar.
Ela puxou o braço dele.
— Levanta. Anda.
Liam soltou o ar cansado.
— Laura…
— Levanta! — insistiu nervosa.
Na tentativa de puxá-lo com mais força, ela fez um movimento brusco. E parou imediatamente. O rosto mudou na mesma hora.
— Ai…
Liam franziu a testa discretamente. Laura olhou para baixo. E arregalou os olhos. Um líquido escorria lentamente por suas pernas.
— Meu Deus… — murmurou em choque. — Eu fiquei tão nervosa que fiz xixi nas calças…
Mesmo destruído, Liam virou o rosto rapidamente para ela. Os olhos dele focaram no chão. Depois a barriga enorme da irmã. E algo parecido com lucidez atravessou sua expressão pela primeira vez em dias.
— Laura… — falou num tom diferente agora. Mais alerta. — Isso não é xixi.
Ela riu nervosa imediatamente.
— Claro que é! Olha a vergonha que você me faz passar—
— Laura. — interrompeu firme.
Ela se calou. Liam apoiou uma das mãos na cama e sentou devagar, apesar da própria fraqueza. Os olhos fixos nela.
— Sua bolsa estourou.
O silêncio pareceu congelar o quarto inteiro. Laura ficou imóvel. Piscou uma vez. Depois outra.
— O quê…?
O choque pareceu arrancar Liam à força do fundo da própria dor. No instante em que viu que a bolsa da irmã havia estourado, algo mudou dentro dele. Como se, por alguns segundos, o luto tivesse sido empurrado brutalmente para o canto apenas para o instinto de proteção sobreviver.
Ele levantou da cama rápido demais. Laura arregalou os olhos ao vê-lo praticamente esquecer o próprio estado.
— Você já está com contração? — perguntou imediatamente, aproximando-se dela. A voz ainda rouca… mas agora alerta.
Laura respirou fundo, ainda incrédula com tudo acontecendo tão rápido.
— Não… ainda não. — respondeu tentando manter a calma.
Liam segurou o braço dela com firmeza cuidadosa e a fez sentar na cama.
— Fica aqui. — pediu num tom que não aceitava discussão. — Vou tomar um banho rápido e te levar pro hospital.
Laura observou o irmão entrar no banheiro. E, pela primeira vez em dias… viu Liam agir. Mesmo destruído. Mesmo quebrado. Ele ainda estava ali.
— Loirinha, vou sair do hospital agora e ir pro meu consultório. Posso te ligar de lá? Estou atrasado. — avisou enquanto caminhava apressado pelos corredores do hospital, já pegando a chave do carro.
Laura respirou fundo. A mão pousou automaticamente sobre o ventre enorme antes que ela falasse.
— A bolsa estourou… — contou baixinho, os olhos arregalados enquanto olhava o líquido espalhado pelo chão.
Silêncio.
Completo.
Edgar simplesmente parou no meio do corredor.
— O QUÊ?! — a voz saiu alta demais, fazendo até uma enfermeira que passava virar o rosto assustada.
Laura soltou uma risada nervosa imediatamente. Do outro lado, Edgar passou a mão livre pelos cabelos, completamente desnorteado pela emoção.
— O Liam vai me levar. — Laura respondeu de imediato, os olhos enchendo de emoção ao olhar na direção do banheiro.
O silêncio caiu por um segundo. Edgar respirou fundo lentamente. Sabia o que aquilo significava.
— Tá bom. — respondeu mais baixo. — Então estou esperando vocês. Te amo!
Laura desligou a ligação sorrindo emocionada. Depois caminhou devagar até o quarto que ainda era dela naquela mansão. Minutos depois, terminou de retocar a maquiagem diante do espelho. Os olhos marejaram quase imediatamente. A mão subiu até a barriga.
— Cunhadinha… — sussurrou olhando o próprio reflexo. — Queria tanto que você e minha princesinha estivessem aqui…
A voz falhou.
— Nós fizemos tantos planos…
Engoliu seco.
— Mas quero acreditar que vocês estão aí do céu torcendo por mim… pra eu ter um bom parto.
A porta se abriu devagar atrás dela. Laura virou o rosto imediatamente. Liam entrou já vestido, com a barba feita e os cabelos ainda úmidos do banho. Apesar da aparência destruída… parecia mais presente. Mais desperto. Os olhos correram imediatamente até ela.
— Você está bem? — perguntou aproximando-se rápido. — Começaram as contrações?
Laura sorriu pequeno e caminhou até ele.
— Relaxa. Está tudo bem.
Parou na frente do irmão. E segurou o rosto dele entre as mãos. Os olhos dela se encheram de lágrimas imediatamente.
— Muito obrigada… — sussurrou acariciando o rosto dele devagar. — Por estar cumprindo sua promessa de ir comigo pro hospital e assistir ao parto.
Liam abaixou os olhos por um segundo. A dor atravessou seu rosto rapidamente. Laura apertou o maxilar tentando não chorar.
— Eu sei o quanto isso está sendo difícil pra você…
A voz dela falhou.
— E isso só faz eu te amar mais ainda e continuar te admirando, Liam.
O silêncio caiu entre os dois. Então Liam segurou as mãos dela contra o próprio rosto.
— Você continua sendo minha princesa. — respondeu baixo, com a voz rouca. — E eu continuo te protegendo… estando com você… te ajudando em tudo.
Os olhos dele marejaram discretamente.
Mas ele respirou fundo. E estendeu a mão pra ela.
— Vamos?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
559 parou ja ter 3 semanas como podem....
Cadê o comprometimento com o leitor? Oque custa posta td livro?...
Falta de comprometimento com o leitor...
Acabou o livro? Mais de uma semana sem capítulos novos . . . ....
pelo que entendi estao postando de 20 dias a mais, quando vamos ler os novos capítulos nem se lembra mais o que estava nos capítulos anteriores, é preciso voltar p se atualizar. por favor poderiam postar tudo logo, já está ficando chato....
Até que enfim depois de 3 semanas divulgaram novos capítulos...
Mais capítulos já tem 3 semanas que li o cap 551. O romance é bom, mas ficar aguardando liberar capítulos é muito ruim....
Ivanete de fatima cerqueira de miranda...
Capitulo 552 ansiosa pra ler......
Fica difícil acompanhar a história pq demora muito para desbloquear os capítulos, está parado no 534 a muitos dias....