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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 495

Mas Liam já não estava mais ali. Estava preso naquela noite no barco. Na voz dela. Na forma como Olívia tocava o rosto dele enquanto Liam falava das tatuagens.

“Nossas tatuagens se completam… porque são duas metades do mesmo símbolo feitas para se encontrar.”

A respiração dele falhou outra vez. E então veio a frase que acabou de destruí-lo por inteiro:

“Sem a bússola, o mapa é apenas um enigma… sem o mapa, a bússola não tem pra onde apontar.”

Liam fechou os olhos imediatamente. Porque era exatamente assim que ele se sentia agora. Perdido. Sem direção. Sem porto. Sem ela.

O vento bateu mais forte dentro da aeronave. E ele finalmente abriu a pequena urna de Meredith primeiro. Os olhos ardiam violentamente.

— Minha princesa… — a voz saiu falhada. Rouca. — O papai te ama tanto… — A respiração já não estava controlada. — Me perdoa por não ter conseguido proteger vocês…

As lágrimas desciam silenciosas agora. Sem controle algum. Então inclinou lentamente a urna. E as cinzas que achava ser da filha, foram levadas pelo vento sobre aquele mar onde um dia ele acreditou que teria uma família feliz.

O peito dele afundou violentamente. Mas a pior parte ainda vinha. Olívia. Só de tocar na urna dela… As pernas quase falharam. Liam abaixou lentamente a cabeça enquanto os dedos acariciavam a madeira num gesto quase desesperado. E então outra lembrança veio.

“Não havíamos marcado hora. Não havíamos marcado lugar…”

Uma lágrima caiu diretamente sobre a urna.

“E, na infinita possibilidade de tempos… na infinita possibilidade de lugares… os nossos tempos e os nossos lugares coincidiram.”

O corpo dele curvou minimamente pra frente. Destruído. Porque aquilo tinha sido destino. Almas. Encontro. Amor. E agora tudo parecia reduzido àquela urna nas mãos dele.

Liam fechou os olhos com força. E ouviu a própria voz na lembrança:

“Eu te amo… mais do que você pode imaginar. Nunca mais vamos nos separar.”

A respiração falhou completamente. Porque ele tinha prometido. E não conseguiu cumprir. Então ouviu a última frase dela esmagando o resto da força que ainda existia nele.

“Pra sempre eu, você e nosso filho.”

O choro escapou silencioso pela primeira vez. Cruel. Sufocado. A mão dele tremia quando finalmente abriu a urna. O piloto abaixou discretamente os olhos naquele momento. Respeitando a dor dele. Mas então a voz veio pelo fone, baixa e respeitosa:

— O senhor pode liberar agora.

Liam permaneceu imóvel por alguns segundos. Olhando as cinzas dela. Como se ainda não conseguisse aceitar que aquilo era tudo o que restava. Então aproximou lentamente a urna da abertura do helicóptero.

O vento atravessou imediatamente as cinzas que ele achava ser de Olívia. E Liam observou tudo desaparecer sobre o mar onde um dia ela segurou o rosto dele e o ensinou a amar.

Os dedos dele continuaram fechados no vazio por alguns segundos. Como se ainda estivessem tentando segurá-la. Mas não havia mais nada ali.

Só ausência.

Só saudade.

Só silêncio..

Então Liam abaixou lentamente a cabeça. E desabou. Em silêncio. Enquanto o helicóptero seguia sobrevoando o lugar onde havia acontecido um dos momentos mais bonitos da história deles.

A manhã fria deixava Dallas coberta por um céu acinzentado quando Liam entrou na empresa de engenharia de Fabrício. A recepcionista sequer tentou anunciar sua chegada.

A expressão dele já bastava para fazer qualquer pessoa perder a coragem de interrompê-lo. Os passos seguiram firmes até a sala principal.

Quando a porta se abriu, Fabrício ergueu os olhos automaticamente dos projetos espalhados sobre a mesa. E parou. O peito apertou na mesma hora. Porque Liam parecia irreconhecível.

A postura continuava impecável. O sobretudo escuro alinhado ao corpo alto. O olhar firme. Mas havia alguma coisa devastada nele. Fria. Vazia. Como se o luto tivesse arrancado tudo o que existia de humano ali.

Fabrício levantou-se devagar da cadeira. Os olhos marejaram discretamente enquanto observava o genro parado perto da porta.

— Seja bem-vindo, meu filho… — a voz saiu baixa, carregada de emoção contida. — Que bom que você veio.

Liam sustentou o olhar dele por alguns segundos antes de assentir minimamente com a cabeça. A mão deslizou devagar até o bolso do sobretudo. Um gesto automático. Controlado. Mas o maxilar travado entregava o esforço absurdo que era estar ali.

— Eu tentei vir antes. — A voz saiu rouca. Baixa demais. — Tentei falar com o senhor… mas eu não consegui.

Fabrício observou a forma como ele evitava piscar muito. Como se estivesse se obrigando a não desmontar. Então respirou fundo antes de responder.

— Eu sei.

Aproximou-se alguns passos dele lentamente. Sem invadir. Sem pressionar.

— Liguei várias vezes… mas quando vi que você não atendia, resolvi respeitar seu tempo.

— Só que ela se foi… e mesmo assim eu ainda não consigo falar. — A garganta travou. — Porque eu sinto que estaria traindo minha esposa se quebrasse algo que ela me pediu pra guardar.

Fabrício sentiu o peito apertar violentamente. Precisou desviar minimamente o rosto para esconder os próprios olhos marejados. Porque mesmo acreditando que Olívia estava morta… Liam ainda continuava protegendo ela.

O silêncio voltou a esmagar a sala. Fabrício observava cada pequeno gesto dele. Cada rachadura naquela armadura fria. E aquilo estava destruindo ele por dentro. Mentir para Liam parecia cruel demais.

Liam passou a mão lentamente pelo rosto cansado. E então soltou, quase num sussurro.

— Eu acho que estou enlouquecendo.

A frase fez Fabrício prender a respiração discretamente. Liam soltou uma risada baixa. Sem humor algum. Só dor.

— E o pior é que eu sei como isso soa.

Virou parcialmente o rosto na direção do sogro.

Os olhos estavam vermelhos de cansaço.

— Eu vi as urnas. — A mandíbula travou forte. — Mas dentro de mim… alguma coisa diz que ela ainda está viva.

Fabrício sentiu o coração disparar violentamente. Mas permaneceu imóvel. Silencioso. Liam continuou.

— Como se nossas almas ainda estivessem conectadas. — A garganta dele se moveu com dificuldade. — Eu não vi os corpos.

A voz saiu mais baixa agora. Mais quebrada.

— Não vi a cremação. — Os dedos apertaram ainda mais a aliança. — E aquelas urnas estavam no nosso quarto o tempo inteiro.

Ele respirou fundo tentando recuperar o controle. Não conseguiu.

— Estou lutando pra não perder a cabeça, sogro.

Os olhos finalmente encontraram os de Fabrício. E ali… Ali havia um sofrimento tão profundo… Que quase fez Fabrício contar toda a verdade.

— Porque eu amei a sua filha de um jeito que eu nem sabia que era capaz.

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