A voz falhou completamente dessa vez. Liam desviou os olhos imediatamente. Como se odiasse mostrar vulnerabilidade.
— O que eu vivi com a Olívia… — A respiração saiu pesada. — …foi intenso demais. — Os dedos passaram lentamente pela barba curta num gesto inquieto. — Ela me mudou.
O olhar endureceu minimamente. Mas a dor continuava ali. Viva.
— E agora parece que arrancaram metade de mim.
Fabrício sentiu os próprios olhos queimarem. Mas se obrigou a permanecer firme. Porque naquele momento Liam precisava de alguém inteiro. Não de mais alguém desmoronando. Então a voz saiu calma. Firme. Carregada de verdade.
— Escuta uma coisa, meu filho.
Liam ergueu os olhos lentamente. Fabrício sustentou o olhar dele.
— O amor da minha filha por você foi a coisa mais verdadeira que eu já vi.
O maxilar de Liam travou imediatamente. Fabrício continuou.
— E justamente por ter sido tão verdadeiro… essa dor nunca vai desaparecer completamente. — A mão dele apertou de leve o próprio peito. — Você não vai esquecer a Olívia. Nem deve. — A voz suavizou ainda mais. — Mas precisa tomar cuidado para não transformar o amor que vocês viveram em destruição.
Liam permaneceu imóvel. Respirando pesado. Fabrício continuou olhando diretamente pra ele.
— Não deixa a dor endurecer você ao ponto de matar o homem que ela amava.
Aquilo atingiu Liam violentamente. Os olhos dele baixaram imediatamente. A garganta travou forte. Porque era exatamente aquilo que estava acontecendo. Ele estava voltando a ser o homem frio de antes. Pior. Depois de alguns segundos em silêncio, Liam voltou a falar.
— Ontem… indo pra empresa… eu recebi uma ligação.
A expressão dele mudou na mesma hora. Confusão. Dor. Saudade. Tudo misturado.
— E eu me desconheci completamente. — A voz saiu baixa. — Porque alguma coisa dentro de mim dizia que era ela.
Fabrício sentiu o próprio coração apertar tão forte que precisou controlar a respiração. Liam passou a mão pela nuca devagar. Inquieto.
— Ela não falou nada. — Os olhos ficaram distantes outra vez. — Mas eu ouvi o mar ao fundo.
Uma lágrima finalmente escorreu silenciosa pelo rosto dele. E Liam nem percebeu.
— O mar tinha significado pra nós. — A voz falhou, e por um segundo os olhos fecharam com força. — …eu senti ela viva.
O silêncio ficou sufocante. Então Liam abriu os olhos outra vez. E a frieza voltou lentamente pro rosto dele. Como uma defesa. Como sobrevivência.
— Mas elas estão mortas. — A mandíbula travou. — Então eu precisei deixar elas irem.
Respirou fundo. Longamente.
— Porque se eu continuar alimentando isso… eu vou enlouquecer. — Os olhos escureceram perigosamente. — E eu preciso descobrir quem destruiu minha família.
Fabrício percebeu imediatamente o ódio atravessando ele. Então falou firme.
— Justiça, Liam. — A voz saiu mais forte agora, mais séria. — Não vingança.
Liam sustentou o olhar dele em silêncio. Fabrício continuou.
— Porque vingança destrói quem sente antes mesmo de atingir quem merece. — A garganta dele travou discretamente. — E a Olívia nunca iria querer ver você consumido pelo ódio.
Aquilo atingiu Liam como um soco. Os olhos fecharam por um segundo curto. Então ele respirou fundo antes de perguntar baixo.
— E o senhor?
Fabrício franziu levemente a testa. Liam sustentava o olhar dele agora. Mais humano.
— Fiquei sabendo que passou mal no dia da cremação. — A voz suavizou minimamente. — E desmaiou.
Aquilo atravessou Fabrício violentamente. Porque lembrar daquele dia era lembrar da filha chorando desesperada pedindo ajuda. Ele desviou minimamente os olhos tentando recuperar o controle. Depois respondeu baixo.
— O coração não aguentou. — A voz falhou discretamente, porque aquilo era verdade. — Enterrar uma filha e uma neta… — A garganta travou. — …não é natural.
Um mês havia se passado.
Naquela noite fria, o restaurante sofisticado de Manhattan permanecia mergulhado numa iluminação baixa e elegante, enquanto Nova York brilhava do lado de fora através das enormes paredes de vidro.
Mas Liam parecia completamente inacessível naquela noite.
Estava sentado sozinho numa mesa mais reservada aguardando um empresário ligado à expansão naval da Trident. O terno escuro impecável reforçava ainda mais a postura rígida e controlada que voltava a assustar até pessoas próximas.
O tablet permanecia aberto à sua frente. O whisky intacto ao lado do celular. Nos últimos dias, Nova York inteira começava a perceber o que estava acontecendo.
Liam Holt havia voltado a ser o homem frio e implacável de antes. Só que pior agora. Porque daquela vez… já não parecia existir absolutamente nada dentro dele que ainda pudesse ser destruído. Então uma voz feminina surgiu próxima da mesa.
— Antes que você pense qualquer coisa… eu não estou te seguindo.
Bárbara estava parada ali. Elegante. Mas claramente nervosa. Os dedos apertavam discretamente a própria bolsa.
Liam não demonstrou reação alguma. Nem surpresa. Nem irritação. Nada. Aquilo mexeu ainda mais com Bárbara. Porque aquele homem que um dia despertava nela tudo, agora parecia emocionalmente morto.
Liam continuava olhando pra ela sem emoção alguma. Aquilo começou a destruir Bárbara por dentro. Porque era como conversar com uma parede gelada.
Ela respirou fundo antes de continuar.
— Só que depois ele me descartou. — Os dedos apertaram discretamente a taça. — Me humilhou. — A voz começou a falhar minimamente. — E a pouco tempo… falou sobre a minha mãe… sobre o meu pai… tentando me colocar contra a minha tia. Contra você.
Liam finalmente moveu minimamente os olhos. Bárbara percebeu imediatamente.
— Minha cabeça está confusa. — Os olhos baixaram rapidamente. — Porque eu sei que a minha tia nunca mentiria pra mim… — A garganta travou. — Mas ao mesmo tempo eu me afastei dela.
O silêncio voltou.
Pesado.
Então Bárbara ergueu lentamente os olhos para ele. Mais vulnerável agora.
— Liam… você sabe alguma coisa da minha mãe?
Os olhos verdes encontraram os dela sem qualquer emoção.
— Pergunte à sua tia, Bárbara.
A resposta seca fez Bárbara fechar os olhos por um segundo. A dor atravessou o rosto dela imediatamente. Então ela voltou a olhar pra ele. Observando de verdade. E aquilo assustava.
— Você está pior do que antes.
Liam não respondeu. Ela continuou observando ele.
— Eu nunca imaginei que um dia você fosse amar uma mulher tão intensamente ao ponto de mudar por ela.
Bárbara soltou uma risada baixa. Sem humor algum.
— A Olívia conseguiu o que ninguém nunca conseguiu. — Os olhos encontraram os dele outra vez. — Ela fez você deixar de fugir de si mesmo.
O maxilar dele travou minimamente pela primeira vez. Tão rápido que quase passou despercebido. Os olhos verdes permaneceram nela. Frios. Inexpressivos. Então Liam finalmente falou.
— Ela era a única coisa viva dentro de mim.
Os dedos dele apertaram lentamente o copo intacto de whisky.
— E morreu junto com a minha filha.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
559 parou ja ter 3 semanas como podem....
Cadê o comprometimento com o leitor? Oque custa posta td livro?...
Falta de comprometimento com o leitor...
Acabou o livro? Mais de uma semana sem capítulos novos . . . ....
pelo que entendi estao postando de 20 dias a mais, quando vamos ler os novos capítulos nem se lembra mais o que estava nos capítulos anteriores, é preciso voltar p se atualizar. por favor poderiam postar tudo logo, já está ficando chato....
Até que enfim depois de 3 semanas divulgaram novos capítulos...
Mais capítulos já tem 3 semanas que li o cap 551. O romance é bom, mas ficar aguardando liberar capítulos é muito ruim....
Ivanete de fatima cerqueira de miranda...
Capitulo 552 ansiosa pra ler......
Fica difícil acompanhar a história pq demora muito para desbloquear os capítulos, está parado no 534 a muitos dias....