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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 512

A campainha ecoou pela mansão.

Uma vez.

Depois outra.

A empregada franziu a testa antes mesmo de levantar da cozinha. Os seguranças sempre avisavam quando alguém se aproximava da propriedade. Além disso, não era dia da aula de música de Meredith, não havia visita marcada, e Olívia não tinha mencionado ninguém.

Ela enxugou rapidamente as mãos no avental e caminhou até a porta.

— Estranho… — murmurou para si mesma enquanto destrancava a entrada. — Ninguém avisou que chegaria alguém.

Quando abriu a porta, congelou.

Do outro lado estava um homem alto, vestido com um terno escuro impecável, óculos escuros no rosto e uma presença tão intensa que parecia ocupar todo o espaço antes mesmo de dizer qualquer palavra.

Era lindo.

Assustadoramente lindo.

Mas havia algo sombrio nele.

Algo frio.

Algo que fez a empregada sentir o corpo inteiro enrijecer.

— Senhor… — a voz dela falhou enquanto tentava entender como aquele homem havia passado pelos seguranças sem ser anunciado. — Eu… preciso avisar a dona Olívia…

Liam não respondeu.

Apenas retirou os óculos escuros com um movimento lento, controlado, quase calculado. Os olhos verdes passaram por ela uma única vez, sem emoção, sem pressa, sem qualquer pedido de licença.

E então ele entrou.

Nem esperou ser anunciado.

Nem pediu permissão.

A empregada ficou tão intimidada que a frase morreu antes de sair.

— Senhor… espere… — tentou dizer, virando-se rapidamente atrás dele.

Mas Liam já atravessava o hall.

A expressão permanecia fechada. Fria. Implacável. O homem que entrou naquela casa parecia feito de gelo, mas os passos tinham uma urgência que nem ele conseguia mais esconder.

Ele olhou ao redor.

Aquela casa.

A casa de André.

O lugar onde Olívia estava escondida.

O lugar onde a filha dele havia crescido longe dele.

A mandíbula travou discretamente.

Então ele seguiu em direção à sala.

E viu.

No tapete da sala de estar, a enfermeira brincava com Meredith. A mulher ergueu os olhos ao perceber a presença dele e ficou sem reação. O brinquedo colorido escorregou dos dedos dela e caiu sobre o tapete.

— Senhor… — sussurrou, pálida.

Mas Liam não olhava para ela. Não ouvia mais nada. Só existia Meredith.

A menina estava sentada no tapete segurando outro brinquedo entre as mãozinhas.

Estava maior. Mais forte. Os cabelinhos haviam crescido, as bochechas estavam ainda mais redondas, e havia algo nela que atingiu Liam como um golpe no peito.

Era a cara dele em tantos detalhes, mas os olhos… aqueles olhos azuis estavam cada vez mais parecidos com os da mãe. Profundos. Vivos. Profundos como o mar.

A garganta dele fechou. As pernas quase falharam.

Foram meses acreditando que jamais voltaria a vê-la. Meses acreditando que a filha estava morta.

Os olhos começaram a arder imediatamente, mas Liam nem piscou. Como se tivesse medo de que ela desaparecesse. Como se aquilo fosse mais uma alucinação cruel. Mais um sonho. Mais uma forma da própria mente torturá-lo.

Então ele deu um passo.

Depois outro.

E se ajoelhou lentamente diante dela.

— Meredith… — a voz saiu rouca, baixa, quebrada, enquanto os dedos tremiam discretamente ao se apoiarem no tapete. — Minha princesinha…

A bebê parou o que estava fazendo. Virou o rostinho na direção dele. Piscou. Curiosa. Depois sorriu.

Um sorriso enorme, com dois dentinhos em cima e dois embaixo. Um sorriso lindo. Cheio de vida. Cheio de alegria.

O coração de Liam simplesmente parou. As lágrimas desceram antes que ele percebesse.

A armadura do homem de ferro caiu por um instante inteiro. Caiu ali, no tapete de uma casa que não era dele, diante da filha que ele acreditava ter jogado as cinzas no mar.

— Eu não estava louco… — murmurou, quase sem voz, enquanto os olhos percorriam desesperadamente cada detalhe do rostinho dela. — Eu sabia…

A mão dele se estendeu devagar. Tremendo.

— Vem no papai, filha… — chamou baixinho, engolindo a dor que rasgava sua garganta. — Vem, minha princesinha…

Meredith soltou um som animado, batendo as mãozinhas no tapete.

— Pá… pá…

— O papai ama você… — a voz saiu quebrada, cheia de lágrimas e de amor. — Ama mais do que tudo nesse mundo.

Meredith ergueu o rostinho e olhou para ele.

Liam acariciou a bochecha dela com o polegar.

— Me perdoa por eu não ter protegido você, filha… — sussurrou, e a culpa atravessou seu rosto antes que ele conseguisse escondê-la. — Eu poderia ter perdido você de verdade.

A abraçou mais forte.

— Mas eu prometo… nunca mais ninguém vai fazer mal pra você. Nem que, pra isso, eu precise perder a minha vida.

A enfermeira, ainda parada perto do tapete, enxugou uma lágrima rapidamente. Estava emocionada. E com medo. Porque ver Liam Holt pessoalmente era uma coisa. Ver aquele homem chorando com a filha nos braços era outra completamente diferente.

— Senhor Liam… — chamou com cuidado, a voz trêmula. — A primeira palavra que ela disse foi papai.

Liam ergueu os olhos para ela. Sério. Frio. A mudança foi imediata.

Por um segundo, a mulher sentiu como se tivesse falado algo que não devia.

Mas então Liam voltou a olhar para Meredith, e toda a dureza desapareceu outra vez.

— Foi? — perguntou baixo, quase sem respirar, enquanto sorria para a filha. — Você falou papai?

A enfermeira assentiu, emocionada.

— Falou, senhor. Ela fala desde os oito meses.

Os olhos dele marejaram de novo.

— Fala pro papai ouvir… — pediu, segurando delicadamente as mãozinhas dela. — Fala, minha vida. Papai.

Meredith abriu um sorriso.

— Papá!

Liam riu chorando.

Riu.

De verdade.

E beijou o rosto dela tantas vezes que a menina gargalhou.

— Isso mesmo… — murmurou contra a bochecha dela. — Eu sou o papai. Sempre vou ser o seu papai.

Meredith começou a se mexer no colo dele, apontando para o piano.

Liam olhou na mesma direção.

— Você quer ir ali?

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