O coração de Laura apertou. Porque não havia raiva ali. Havia dor. Muita dor.
— Liam... — A voz dela falhou no final do nome. As mãos, antes cruzadas, caíram ao lado do corpo.
Um sorriso sem humor apareceu por um segundo. Pequeno. Triste.
— Eu sei que você quer ajudar. — Os olhos encontraram os dela. — Mas não vai conseguir.
Laura sentiu a garganta fechar.
— Você está sofrendo. — Laura sussurrou, os olhos fixos nele como se procurasse alguma forma de alcançá-lo.
Ele desviou o olhar.
— Bom dia, Princesa. — Ele sustentou o olhar dela por um segundo. Só um. Depois abaixou os olhos para a mala e a pegou.
Ele começou a caminhar.
— Liam... — Ela deu meio passo à frente, como se fosse impedi-lo de sair, mas parou antes mesmo de tentar.
Ela esperava que ele parasse. Que voltasse. Que discutisse. Que a mandasse cuidar da própria vida. Qualquer coisa.
Mas ele não fez nada. Nem sequer virou o rosto. Apenas continuou andando. A porta se abriu. Depois fechou. E ele foi embora. Assim. Simplesmente embora.
Laura permaneceu parada no meio da cobertura. Sem reação. Os braços caídos ao lado do corpo. Os olhos fixos na porta fechada. O silêncio pareceu enorme.
Estranho. Errado. Porque Liam sempre falava com ela. Sempre. Mesmo quando brigavam. Mesmo quando discordavam. Mesmo quando ela o enlouquecia.
Ele sorria. Reclamava. Dava sermão. Chamava sua atenção. Protegia. Escutava. Mas nunca… Nunca tinha simplesmente dado as costas e ido embora. Nunca.
Laura engoliu em seco. O peito apertando cada vez mais. Então percebeu. E aquela percepção foi pior do que qualquer discussão.
Porque, pela primeira vez na vida, ela entendeu que talvez o irmão não estivesse apenas com raiva. Talvez estivesse quebrado.
Algumas horas depois na mansão de Liam, a porta do quarto abriu devagar. Laura entrou carregando duas garrafas de água e parou assim que viu Olívia sentada na cama.
Os cabelos estavam bagunçados. O rosto amassado de sono. Mas foram as olheiras que fizeram seu coração apertar. Os olhos dela desceram para o Apple Watch no pulso e depois voltaram para a cunhada.
— Meio-dia. — Ela ergueu uma sobrancelha, cruzando os braços. — Cunhadinha, eu já estava cogitando acionar uma equipe de resgate.
Olívia passou a mão pelo rosto e soltou um suspiro cansado.
— Eu sei ler horas.
— Fico feliz. — Laura fechou a porta atrás de si e caminhou até a cama. — Porque eu estava começando a achar que você tinha entrado em hibernação.
O canto da boca de Olívia ameaçou subir. Só um pouco. Laura percebeu. E se agarrou àquilo.
— Eu já te vi acordar antes das cinco para resolver problema na Trident. — Sentou-se na ponta da cama, observando-a com atenção. — Já te vi entrar em reunião depois de dormir três horas. Mas meio-dia? Isso é novidade.
Olívia desviou os olhos.
— Dormi tarde. — respondeu mexendo distraidamente no lençol.
Laura observou seu rosto por alguns segundos. Longos segundos.
— Claro que dormiu. — A voz saiu suave. — E eu vou fingir que acredito.
O silêncio pairou entre elas. Olívia abaixou os olhos. Laura conhecia aquela expressão. Já tinha visto antes. No irmão.
Era a expressão de quem estava cansado demais para continuar lutando. Sem dizer nada, estendeu uma das garrafas de água.
— Toma. — disse com carinho.
Olívia pegou a garrafa e girou a tampa entre os dedos.
— Obrigada.
— Agora levanta. — Laura deu um leve empurrão em seu ombro.
— Para quê? — perguntou sem entusiasmo.
— Porque nós vamos malhar. — respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
Olívia soltou uma risada sem humor.
— Laura...
— Não adianta fazer essa voz. — Laura balançou a cabeça, já sorrindo. — Você não vai escapar.
— Não estou afim.
— Eu sei. — Laura apoiou a mão sobre a perna dela. — E é exatamente por isso que nós vamos.
Os olhos de Olívia se encheram de cansaço.
— Eu só queria ficar quieta hoje. — murmurou, apertando a garrafa contra o colo.
Aquilo fez Laura engolir em seco. Porque não era preguiça. Era tristeza.
— Cunhadinha... — A voz saiu mais baixa agora. — Você precisa voltar a viver um pouquinho.
— Aquele moreno está um absurdo. — comentou, apoiando um dos cotovelos no joelho. — Se continuar daquele jeito, vai precisar pedir para a Trident aumentar o orçamento dos ternos.
— Laura... — Olívia apertou a tampa da garrafa com um pouco mais de força do que pretendia.
— Estou apenas relatando fatos. — Laura ergueu as mãos em rendição, mas a diversão continuava evidente na voz. — Não estou emitindo opiniões. Estou prestando um serviço público.
— Não estou interessada. — respondeu, levantando-se da cama para encerrar o assunto antes que o coração a traísse.
— Uhum. — Laura assentiu solenemente. — E eu continuo virgem.
Dessa vez uma risada escapou de Olívia. Pequena. Mas verdadeira. Laura imediatamente aproveitou.
— O homem está mais forte. — continuou, observando a reação da cunhada.
— Problema dele. — Olívia caminhou até a cômoda, mas o tom saiu menos firme do que gostaria.
— Muito mais forte. — Laura apoiou o queixo na mão. — Caiu de cabeça na academia. Claramente sofrendo de abstinência.
Olívia fechou os olhos devagar. Inspirou. Expirou. Como quem contava até dez para não jogar a garrafa na direção dela.
— Laura... — murmurou, esfregando a testa com a ponta dos dedos.
— O quê? — perguntou com a expressão mais inocente que conseguiu fabricar.
— Você acha mesmo que eu vou acreditar nisso? — Olívia virou-se para encará-la, finalmente.
Laura abriu um sorriso.
— Não. — Deu de ombros. — Mas achei que valia a tentativa.
O sorriso desapareceu devagar. E, pela primeira vez desde que entrou no quarto, ela ficou séria.
— Falando sério agora... — Esperou até que os olhos de Olívia encontrassem os dela. — Vocês precisam conversar.
O silêncio voltou. Mais pesado dessa vez. Olívia desviou o olhar primeiro.
— Não existe conversa. — respondeu depois de alguns segundos, abraçando o próprio corpo. — Não mais.
A dor na voz dela fez Laura sentir o coração apertar. Olívia respirou fundo e decidiu fugir do assunto.
— Vou tomar um banho rapidinho e depois vou ver a Meredith. — disse, colocando a garrafa sobre a cômoda.
— Vou dar um pouco de atenção para a minha princesinha. Te espero no quarto dela. — Laura levantou-se da cama. — E depois nós vamos malhar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Gente acaba tendo que comprar moedas pra poder desbloquear os capítulos, mais a escritora não colabora 1 mês sem capítulo novo...
Um mês msm e nada , isso é estressante...
Nossa 1 mês e nada de novos capítulos . Já nem lembro o que eu li antes...
cade novos capituloooos?...
Kd os novos capítulos? 3 semanas q saiu os últimos?...
APartir dos 575...
Meu Deus hoje faz 3 semanas e nada dos novos capítulos...
Qnd vao liberar mais capítulos? Ansiosa pra ver o desfecho desse romance....
559 parou ja ter 3 semanas como podem....
Cadê o comprometimento com o leitor? Oque custa posta td livro?...