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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 547

O silêncio se prolongou por tempo demais. Tempo suficiente para que algo antigo, familiar e irresistível surgisse entre eles.

Tempo suficiente para que a memória do que eram ameaçasse sufocar tudo o que havia acontecido depois.

Então Liam piscou. Como quem despertava. Como quem lembrava exatamente por que não podia permitir aquilo.

A armadura voltou imediatamente. Fria. Impenetrável. Controlada. Ele encaixou o cinto com um movimento firme e recuou para o próprio banco.

— Ficar nervosa não vai ajudar Meredith. — disse, voltando os olhos para a frente. — Só vai deixá-la nervosa também.

Olívia sentiu a dor substituir o que havia existido um segundo antes.

— Não precisa me dizer como devo agir. — respondeu, cruzando os braços sobre o colo. — Sou mãe dela. Sei exatamente do que minha filha precisa.

O maxilar dele endureceu.

— Claro. — A dor contida tornou a voz dele ainda mais fria. — Sabe tão bem que me privou seis meses do convívio com ela.

Olívia imediatamente levou a mão à maçaneta.

— Destrava a porta.

— Nem pensar. — respondeu, a mandíbula travada, enquanto acionava a trava de segurança das portas.

— Eu vou sozinha.

Ela começou a empurrar a porta. Liam segurou o braço dela.

— Não dificulta as coisas agora. — A voz saiu firme. — Você não está em condições de dirigir.

— Me solta. — Ela tentou puxar o braço de volta, mas os dedos tremiam demais.

— Não. — Os olhos verdes encontraram os dela. Duros. — Olha o seu estado. — A voz saiu mais baixa. Mais firme. — Se dirigir dessa forma, vai acabar provocando um acidente.

As lágrimas queimaram os olhos dela.

— Nada vai acontecer comigo. — rebateu, puxando o braço de volta. — Eu vou criar a minha filha. Entendeu?

A voz falhou.

— Eu sou a mãe dela. — Mais lágrimas surgiram. — Eu vou vê-la completar maior idade. — O peito subia e descia rápido demais. — Eu vou vê-la crescer.

Liam permaneceu em silêncio. Então simplesmente ligou o carro. O motor ganhou vida. E alguns segundos depois eles saíram da garagem.

Lá fora, os fotógrafos já estavam posicionados. As câmeras dispararam imediatamente. Flashes. Filmagens. Gritos. Perguntas.

Tudo aconteceu ao mesmo tempo. Mas, pela primeira vez, nenhum dos dois prestou atenção. Porque naquele momento só existia uma coisa que importava.

Meredith.

O trânsito avançava lentamente pelas ruas de Manhattan enquanto Liam mantinha uma das mãos no volante e a outra apoiada perto da alavanca de câmbio.

Ao lado dele, Olívia apertava o celular com tanta força que os nós dos dedos haviam ficado brancos.

Os olhos permaneciam fixos na tela. Como se esperasse uma ligação a qualquer segundo. Como se pudesse chegar mais rápido até Meredith apenas olhando para o relógio.

Liam observou o retrovisor. Uma vez. Depois outra. E mais uma. O SUV preto continuava lá. Não era a primeira vez que aparecia desde que Olívia voltou. Nem a segunda.

Os dedos dele apertaram levemente o volante. Então fez uma curva que não fazia parte do caminho para o hospital. O veículo acompanhou. Olívia percebeu imediatamente.

— Por que você virou aqui? — perguntou, franzindo a testa. — Esse não é o caminho.

— Eu sei. — respondeu sem tirar os olhos da estrada.

Ela observou o perfil dele por alguns segundos. O maxilar estava travado. O olhar atento demais.

— Liam... — chamou mais baixo. — O que está acontecendo?

— Nada.

— Não mente para mim.

Liam observou o retrovisor mais uma vez. Depois outra. E mais outra. O SUV preto continuava lá. A mesma distância. A mesma rota. Os mesmos movimentos.

Os dedos dele apertaram levemente o volante. Então fez uma conversão que não fazia parte do caminho para o hospital. O SUV acompanhou. Olívia percebeu imediatamente.

— Por que você virou aqui? — perguntou, franzindo a testa. — Esse não é o caminho.

— Eu sei. — respondeu sem tirar os olhos da estrada.

Ela observou o perfil dele por alguns segundos. O maxilar estava rígido. Os olhos atentos demais.

— Liam... — chamou mais baixo. — O que está acontecendo?

Ele não respondeu de imediato. Apenas fez outra conversão. Mais uma vez o SUV o acompanhou. Agora não havia dúvida.

Sem alterar a expressão, pressionou discretamente o botão de comunicação no volante.

— Harris.

A resposta veio quase imediatamente pelo sistema de áudio do veículo.

— Estou ouvindo, senhor.

— Não. — Ela balançou a cabeça imediatamente. — Não me diz que isso está acontecendo de novo.

O maxilar de Liam endureceu.

— Ainda não sabemos quem é. — respondeu por fim.

Olívia sentiu um arrepio percorrer a espinha.

— Liam...

— Vamos descobrir. — A voz saiu baixa. Fria. Absolutamente certa.

Ela ficou observando o perfil dele. A forma como permanecia focado. Calculando. Pensando vários passos à frente. Como se já estivesse preparando a próxima jogada.

— O que vai fazer? — perguntou sem conseguir esconder o medo.

Os olhos dele encontraram os dela por um breve instante. Apenas um. Mas foi suficiente.

— Ninguém vai encostar na Meredith.

A resposta veio simples. Sem promessas exageradas. Sem dramatização. Apenas uma certeza. Uma certeza tão sólida que fez Olívia prender a respiração. Porque ela conhecia aquele tom. Conhecia muito bem.

Minutos depois, o hospital surgiu à frente. Liam entrou normalmente no estacionamento. Sem acelerar. Sem tentar despistar ninguém. Sem demonstrar que havia percebido qualquer coisa. Exatamente como queria que o motorista do SUV acreditasse.

Enquanto isso, a alguns carros de distância, outra equipe de segurança já começava a assumir a vigilância. Silenciosamente. Sem contato. Sem chamar atenção.

Sem quem estivesse dentro do SUV percebesse que, naquele momento, havia deixado de ser observador. E passado a ser observado.

Olívia entrou no quarto praticamente correndo.

A visão de Meredith no colo da enfermeira, com o acesso do soro preso ao bracinho e o rostinho vermelho de tanto chorar, fez seu coração parar por um segundo.

— Minha vida... — A voz falhou enquanto ela já estendia os braços. — Me dá ela.

A enfermeira entregou a bebê imediatamente. Olívia a apertou contra o peito como se precisasse ter certeza de que ela realmente estava ali.

— Mamãe está aqui, meu amor. — As lágrimas começaram a cair enquanto ela beijava os cabelos da filha repetidas vezes. — Mamãe está aqui.

Meredith choramingou baixinho e agarrou a blusa dela.

— Me perdoa. — Olívia encostou o rosto na cabecinha da filha, respirando o cheirinho dela desesperadamente. — Por favor, me perdoa. Eu deixei você sozinha.

As lágrimas continuavam escorrendo.

— Não sei o que eu faria se alguma coisa acontecesse com você. — A voz saiu quebrada. — Eu já perdi algo muito importante uma vez. Não posso perder você também.

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