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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 537

O coração de Laura apertou. Porque não havia raiva ali. Havia dor. Muita dor.

— Liam... — A voz dela falhou no final do nome. As mãos, antes cruzadas, caíram ao lado do corpo.

Um sorriso sem humor apareceu por um segundo. Pequeno. Triste.

— Eu sei que você quer ajudar. — Os olhos encontraram os dela. — Mas não vai conseguir.

Laura sentiu a garganta fechar.

— Você está sofrendo. — Laura sussurrou, os olhos fixos nele como se procurasse alguma forma de alcançá-lo.

Ele desviou o olhar.

— Bom dia, Princesa. — Ele sustentou o olhar dela por um segundo. Só um. Depois abaixou os olhos para a mala e a pegou.

Ele começou a caminhar.

— Liam... — Ela deu meio passo à frente, como se fosse impedi-lo de sair, mas parou antes mesmo de tentar.

Ela esperava que ele parasse. Que voltasse. Que discutisse. Que a mandasse cuidar da própria vida. Qualquer coisa.

Mas ele não fez nada. Nem sequer virou o rosto. Apenas continuou andando. A porta se abriu. Depois fechou. E ele foi embora. Assim. Simplesmente embora.

Laura permaneceu parada no meio da cobertura. Sem reação. Os braços caídos ao lado do corpo. Os olhos fixos na porta fechada. O silêncio pareceu enorme.

Estranho. Errado. Porque Liam sempre falava com ela. Sempre. Mesmo quando brigavam. Mesmo quando discordavam. Mesmo quando ela o enlouquecia.

Ele sorria. Reclamava. Dava sermão. Chamava sua atenção. Protegia. Escutava. Mas nunca… Nunca tinha simplesmente dado as costas e ido embora. Nunca.

Laura engoliu em seco. O peito apertando cada vez mais. Então percebeu. E aquela percepção foi pior do que qualquer discussão.

Porque, pela primeira vez na vida, ela entendeu que talvez o irmão não estivesse apenas com raiva. Talvez estivesse quebrado.

Algumas horas depois na mansão de Liam, a porta do quarto abriu devagar. Laura entrou carregando duas garrafas de água e parou assim que viu Olívia sentada na cama.

Os cabelos estavam bagunçados. O rosto amassado de sono. Mas foram as olheiras que fizeram seu coração apertar. Os olhos dela desceram para o Apple Watch no pulso e depois voltaram para a cunhada.

— Meio-dia. — Ela ergueu uma sobrancelha, cruzando os braços. — Cunhadinha, eu já estava cogitando acionar uma equipe de resgate.

Olívia passou a mão pelo rosto e soltou um suspiro cansado.

— Eu sei ler horas.

— Fico feliz. — Laura fechou a porta atrás de si e caminhou até a cama. — Porque eu estava começando a achar que você tinha entrado em hibernação.

O canto da boca de Olívia ameaçou subir. Só um pouco. Laura percebeu. E se agarrou àquilo.

— Eu já te vi acordar antes das cinco para resolver problema na Trident. — Sentou-se na ponta da cama, observando-a com atenção. — Já te vi entrar em reunião depois de dormir três horas. Mas meio-dia? Isso é novidade.

Olívia desviou os olhos.

— Dormi tarde. — respondeu mexendo distraidamente no lençol.

Laura observou seu rosto por alguns segundos. Longos segundos.

— Claro que dormiu. — A voz saiu suave. — E eu vou fingir que acredito.

O silêncio pairou entre elas. Olívia abaixou os olhos. Laura conhecia aquela expressão. Já tinha visto antes. No irmão.

Era a expressão de quem estava cansado demais para continuar lutando. Sem dizer nada, estendeu uma das garrafas de água.

— Toma. — disse com carinho.

Olívia pegou a garrafa e girou a tampa entre os dedos.

— Obrigada.

— Agora levanta. — Laura deu um leve empurrão em seu ombro.

— Para quê? — perguntou sem entusiasmo.

— Porque nós vamos malhar. — respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

Olívia soltou uma risada sem humor.

— Laura...

— Não adianta fazer essa voz. — Laura balançou a cabeça, já sorrindo. — Você não vai escapar.

— Não estou afim.

— Eu sei. — Laura apoiou a mão sobre a perna dela. — E é exatamente por isso que nós vamos.

Os olhos de Olívia se encheram de cansaço.

— Eu só queria ficar quieta hoje. — murmurou, apertando a garrafa contra o colo.

Aquilo fez Laura engolir em seco. Porque não era preguiça. Era tristeza.

— Cunhadinha... — A voz saiu mais baixa agora. — Você precisa voltar a viver um pouquinho.

— Aquele moreno está um absurdo. — comentou, apoiando um dos cotovelos no joelho. — Se continuar daquele jeito, vai precisar pedir para a Trident aumentar o orçamento dos ternos.

— Laura... — Olívia apertou a tampa da garrafa com um pouco mais de força do que pretendia.

— Estou apenas relatando fatos. — Laura ergueu as mãos em rendição, mas a diversão continuava evidente na voz. — Não estou emitindo opiniões. Estou prestando um serviço público.

— Não estou interessada. — respondeu, levantando-se da cama para encerrar o assunto antes que o coração a traísse.

— Uhum. — Laura assentiu solenemente. — E eu continuo virgem.

Dessa vez uma risada escapou de Olívia. Pequena. Mas verdadeira. Laura imediatamente aproveitou.

— O homem está mais forte. — continuou, observando a reação da cunhada.

— Problema dele. — Olívia caminhou até a cômoda, mas o tom saiu menos firme do que gostaria.

— Muito mais forte. — Laura apoiou o queixo na mão. — Caiu de cabeça na academia. Claramente sofrendo de abstinência.

Olívia fechou os olhos devagar. Inspirou. Expirou. Como quem contava até dez para não jogar a garrafa na direção dela.

— Laura... — murmurou, esfregando a testa com a ponta dos dedos.

— O quê? — perguntou com a expressão mais inocente que conseguiu fabricar.

— Você acha mesmo que eu vou acreditar nisso? — Olívia virou-se para encará-la, finalmente.

Laura abriu um sorriso.

— Não. — Deu de ombros. — Mas achei que valia a tentativa.

O sorriso desapareceu devagar. E, pela primeira vez desde que entrou no quarto, ela ficou séria.

— Falando sério agora... — Esperou até que os olhos de Olívia encontrassem os dela. — Vocês precisam conversar.

O silêncio voltou. Mais pesado dessa vez. Olívia desviou o olhar primeiro.

— Não existe conversa. — respondeu depois de alguns segundos, abraçando o próprio corpo. — Não mais.

A dor na voz dela fez Laura sentir o coração apertar. Olívia respirou fundo e decidiu fugir do assunto.

— Vou tomar um banho rapidinho e depois vou ver a Meredith. — disse, colocando a garrafa sobre a cômoda.

— Vou dar um pouco de atenção para a minha princesinha. Te espero no quarto dela. — Laura levantou-se da cama. — E depois nós vamos malhar.

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