Liam ergueu uma sobrancelha, o maxilar travado. O tom de ambos aumentava a cada segundo.
— Sua filha?
— Até que prove o contrário, ela saiu de dentro de mim — Olívia deu mais um passo à frente, os punhos cerrados ao lado do corpo. — Eu sou a mãe dela. Eu a gerei.
— Você fez ela sozinha? — a voz dele saiu ainda mais fria.
— Realmente eu não fiz nossa filha sozinha. — respondeu com ironia enquanto cruzava os braços. — Mas é engraçado ouvir você falar assim agora. — Os olhos azuis prenderam-se nos dele. — Porque nós dois sabemos muito bem o que te trouxe até mim naquela época.
O silêncio caiu por um segundo. Liam sustentou o olhar dela sem piscar. Entendeu imediatamente o que ela estava fazendo. A mandíbula dele travou discretamente.
— Nossa filha. — Repetiu com uma calma assustadora enquanto acariciava distraidamente os cabelinhos de Meredith. Os olhos permaneceram presos nos dela. — Fico feliz que ainda lembre disso.
Antes que Olívia pudesse responder, uma vozinha doce cortou o ar:
— Mamã…
O silêncio foi imediato.
Os dois viraram o rosto para Meredith ao mesmo tempo. A bebê estendia os bracinhos na direção da mãe, o rostinho franzido, sentindo a tensão no ar.
Olívia se aproximou, acabando com a distância entre eles, os olhos marejados.
Por uma fração de segundo, algo vacilou dentro dele. Tão rápido que ninguém teria percebido. Então inclinou-se e beijou o topo da cabeça da filha.
Olívia beijou os cabelinhos da filha. Depois as bochechas. Depois a testa.
— Filha, não chora… — murmurou ela, a voz falhando enquanto estendia os braços. — Está tudo bem. Eu e seu pai estamos… com tanta saudade que começamos a falar alto.
Ela mentiu olhando diretamente para Liam, o ódio brilhando nos olhos azuis. Liam sustentou o olhar dela, indecifrável, a boca uma linha fina.
— Me dá ela, Liam.
Nenhum dos dois cedeu. Nenhum dos dois desviou. Foi a enfermeira quem interrompeu. A mulher aproximou-se cautelosamente.
— Senhor... — começou nervosa. — Está na hora da frutinha dela.
Liam permaneceu imóvel. A enfermeira respirou fundo.
— Por favor.
Ela não estava pedindo pela fruta. Estava tentando tirar Meredith dali. Tentando dar aos dois uma chance de conversar.
Liam entendeu. Olívia também. Depois de alguns segundos, ele entregou a filha. Meredith reclamou imediatamente.
— Papá...
Aquilo fez o coração dele apertar.
— Vai comer, minha vida. — beijou demoradamente a testa dela. — O papai já vai.
A enfermeira desapareceu rapidamente pelo corredor.
O silêncio voltou.
Muito pior agora.
Muito mais perigoso.
Os dois permaneceram se encarando.
Até que Liam colocou lentamente as duas mãos nos bolsos da calça social.
— Vai arrumar suas coisas. — A voz saiu baixa enquanto ele sustentava o olhar dela sem piscar. — Nós estamos indo embora.
Olívia soltou uma risada incrédula. Daquelas que nascem quando alguém perde completamente a paciência.
— Você continua achando que pode chegar dando ordens. — Negou com a cabeça enquanto as lágrimas brilhavam nos olhos. — Impressionante. Você não dá ordens aqui, Liam. Me faz um favor? — apontou para a porta. — Volta pela mesma porta que entrou. Você não é bem-vindo nesta casa.
Liam segurou o braço dela com firmeza, os dedos pressionando a pele sem machucar, mas impossibilitando a fuga.
— Não testa a minha paciência, Olívia.
Ela olhou para a mão dele em seu braço, depois para o rosto dele. Seus olhos ardiam de ódio.
— Eu não vou embora daqui. Você não manda mais em mim. — respondeu entre os dentes enquanto sustentava o olhar dele. — Entendeu isso ou precisa que eu desenhe? Me solta agora.
— Eu mando só no que é meu. Você tem cinco minutos.
Ela puxou o braço com força. Liam a soltou.
Os gritinhos de Meredith ecoaram na escada. Liam soltou Olívia imediatamente, como se o som da filha tivesse queimado sua pele. A enfermeira apareceu no corredor, aflita.
— Desculpe, Olívia… ela fez cocô e não tem mais fralda lá embaixo.
— Troque ela. — Liam não desviou os olhos de Olívia. — Pegue os documentos dela.
Fez uma breve pausa.
— Nós estamos indo embora. — A voz continuava baixa. Controlada. — Tem uma boutique nos aguardando para comprar tudo o que Meredith precisar. — Os olhos permaneceram presos em Olívia. — Isso inclui você.
A enfermeira assentiu rapidamente.
— Sim, senhor.
Liam não queria uma única peça daquela casa. Nem uma roupa. Nem um brinquedo. Nem uma fralda.
Nada.
A simples ideia de levar qualquer coisa comprada por André fazia algo escuro se contorcer dentro dele.
Quando Olívia ia entrar no quarto, Liam segurou seu braço novamente. O aperto não machucava. Mas também não deixava espaço para discussão.
— Não demore. — A voz saiu baixa. Controlada. — Eu já perdi tempo demais nesta casa.
Os olhos verdes permaneceram presos nos dela por um segundo.
— Vou esperar lá embaixo. Não faça nenhuma ligação. Não tente fugir. A casa está cercada pelos meus homens. — A mandíbula travou discretamente. — Não me obrigue a entrar naquele quarto. Já vi mais do que precisava ver hoje.
Ele soltou o braço dela devagar, deu as costas, seguiu o corredor e desceu as escadas sem olhar para trás.
Os ombros permaneceram rígidos. A postura impecável. Fria. Controlada. Como se nada daquilo o tivesse atingido.
Era mentira. Mas ninguém perceberia.
Olívia entrou no quarto e permaneceu imóvel por alguns segundos encarando a porta fechada. Tentando entender o que tinha acabado de acontecer. Tentando respirar. Tentando pensar. Falhando nas duas coisas.
A mão subiu para a boca. Os olhos arderam. E toda a força pareceu abandonar seu corpo de uma vez. As costas bateram contra a porta. Os joelhos cederam. E ela foi escorregando lentamente até sentar no chão.
As lágrimas vieram imediatamente. Fortes. Dolorosas. Incontroláveis.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
559 parou ja ter 3 semanas como podem....
Cadê o comprometimento com o leitor? Oque custa posta td livro?...
Falta de comprometimento com o leitor...
Acabou o livro? Mais de uma semana sem capítulos novos . . . ....
pelo que entendi estao postando de 20 dias a mais, quando vamos ler os novos capítulos nem se lembra mais o que estava nos capítulos anteriores, é preciso voltar p se atualizar. por favor poderiam postar tudo logo, já está ficando chato....
Até que enfim depois de 3 semanas divulgaram novos capítulos...
Mais capítulos já tem 3 semanas que li o cap 551. O romance é bom, mas ficar aguardando liberar capítulos é muito ruim....
Ivanete de fatima cerqueira de miranda...
Capitulo 552 ansiosa pra ler......
Fica difícil acompanhar a história pq demora muito para desbloquear os capítulos, está parado no 534 a muitos dias....