Mas Liam já não estava mais ali. Estava preso naquela noite no barco. Na voz dela. Na forma como Olívia tocava o rosto dele enquanto Liam falava das tatuagens.
“Nossas tatuagens se completam… porque são duas metades do mesmo símbolo feitas para se encontrar.”
A respiração dele falhou outra vez. E então veio a frase que acabou de destruí-lo por inteiro:
“Sem a bússola, o mapa é apenas um enigma… sem o mapa, a bússola não tem pra onde apontar.”
Liam fechou os olhos imediatamente. Porque era exatamente assim que ele se sentia agora. Perdido. Sem direção. Sem porto. Sem ela.
O vento bateu mais forte dentro da aeronave. E ele finalmente abriu a pequena urna de Meredith primeiro. Os olhos ardiam violentamente.
— Minha princesa… — a voz saiu falhada. Rouca. — O papai te ama tanto… — A respiração já não estava controlada. — Me perdoa por não ter conseguido proteger vocês…
As lágrimas desciam silenciosas agora. Sem controle algum. Então inclinou lentamente a urna. E as cinzas que achava ser da filha, foram levadas pelo vento sobre aquele mar onde um dia ele acreditou que teria uma família feliz.
O peito dele afundou violentamente. Mas a pior parte ainda vinha. Olívia. Só de tocar na urna dela… As pernas quase falharam. Liam abaixou lentamente a cabeça enquanto os dedos acariciavam a madeira num gesto quase desesperado. E então outra lembrança veio.
“Não havíamos marcado hora. Não havíamos marcado lugar…”
Uma lágrima caiu diretamente sobre a urna.
“E, na infinita possibilidade de tempos… na infinita possibilidade de lugares… os nossos tempos e os nossos lugares coincidiram.”
O corpo dele curvou minimamente pra frente. Destruído. Porque aquilo tinha sido destino. Almas. Encontro. Amor. E agora tudo parecia reduzido àquela urna nas mãos dele.
Liam fechou os olhos com força. E ouviu a própria voz na lembrança:
“Eu te amo… mais do que você pode imaginar. Nunca mais vamos nos separar.”
A respiração falhou completamente. Porque ele tinha prometido. E não conseguiu cumprir. Então ouviu a última frase dela esmagando o resto da força que ainda existia nele.
“Pra sempre eu, você e nosso filho.”
O choro escapou silencioso pela primeira vez. Cruel. Sufocado. A mão dele tremia quando finalmente abriu a urna. O piloto abaixou discretamente os olhos naquele momento. Respeitando a dor dele. Mas então a voz veio pelo fone, baixa e respeitosa:
— O senhor pode liberar agora.
Liam permaneceu imóvel por alguns segundos. Olhando as cinzas dela. Como se ainda não conseguisse aceitar que aquilo era tudo o que restava. Então aproximou lentamente a urna da abertura do helicóptero.
O vento atravessou imediatamente as cinzas que ele achava ser de Olívia. E Liam observou tudo desaparecer sobre o mar onde um dia ela segurou o rosto dele e o ensinou a amar.
Os dedos dele continuaram fechados no vazio por alguns segundos. Como se ainda estivessem tentando segurá-la. Mas não havia mais nada ali.
Só ausência.
Só saudade.
Só silêncio..
Então Liam abaixou lentamente a cabeça. E desabou. Em silêncio. Enquanto o helicóptero seguia sobrevoando o lugar onde havia acontecido um dos momentos mais bonitos da história deles.
A manhã fria deixava Dallas coberta por um céu acinzentado quando Liam entrou na empresa de engenharia de Fabrício. A recepcionista sequer tentou anunciar sua chegada.
A expressão dele já bastava para fazer qualquer pessoa perder a coragem de interrompê-lo. Os passos seguiram firmes até a sala principal.
Quando a porta se abriu, Fabrício ergueu os olhos automaticamente dos projetos espalhados sobre a mesa. E parou. O peito apertou na mesma hora. Porque Liam parecia irreconhecível.
A postura continuava impecável. O sobretudo escuro alinhado ao corpo alto. O olhar firme. Mas havia alguma coisa devastada nele. Fria. Vazia. Como se o luto tivesse arrancado tudo o que existia de humano ali.
Fabrício levantou-se devagar da cadeira. Os olhos marejaram discretamente enquanto observava o genro parado perto da porta.
— Seja bem-vindo, meu filho… — a voz saiu baixa, carregada de emoção contida. — Que bom que você veio.
Liam sustentou o olhar dele por alguns segundos antes de assentir minimamente com a cabeça. A mão deslizou devagar até o bolso do sobretudo. Um gesto automático. Controlado. Mas o maxilar travado entregava o esforço absurdo que era estar ali.
— Eu tentei vir antes. — A voz saiu rouca. Baixa demais. — Tentei falar com o senhor… mas eu não consegui.
Fabrício observou a forma como ele evitava piscar muito. Como se estivesse se obrigando a não desmontar. Então respirou fundo antes de responder.
— Eu sei.
Aproximou-se alguns passos dele lentamente. Sem invadir. Sem pressionar.
— Liguei várias vezes… mas quando vi que você não atendia, resolvi respeitar seu tempo.
— Só que ela se foi… e mesmo assim eu ainda não consigo falar. — A garganta travou. — Porque eu sinto que estaria traindo minha esposa se quebrasse algo que ela me pediu pra guardar.
Fabrício sentiu o peito apertar violentamente. Precisou desviar minimamente o rosto para esconder os próprios olhos marejados. Porque mesmo acreditando que Olívia estava morta… Liam ainda continuava protegendo ela.
O silêncio voltou a esmagar a sala. Fabrício observava cada pequeno gesto dele. Cada rachadura naquela armadura fria. E aquilo estava destruindo ele por dentro. Mentir para Liam parecia cruel demais.
Liam passou a mão lentamente pelo rosto cansado. E então soltou, quase num sussurro.
— Eu acho que estou enlouquecendo.
A frase fez Fabrício prender a respiração discretamente. Liam soltou uma risada baixa. Sem humor algum. Só dor.
Virou parcialmente o rosto na direção do sogro.
Os olhos estavam vermelhos de cansaço.
— Eu vi as urnas. — A mandíbula travou forte. — Mas dentro de mim… alguma coisa diz que ela ainda está viva.
Fabrício sentiu o coração disparar violentamente. Mas permaneceu imóvel. Silencioso. Liam continuou.
— Como se nossas almas ainda estivessem conectadas. — A garganta dele se moveu com dificuldade. — Eu não vi os corpos.
A voz saiu mais baixa agora. Mais quebrada.
— Não vi a cremação. — Os dedos apertaram ainda mais a aliança. — E aquelas urnas estavam no nosso quarto o tempo inteiro.
Ele respirou fundo tentando recuperar o controle. Não conseguiu.
— Estou lutando pra não perder a cabeça, sogro.
Os olhos finalmente encontraram os de Fabrício. E ali… Ali havia um sofrimento tão profundo… Que quase fez Fabrício contar toda a verdade.
— Porque eu amei a sua filha de um jeito que eu nem sabia que era capaz.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Faz 10 dias sem novidades...
Aguardando para novos capítulos, voltou a ficar interessante...
Aí meu Deus, n demora com os próximos pfvr!...
Demora pra sair novos capítulos?...
Ahhhhh cadê novos capítulos? Isso tá muito chato....
E os capítulos novos nada de publicação...
Ohhh ansiedade Senhora autora,por favor para quando novos capítulos...
E os novos capítulos nada ainda...
Ansiosa de mais para os próximos capítulos! 😃...
E os novos capítulos, já tá na hora da Olívia ter um pouco de trégua no sofrimento...