Olívia engoliu desesperadamente a vontade de responder. O peito chegava a doer. As lágrimas começaram a escorrer silenciosas.
Liam permaneceu em silêncio por alguns segundos. Então falou outra vez. Mais baixo. Mais atento.
— Alô…
Olívia levou lentamente a mão até a própria aliança. Os dedos acariciaram o metal automaticamente.
Do outro lado da linha, algo pareceu atravessar Liam de repente. Uma sensação estranha. Familiar. Inexplicável.
Os olhos dele desviaram automaticamente para a janela do carro. A mandíbula travou discretamente. Então afrouxou minimamente o nó da gravata.
— Acelera. — pediu ao motorista sem desviar os olhos da rua.
A voz saiu baixa. Controlada. Fria. Mas o motorista o conhecia há anos. E percebeu que alguma coisa estava diferente.
O veículo ganhou velocidade imediatamente. Liam voltou o telefone ao ouvido. O olhar endureceu outra vez. Como se estivesse tentando recuperar o controle de si mesmo.
— Alô... — murmurou mais sério agora. — Eu vou desligar.
Olívia levou a mão até o coração tentando conter o próprio choro. Então Liam ficou em silêncio. Completamente. Os olhos dele endureceram minimamente. Como se estivesse tentando ouvir alguma coisa.
E foi então que ele percebeu. O som do mar. Baixo. Distante. Do outro lado da ligação. O coração dele disparou violentamente. Os dedos apertaram o celular imediatamente. A respiração falhou.
E pela primeira vez em semanas… Aquela camada fria e implacável pareceu rachar.
— Mozão…? — a voz saiu rouca. Falhada. — É você?
Olívia fechou os olhos no mesmo instante. As lágrimas escorreram ainda mais fortes. Liam apertou o celular contra o ouvido como se tivesse medo daquela ligação desaparecer. A respiração dele já não estava controlada.
— Eu sinto tanto a sua falta… da nossa filha…
A voz falhou completamente dessa vez. E aquilo destruiu Olívia. Ela começou a chorar em silêncio enquanto apertava a própria boca tentando não responder.
Porque se falasse… Não conseguiria parar. Então desligou. O silêncio dentro do carro se tornou brutal. Liam permaneceu imóvel olhando para o celular apagado na própria mão.
O maxilar travou forte. Os olhos estavam completamente perdidos agora. O motorista observou discretamente pelo retrovisor. O olhar dizia tudo: Chefe… sua esposa morreu.
Mas Liam não conseguia respirar direito. Porque aquela sensação… Aquela sensação outra vez. Como se Olívia estivesse viva em algum lugar. Como se ele tivesse ouvido a alma dela.
Liam fechou os olhos por um segundo. E imediatamente voltou a vestir aquela armadura fria outra vez. A expressão endureceu. O rosto voltou a ficar ilegível.
Ele guardou lentamente o celular no bolso interno do sobretudo. Então falou baixo.
— Pega o retorno.
O motorista voltou os olhos para frente imediatamente.
— Senhor?
Liam olhava fixamente pela janela agora. Completamente fechado outra vez.
— Volta pra mansão.
Liam entrou no quarto em silêncio. A porta se fechou atrás dele devagar, abafando completamente os sons da mansão. O ambiente permanecia exatamente igual. Arrumado. Frio. Vazio.
Mas nada ali parecia um quarto desde que Olívia e Meredith “morreram”. Parecia um mausoléu.
Os passos dele seguiram lentos pelo ambiente até a mesa próxima à janela. As duas urnas permaneciam ali. O maxilar travou imediatamente.
Liam ficou alguns segundos apenas olhando para elas sem conseguir respirar direito. Os olhos estavam vermelhos de cansaço, mas a expressão continuava dura. Fria. Como se ele estivesse se obrigando a permanecer inteiro à força.
Então a mão dele subiu devagar. Os dedos tocaram primeiro a urna menor. O peito apertou violentamente. Os olhos se fecharam por um instante curto enquanto o polegar acariciava a madeira num gesto automático, quase paterno.
Depois a mão deslizou até a outra urna. Só de tocar ali… Aquela inquietação voltou. Violenta. Sufocante.
Liam respirou fundo tentando recuperar o controle, mas a voz saiu rouca mesmo assim.
— Mozão… eu estou ficando maluco.
Os dedos apertaram discretamente a urna dela. A cabeça abaixou minimamente.
— E isso não pode acontecer.
A respiração começou a pesar outra vez. Ele passou a mão livre pelo rosto tentando organizar os próprios pensamentos, mas era impossível. Porque nada fazia sentido.
Olívia estava “morta”. Ele sabia disso. Precisava aceitar isso. Mas aquela sensação não passava nunca. Como se alguma parte dela ainda estivesse ligada à dele. Como se o corpo dela tivesse ido embora… Mas ela não.
Liam soltou o ar devagar, quase irritado consigo mesmo.
— Eu não posso ficar vulnerável de novo.
A voz endureceu um pouco. Mais fria. Mais controlada. Como se estivesse tentando vestir novamente aquela armadura que usava antes de Olívia entrar na vida dele.
— Eu vou descobrir quem fez isso com vocês.
Os olhos ficaram mais escuros naquele instante. Perigosos.
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Postem os novos capítulos, já faz duas semanas que não postam nada , ou será que o livro vai ficar incompleto...
por favor postem os outros capítulos, já tem alguns dias e não postam nada...
Volta a liberar 3 por dia...
Nao postam mais como antes 3 por dia ai comprar nao da....
E vai postar o restante quando, não tem capítulo diário, não tem semanal, será agora mensal. Afff viu...
514 libera mais.........
Podia liberar td livro....
Eu fiquei 15 dias pensei noss vai ter um mont2 de páginas pea mim devorar tinha somente 5 páginas. Desumano com quem tem ansiedade kkkkk...
Ansiosa pelo capítulo 530 , será que vai ser postado hoje , pq semana passada foi postado no domingo...
Super ansiosa estou no capitulo 512. So ue estão demorando muito pra soltar novos...