Olívia fechou os olhos. As lágrimas voltaram.
— Eu tenho medo.
— Eu sei. — respondeu imediatamente. — Mas o medo não muda a verdade.
Ela permaneceu em silêncio. Então ouviu a voz dele novamente. Mais baixa. Mais séria.
— E vou te avisar uma única vez.
Olívia abriu os olhos.
— Se você não fizer isso... eu vou fazer.
Ela arregalou os olhos.
— Pai...
— Eu vou tomar uma atitude de pai. — respondeu sem hesitar.
Não havia ameaça em sua voz. Havia amor. E convicção.
— Eu vou te dar um tempo para colocar essa cabeça no lugar. — continuou, acariciando seus cabelos. — Foram muitas coisas. Você sofreu demais. Passou por situações que ninguém deveria passar.
A voz dele falhou por um instante.
— Eu vi minha filha quebrar mais de uma vez.
Os olhos de Olívia encheram-se de lágrimas.
— Mas isso não pode durar para sempre. — Fabrício segurou seu rosto entre as mãos. — Então organize seus pensamentos. Respire. Decida o que quer fazer.
Uma pausa.
— Porque, se você não contar a verdade para o seu marido… — Os olhos dele sustentaram os dela. Firmes. Honestos. — Eu mesmo vou contar.
Olívia ficou imóvel. Sem reação. Percebendo que ele não estava pedindo. Estava avisando. Porque o homem amoroso que sempre a acolheu também era o mesmo homem íntegro que havia passado a vida inteira ensinando aos filhos que a verdade podia doer. Mas a mentira sempre cobrava um preço maior.
O silêncio permaneceu entre eles por alguns segundos. Então Fabrício enxugou uma lágrima que ainda escorria pelo rosto da filha e beijou a testa dela.
— Agora senta um pouquinho aqui no sofá. — pediu com um sorriso pequeno. — Eu vou pegar uma coisa.
Olívia franziu a testa.
— O quê?
— Confia no seu velho pai. — respondeu enquanto se levantava.
Ela observou curiosa enquanto ele caminhava até a cozinha da suíte. Alguns minutos depois, Fabrício voltou.
Nas mãos havia um prato. Dois garfos. E uma generosa fatia de bolo de nozes. Os olhos de Olívia se arregalaram imediatamente.
— Eu não acredito que o senhor fez isso, papai... — A voz saiu embargada enquanto levava uma das mãos à boca.
Fabrício sentou-se ao lado dela no sofá.
— Claro que fiz.
Olívia olhou novamente para o prato. As lágrimas voltaram aos olhos. Mas dessa vez eram diferentes. Mais suaves. Mais quentes.
— Bolo de nozes...
Um sorriso emocionado apareceu em seu rosto. Fabrício entregou um dos garfos para ela.
— Porque nos momentos mais importantes... — respondeu com aquele jeito tranquilo e sábio que sempre a fazia sentir que tudo ficaria bem. — sempre tem bolo.
Uma risada chorosa escapou de Olívia.
— O senhor não existe.
— Existo sim. — Ele apontou o garfo para ela. — Sua formatura teve bolo.
Ela sorriu.
— Teve.
— Seu primeiro estágio teve bolo. Quando você passou na faculdade...
— Também teve bolo.
— Seu casamento teve bolo...
Os olhos dela voltaram a marejar.
— Teve bolo.
Fabrício assentiu satisfeito.
— Está vendo? — pegou um pedaço da sobremesa e levou à boca. — Então é óbvio que uma conversa importante entre um pai e sua Pérola Negra também precisava ter bolo.
Olívia riu através das lágrimas. Uma risada pequena. Verdadeira. Então apoiou a cabeça no ombro dele.
— Eu te amo muito, papai.
Fabrício beijou seus cabelos.
— Eu também te amo, minha menina. — respondeu enquanto passava o braço pelos ombros dela. — E enquanto eu estiver vivo, você nunca vai enfrentar nada sozinha.
Ela nem pareceu ouvir. Continuou revirando a mesa, empurrando papéis, abrindo compartimentos que já havia aberto segundos antes.
— Cadê a droga da chave? — A voz falhou. As mãos tremiam tanto que ela mal conseguia segurar as coisas.
— Olívia.
Dessa vez, Liam deu um passo à frente. Ela passou a mão pelos cabelos, o peito subindo e descendo rápido demais.
— Eu preciso... eu preciso chegar até ela...
— Você não vai dirigir assim. — interrompeu, observando o estado dela.
Olívia virou imediatamente. As lágrimas já escorriam sem que ela percebesse.
— Em hipótese alguma eu vou com você. — rebateu. O queixo tremia, mas a teimosia continuava ali, firme como uma muralha.
Liam sustentou o olhar por apenas um segundo. Então simplesmente atravessou a sala. Antes que ela pudesse protestar novamente, ele segurou sua mão.
Os dedos dela estavam gelados.
— Liam...
Ele nem deu ouvidos. Apenas a puxou em direção à porta.
— Para de ser teimosa pelo menos uma vez.
Minutos depois, já dentro do carro na garagem da Trident, Olívia tentava colocar o cinto de segurança. Sem sucesso. As mãos tremiam demais.
— Que droga. — resmungou, puxando o cinto pela terceira vez. — Por que isso não funciona?
Liam inclinou o corpo na direção dela. O braço passou próximo demais. Os dedos alcançaram o cinto.
Mas então… Os olhos deles se encontraram. E permaneceram ali. O rosto dele estava perto demais. O dela também.
Próximos o suficiente para que ambos sentissem a respiração um do outro. Próximos o suficiente para que, por um instante, tudo desaparecesse.
O hospital. A raiva. As mágoas. Os meses de distância. Tudo.
Os olhos de Liam desceram involuntariamente para os lábios dela. Por apenas um segundo. Talvez dois. Então voltaram para os olhos dela. E algo dentro dele vacilou. Algo que não deveria vacilar.
Porque, por um breve instante, ele esqueceu. Esqueceu de todas as razões que tinha para manter distância. Esqueceu das palavras que ainda ecoavam na sua cabeça. Esqueceu da dor.
E tudo o que viu foi ela. Olívia. Tão perto. Tão familiar. Tão perigosamente necessária. Olívia sentiu o coração tropeçar no peito. Porque, pela primeira vez desde a briga, ele não parecia distante.
Não parecia frio. Não parecia inacessível. Havia algo naquele olhar. Algo que ela conhecia bem demais. Algo que durante muito tempo a fez sentir que era a única mulher no mundo.
O ar pareceu desaparecer dos pulmões dela. E, por um segundo dolorosamente breve, acreditou que ele também tinha sentido.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Aguardando para novos capítulos, voltou a ficar interessante...
Aí meu Deus, n demora com os próximos pfvr!...
Demora pra sair novos capítulos?...
Ahhhhh cadê novos capítulos? Isso tá muito chato....
E os capítulos novos nada de publicação...
Ohhh ansiedade Senhora autora,por favor para quando novos capítulos...
E os novos capítulos nada ainda...
Ansiosa de mais para os próximos capítulos! 😃...
E os novos capítulos, já tá na hora da Olívia ter um pouco de trégua no sofrimento...
Amanhã terá novos capítulos?...