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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 493

O silêncio ficou sufocante. Alberto apertou o maxilar. Liam continuou.

— E dessa vez… não adianta tentar me colocar numa cadeia de novo. — Endireitou lentamente a postura. — Porque quem vai terminar preso é você.

Os olhos dele estavam completamente frios agora. Mortos.

— Eu vou destruir tudo o que você construiu.

Alberto respirou fundo tentando sustentar a própria postura diante dele. Mas Liam já não parecia humano naquele momento. Parecia alguém movido apenas pela dor. E pelo ódio.

A mão dele fechou lentamente em punho dentro do bolso do sobretudo. Então Liam se afastou devagar da mesa.

— Você queria um Liam emocional. — murmurou friamente enquanto caminhava até a porta. — O Liam apaixonado… revoltado com a suposta traição da esposa.

Um sorriso sem humor algum surgiu no canto da boca dele.

— Queria me ver destruindo meu casamento igual aconteceu com o meu pai. Queria a mesma história se repetindo.

A voz ficou ainda mais baixa. Mais perigosa.

— Mas alguém destruiu seus planos matando minha esposa e minha filha.

Parou antes de abrir a porta. Virou apenas parcialmente o rosto na direção do tio. E os olhos verdes estavam completamente congelados. Sem vida.

— Esse homem morreu junto com elas.

Os dedos apertaram a maçaneta lentamente.

— E agora… eu não tenho mais nada a perder.

Então abriu a porta. E saiu sem olhar para trás.

Do outro lado do oceano… A manhã no Brasil estava silenciosa. Olívia permanecia sentada à mesa da sala de jantar da mansão enquanto Meredith ocupava a cadeirinha de alimentação na frente dela.

A bebê batia a colherzinha na bandeja toda animada, espalhando um pouco de mamão amassado enquanto sorria daquele jeito luminoso que lembrava Liam até demais.

A enfermeira gravava discretamente a cena pelo celular. Olívia segurava outra colher pequena enquanto tentava alimentar a filha.

E por alguns segundos… Parecia apenas uma mãe vivendo um momento comum com a filha. Mas os olhos entregavam tudo.

— Olha, mozão… — murmurou baixinho olhando pra câmera do celular. — Olha como ela gosta de mamão. Até nisso, ela parece com você.

Um sorriso pequeno apareceu no canto dos lábios dela ao ver Meredith abrir a boca querendo mais.

— Isso aqui foi um santo remédio pra ela. A fórmula estava prendendo muito o intestino.

Passou delicadamente o dedo no cantinho da boca da filha.

— Estou seguindo direitinho tudo o que a pediatra orientou.

Meredith bateu a colherzinha outra vez na bandeja, completamente satisfeita consigo mesma. Olívia soltou uma risadinha baixa. Os olhos marejaram no mesmo instante.

— Olha como ela está uma bolotinha… — A voz falhou discretamente. — Fala com o papai, filha…

Meredith abriu um sorriso enorme imediatamente, balançando os pezinhos na cadeira enquanto continuava batendo a colher.

Olívia ficou observando a filha por alguns segundos em silêncio. Então a saudade atravessou ela inteira outra vez.

Violenta.

Sufocante.

A mão acariciou delicadamente os cabelinhos da menina.

— Você está cada dia mais parecida com o seu pai…

A garganta dela travou. O sorriso desapareceu aos poucos.

— E isso faz eu sentir ainda mais saudade dele. — Os olhos começaram a encher de lágrimas imediatamente. — Às vezes parece que eu estou vendo o Liam na minha frente…

A enfermeira abaixou lentamente o celular ao perceber que ela começava a chorar. Olívia virou minimamente o rosto tentando se controlar. Mas não conseguiu. As lágrimas começaram a cair silenciosas.

Ela limpou delicadamente a boquinha de Meredith antes de pegá-la no colo por alguns segundos e beijar demoradamente os cabelos da filha. A enfermeira aproximou-se devagar e entregou o celular pra ela.

— Não chora, Olívia… — pediu baixinho, acariciando o braço dela com cuidado. — Daqui a pouco vocês vão poder se ver de novo.

Olívia abaixou os olhos sem conseguir responder. A enfermeira continuou com carinho.

— Você precisa comer direito. Precisa recuperar o peso que perdeu. — O olhar dela suavizou. — Seu Mozão não vai gostar de te ver abatida desse jeito.

Olívia respirou fundo tentando se controlar. A enfermeira então sorriu pequeno pra Meredith.

— Vou preparar o banho dessa princesa enquanto você toma café.

Pegou algumas coisas sobre a mesa e caminhou na direção do corredor. Antes de sair, ainda olhou uma última vez pra Olívia.

— Tenta pensar positivo.

O silêncio caiu no ambiente. Olívia olhou demoradamente pra Meredith brincando com a colherzinha no colo dela. Então aproximou o rosto da filha. E murmurou baixinho.

— Filha…

A mão acariciou delicadamente a bochecha da menina.

— E homens movidos por vingança são capazes de qualquer coisa.

Liam apoiou lentamente a cabeça no banco. A voz saiu baixa. Fria.

— Eu não tenho mais seis anos, Alex. — Os dedos apertaram discretamente o celular. — Não preciso de babá. — A mandíbula travou forte. — E todos eles vão pagar.

A voz continuava assustadoramente calma. Sem raiva aparente. Sem descontrole. O que tornava tudo pior.

— Cada pessoa que destruiu a minha vida… vai pagar.

Ligação encerrada.

Olívia colocou Meredith dentro do cercadinho cheio de brinquedos na sala e ficou observando a filha por alguns segundos.

A bebê brincava distraída, completamente entretida com os bloquinhos coloridos espalhados no tapete. Mas Olívia não conseguia mais se concentrar em nada.

O peito apertava desde cedo. Uma saudade sufocante. Ela caminhou lentamente até a varanda da sala. O vento vindo do mar movimentou imediatamente os cabelos dela enquanto os olhos permaneciam perdidos na imensidão azul à frente. Silenciosa. Pensativa.

Os braços se cruzaram ao redor do próprio corpo numa tentativa inútil de se conter. Então começou a andar devagar de um lado para o outro. Inquieta.

Olhou novamente para Meredith brincando no cercadinho. E o peito apertou ainda mais. Porque Liam deveria estar ali vendo aquilo. Deveria estar ouvindo as risadinhas da filha. Deveria estar vivendo aquela fase junto delas.

Olívia voltou o olhar para o mar e respirou fundo tentando controlar as lágrimas. Não conseguiu. A mão tremia discretamente enquanto segurava o celular.

Os dedos deslizaram pela tela. Tocou no aplicativo. A garganta travou imediatamente. Ela fechou os olhos por um segundo. Depois levou o aparelho lentamente até o ouvido enquanto permanecia olhando fixamente para o mar.

O telefone chamou.

Uma vez.

Duas.

Então a voz dele surgiu do outro lado da linha.

— Alô?

Olívia levou imediatamente a outra mão até a boca. Os olhos brilharam cheios de lágrimas no mesmo instante. E um sorriso pequeno… Apareceu nos lábios dela só por ouvir aquela voz.

Do outro lado da linha, Liam permaneceu em silêncio por alguns segundos.

— Alô? — repetiu.

A voz grave veio baixa. Controlada. Fria. Sem demonstrar absolutamente nada.

— Quem está falando?

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