Ele a colocou no chão com cuidado, e Meredith engatinhou até o piano, apoiando-se no banco para tentar ficar de pé. Liam a acompanhou imediatamente, como se não suportasse vê-la longe nem por alguns segundos. Pegou-a no colo outra vez e sentou-se diante do instrumento.
— Você também gosta de piano, princesinha? — perguntou, beijando os cabelos dela. — Sabia que sua avó e seu papai amam piano?
A empregada, ainda com os olhos marejados, aproximou-se um pouco.
— Ela ama, senhor… — falou com cuidado, apertando as mãos à frente do corpo. — A senhora Olívia diz todos os dias que ela puxou ao senhor e à dona Meredith.
Liam ergueu os olhos devagar.
O sorriso desapareceu.
A armadura começou a voltar.
— Como? — perguntou baixo, e a voz já não era a do pai emocionado. Era a de Liam Holt.
A enfermeira respirou fundo, nervosa.
— A senhora Olívia mostra vídeos, áudios e fotos do senhor pra ela… — explicou, escolhendo cada palavra. — O senhor Fabrício enviou muitas coisas.
O olhar de Liam ficou imóvel.
Fabrício.
O sogro que ele procurou.
O homem diante de quem se abriu depois de jogar cinzas falsas no mar.
O homem que sabia.
A dor, por um instante, virou algo mais frio.
Algo mais perigoso.
Mas Meredith bateu a mãozinha nas teclas, arrancando um som desordenado do piano, e aquilo puxou Liam de volta.
Ele baixou os olhos para ela.
Beijou sua cabecinha.
— Vamos tocar, minha vida? — perguntou baixinho, encaixando a filha melhor no colo. — O papai toca pra você.
A enfermeira deu um passo hesitante.
— Eu vou chamar a senhora Olívia…
— Não. — Liam ergueu os olhos imediatamente, e a palavra saiu calma demais. Fria demais. — Ela vem quando decidir vir.
A enfermeira recuou na mesma hora.
— Sim, senhor… — respondeu quase num sussurro.
Meredith voltou a bater nas teclas.
A enfermeira, tentando aliviar o peso do ambiente, falou baixinho.
— A senhora Olívia conseguiu uma professora que vem aqui uma vez por semana… — disse, mantendo distância. — Ela queria alguém que falasse inglês e tivesse experiência com bebês. Foi difícil, mas ela não sossegou enquanto não conseguiu. Ela sempre diz que a filha de vocês herdou o talento do senhor e da avó.
Liam permaneceu alguns segundos em silêncio. Porque aquela informação rasgava em dois.
Olívia o havia mantido vivo para Meredith. Mas também havia tirado o convívio dele com a filha. Sem permitir que ele visse a filha crescer.
Os dedos dele tocaram as teclas. Primeiro uma nota. Depois outra. E então a música surgiu.
The Weeknd — Earned It.
Meredith ficou quietinha, hipnotizada. Uma das mãos pequenas tocava o piano de vez em quando, enquanto Liam tocava com a outra, segurando-a firme contra o peito.
A enfermeira levou as mãos à boca. Ela conhecia aquela música. Sabia o significado. Sabia que Olívia estava no banho. Sabia que aquilo podia quebrar tudo. E que não podia impedir.
Não demorou. A voz de Olívia ecoou do andar de cima, abafada pela distância, mas clara o suficiente para atravessar a sala como um golpe certeiro.
— André! — gritou, com a voz carregada de desespero. — Por favor, meu bem… não toca essa música!
Os dedos de Liam travaram sobre as teclas.
A música morreu no meio.
A enfermeira empalideceu.
O sangue sumiu do rosto dela.
Porque sabia exatamente como aquilo soaria para ele.
André.
Meu bem.
Na casa de André.
Depois de meses.
Liam permaneceu imóvel, com Meredith no colo. O olhar ficou indecifrável. Não houve explosão. Não houve pergunta. Não houve sequer um comentário.
E, justamente por isso, a tensão ficou pior.
Ele apenas baixou os olhos para a filha e beijou a cabecinha dela.
— Vamos tocar outra, filha? — perguntou com a voz baixa, controlada, quase suave demais para ser verdadeira. — Papai vai ser seu professor agora.
Meredith tocou uma tecla e sorriu.
Liam encostou o rosto nos cabelinhos dela.
— Quando você tiver seis anos, vai tocar melhor do que eu. — A voz falhou quase nada, mas falhou. — Eu prometo.
“Ele está aqui.”
Olívia pensou e sentiu o ar fugir dos pulmões.
“Ele me encontrou. Como?”
Liam, por sua vez, sustentava o olhar nela sem piscar. Durante meses acreditou que os sonhos significavam alguma coisa.
Que aquela necessidade absurda de procurá-la tinha uma razão. Que a ligação entre eles era real.
Agora, olhando para Olívia parada naquela escada, dentro da casa de André, uma única pergunta ecoava dentro dele.
"Se tudo aquilo era real... por que você estava com ele?”
A mandíbula travou discretamente.
“Eu preferia ter enlouquecido.”
Porque a alternativa doía muito mais.
Olívia desceu o degrau devagar. Os olhos dela alternavam entre Liam e Meredith. O pânico subia pela garganta.
Liam observava cada movimento dela com frieza cirúrgica. A raiva que antes era apenas brasa agora ardia gelada em seu peito. A imagem da praia voltava repetidamente à sua mente.
André abraçando Olívia.
A voz dela chamando por ele.
E quanto mais tentava ignorar aquilo, mais difícil ficava afastar a sensação de que havia chegado tarde demais.
— Como você me encontrou? — a voz de Olívia saiu baixa, rouca, carregada de raiva e medo.
O olhar dele era puro gelo.
— Foi mais fácil do que deveria, querida. — respondeu, a voz baixa, controlada, sem qualquer emoção aparente. — Considerando a quantidade de pessoas que decidiram mentir para mim.
Fez uma breve pausa.
— O mundo pode girar para qualquer direção, Olívia... — inclinou levemente a cabeça sem desviar os olhos dela. — Mas não existe lugar nesse mundo onde eu não consiga encontrar você.
Olívia sentiu as pernas tremerem. Seus olhos se encheram de lágrimas, mas ela piscou com força, engolindo o choro. As imagens das manchetes voltaram como uma avalanche. A dor se transformou em raiva.
Liam também endureceu. O eco da voz dela chamando “André, meu bem” ainda martelava em sua cabeça. A esperança frágil que Meredith havia acendido dentro dele agora era sufocada pelo ressentimento.
— Curtiu as férias, esposa? — perguntou com uma tranquilidade que chegava a ser cruel. — Porque acabou. Hora de voltar para casa.
A palavra “esposa” saiu carregada de sarcasmo venenoso. Doeu mais que qualquer acusação direta.
Olívia explodiu.
— Você não manda mais em mim! — a voz dela subiu de tom, trêmula de raiva e dor. — E isso não é assunto pra falar na frente da minha filha.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
559 parou ja ter 3 semanas como podem....
Cadê o comprometimento com o leitor? Oque custa posta td livro?...
Falta de comprometimento com o leitor...
Acabou o livro? Mais de uma semana sem capítulos novos . . . ....
pelo que entendi estao postando de 20 dias a mais, quando vamos ler os novos capítulos nem se lembra mais o que estava nos capítulos anteriores, é preciso voltar p se atualizar. por favor poderiam postar tudo logo, já está ficando chato....
Até que enfim depois de 3 semanas divulgaram novos capítulos...
Mais capítulos já tem 3 semanas que li o cap 551. O romance é bom, mas ficar aguardando liberar capítulos é muito ruim....
Ivanete de fatima cerqueira de miranda...
Capitulo 552 ansiosa pra ler......
Fica difícil acompanhar a história pq demora muito para desbloquear os capítulos, está parado no 534 a muitos dias....