O silêncio ficou sufocante. Alberto apertou o maxilar. Liam continuou.
— E dessa vez… não adianta tentar me colocar numa cadeia de novo. — Endireitou lentamente a postura. — Porque quem vai terminar preso é você.
Os olhos dele estavam completamente frios agora. Mortos.
— Eu vou destruir tudo o que você construiu.
Alberto respirou fundo tentando sustentar a própria postura diante dele. Mas Liam já não parecia humano naquele momento. Parecia alguém movido apenas pela dor. E pelo ódio.
A mão dele fechou lentamente em punho dentro do bolso do sobretudo. Então Liam se afastou devagar da mesa.
— Você queria um Liam emocional. — murmurou friamente enquanto caminhava até a porta. — O Liam apaixonado… revoltado com a suposta traição da esposa.
Um sorriso sem humor algum surgiu no canto da boca dele.
— Queria me ver destruindo meu casamento igual aconteceu com o meu pai. Queria a mesma história se repetindo.
A voz ficou ainda mais baixa. Mais perigosa.
— Mas alguém destruiu seus planos matando minha esposa e minha filha.
Parou antes de abrir a porta. Virou apenas parcialmente o rosto na direção do tio. E os olhos verdes estavam completamente congelados. Sem vida.
— Esse homem morreu junto com elas.
Os dedos apertaram a maçaneta lentamente.
— E agora… eu não tenho mais nada a perder.
Então abriu a porta. E saiu sem olhar para trás.
Do outro lado do oceano… A manhã no Brasil estava silenciosa. Olívia permanecia sentada à mesa da sala de jantar da mansão enquanto Meredith ocupava a cadeirinha de alimentação na frente dela.
A bebê batia a colherzinha na bandeja toda animada, espalhando um pouco de mamão amassado enquanto sorria daquele jeito luminoso que lembrava Liam até demais.
A enfermeira gravava discretamente a cena pelo celular. Olívia segurava outra colher pequena enquanto tentava alimentar a filha.
E por alguns segundos… Parecia apenas uma mãe vivendo um momento comum com a filha. Mas os olhos entregavam tudo.
— Olha, mozão… — murmurou baixinho olhando pra câmera do celular. — Olha como ela gosta de mamão. Até nisso, ela parece com você.
Um sorriso pequeno apareceu no canto dos lábios dela ao ver Meredith abrir a boca querendo mais.
— Isso aqui foi um santo remédio pra ela. A fórmula estava prendendo muito o intestino.
Passou delicadamente o dedo no cantinho da boca da filha.
— Estou seguindo direitinho tudo o que a pediatra orientou.
Meredith bateu a colherzinha outra vez na bandeja, completamente satisfeita consigo mesma. Olívia soltou uma risadinha baixa. Os olhos marejaram no mesmo instante.
— Olha como ela está uma bolotinha… — A voz falhou discretamente. — Fala com o papai, filha…
Meredith abriu um sorriso enorme imediatamente, balançando os pezinhos na cadeira enquanto continuava batendo a colher.
Olívia ficou observando a filha por alguns segundos em silêncio. Então a saudade atravessou ela inteira outra vez.
Violenta.
Sufocante.
A mão acariciou delicadamente os cabelinhos da menina.
— Você está cada dia mais parecida com o seu pai…
A garganta dela travou. O sorriso desapareceu aos poucos.
— E isso faz eu sentir ainda mais saudade dele. — Os olhos começaram a encher de lágrimas imediatamente. — Às vezes parece que eu estou vendo o Liam na minha frente…
A enfermeira abaixou lentamente o celular ao perceber que ela começava a chorar. Olívia virou minimamente o rosto tentando se controlar. Mas não conseguiu. As lágrimas começaram a cair silenciosas.
Ela limpou delicadamente a boquinha de Meredith antes de pegá-la no colo por alguns segundos e beijar demoradamente os cabelos da filha. A enfermeira aproximou-se devagar e entregou o celular pra ela.
— Não chora, Olívia… — pediu baixinho, acariciando o braço dela com cuidado. — Daqui a pouco vocês vão poder se ver de novo.
Olívia abaixou os olhos sem conseguir responder. A enfermeira continuou com carinho.
— Você precisa comer direito. Precisa recuperar o peso que perdeu. — O olhar dela suavizou. — Seu Mozão não vai gostar de te ver abatida desse jeito.
Olívia respirou fundo tentando se controlar. A enfermeira então sorriu pequeno pra Meredith.
— Vou preparar o banho dessa princesa enquanto você toma café.
Pegou algumas coisas sobre a mesa e caminhou na direção do corredor. Antes de sair, ainda olhou uma última vez pra Olívia.
— Tenta pensar positivo.
O silêncio caiu no ambiente. Olívia olhou demoradamente pra Meredith brincando com a colherzinha no colo dela. Então aproximou o rosto da filha. E murmurou baixinho.
— Filha…
A mão acariciou delicadamente a bochecha da menina.
— E homens movidos por vingança são capazes de qualquer coisa.
Liam apoiou lentamente a cabeça no banco. A voz saiu baixa. Fria.
— Eu não tenho mais seis anos, Alex. — Os dedos apertaram discretamente o celular. — Não preciso de babá. — A mandíbula travou forte. — E todos eles vão pagar.
A voz continuava assustadoramente calma. Sem raiva aparente. Sem descontrole. O que tornava tudo pior.
— Cada pessoa que destruiu a minha vida… vai pagar.
Ligação encerrada.
Olívia colocou Meredith dentro do cercadinho cheio de brinquedos na sala e ficou observando a filha por alguns segundos.
A bebê brincava distraída, completamente entretida com os bloquinhos coloridos espalhados no tapete. Mas Olívia não conseguia mais se concentrar em nada.
O peito apertava desde cedo. Uma saudade sufocante. Ela caminhou lentamente até a varanda da sala. O vento vindo do mar movimentou imediatamente os cabelos dela enquanto os olhos permaneciam perdidos na imensidão azul à frente. Silenciosa. Pensativa.
Os braços se cruzaram ao redor do próprio corpo numa tentativa inútil de se conter. Então começou a andar devagar de um lado para o outro. Inquieta.
Olhou novamente para Meredith brincando no cercadinho. E o peito apertou ainda mais. Porque Liam deveria estar ali vendo aquilo. Deveria estar ouvindo as risadinhas da filha. Deveria estar vivendo aquela fase junto delas.
Olívia voltou o olhar para o mar e respirou fundo tentando controlar as lágrimas. Não conseguiu. A mão tremia discretamente enquanto segurava o celular.
Os dedos deslizaram pela tela. Tocou no aplicativo. A garganta travou imediatamente. Ela fechou os olhos por um segundo. Depois levou o aparelho lentamente até o ouvido enquanto permanecia olhando fixamente para o mar.
O telefone chamou.
Uma vez.
Duas.
Então a voz dele surgiu do outro lado da linha.
— Alô?
Olívia levou imediatamente a outra mão até a boca. Os olhos brilharam cheios de lágrimas no mesmo instante. E um sorriso pequeno… Apareceu nos lábios dela só por ouvir aquela voz.
Do outro lado da linha, Liam permaneceu em silêncio por alguns segundos.
— Alô? — repetiu.
A voz grave veio baixa. Controlada. Fria. Sem demonstrar absolutamente nada.
— Quem está falando?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
559 parou ja ter 3 semanas como podem....
Cadê o comprometimento com o leitor? Oque custa posta td livro?...
Falta de comprometimento com o leitor...
Acabou o livro? Mais de uma semana sem capítulos novos . . . ....
pelo que entendi estao postando de 20 dias a mais, quando vamos ler os novos capítulos nem se lembra mais o que estava nos capítulos anteriores, é preciso voltar p se atualizar. por favor poderiam postar tudo logo, já está ficando chato....
Até que enfim depois de 3 semanas divulgaram novos capítulos...
Mais capítulos já tem 3 semanas que li o cap 551. O romance é bom, mas ficar aguardando liberar capítulos é muito ruim....
Ivanete de fatima cerqueira de miranda...
Capitulo 552 ansiosa pra ler......
Fica difícil acompanhar a história pq demora muito para desbloquear os capítulos, está parado no 534 a muitos dias....