No outro quarto, Olívia estava sentada na cama. Meredith dormia ao lado dela. Liam estava tão perto. E parecia mais distante do que nunca.
Ela baixou os olhos para as próprias mãos. Então também se lembrou do carro. Do momento em que ele colocou o cinto por ela. Do olhar. Depois do hospital. Dos braços dele ao redor dela e de Meredith. Da voz pedindo para ela se acalmar. Do olhar outra vez.
Olívia fechou os olhos. Porque, por alguns segundos, também tinha esquecido de sentir raiva. E aquilo a incomodava. Ela respirou fundo.
— Eu preciso conversar com ele. — A voz saiu baixa. — Preciso saber se estou vendo coisas que não existem. Não sei se estou entendendo tudo errado.
Levantou-se da cama. No mesmo instante, Liam abriu os olhos no quarto de hóspedes. Antes que pudesse pensar melhor, também se levantou. Saiu para o corredor. Parou diante da porta dela.
Do outro lado, Olívia já caminhava na mesma direção. Os dedos dele envolveram a maçaneta. Os dedos dela também. Ao mesmo tempo.
Os dois ficaram imóveis. Separados apenas por uma porta. Liam fechou os olhos. Olívia prendeu a respiração. Sem saber que o outro estava exatamente ali. Mas sentindo. A presença. A proximidade. A dúvida.
Então, simplesmente recuaram. Liam soltou a maçaneta primeiro. Deu um passo para trás. Depois outro. Voltou para o quarto.
Olívia deixou a mão escorregar da maçaneta. Retornou para a cama. E a mansão voltou ao silêncio. Porque, naquela noite, a dúvida tinha conseguido algo que a raiva não estava permitindo: fazê-los caminhar na direção um do outro.
O alarme do celular tocou baixo sobre o criado-mudo. Olívia abriu os olhos devagar e permaneceu alguns segundos encarando o teto.
A cabeça ainda estava pesada devido ao efeito residual do remédio. Ela virou o rosto automaticamente para o lado da cama e estava vazio. Um pequeno suspiro escapou.
Desde que foi morar no Brasil, a enfermeira tinha autorização para entrar em seu quarto durante a madrugada e pela manhã para ajudá-la com Meredith. Na mansão, o combinado continuou o mesmo. Ela era a única pessoa que sabia do remédio que Olívia tomava para dormir. A única que conhecia as noites mal dormidas, os pesadelos e as manhãs em que levantar da cama exigia mais esforço do que deveria.
Olívia desligou o despertador, sentou-se na cama e passou a mão pelo rosto. Ainda levou alguns segundos encarando o vazio antes de criar coragem para se levantar.
Minutos depois, já arrumada, atravessou o corredor em direção ao quarto da filha.
A porta estava aberta.
Meredith estava sentada no tapete cercada de brinquedos. Assim que viu a mãe, os olhinhos se iluminaram imediatamente.
— Mamã!
As mãozinhas se ergueram na direção dela. O peito de Olívia apertou.
— Meu amor... — murmurou abaixando-se rapidamente para pegá-la no colo.
Meredith imediatamente agarrou seu pescoço. Olívia fechou os olhos por um segundo. Como se precisasse daquele abraço mais do que a própria filha.
— Eu estava morrendo de saudade de você. — A voz saiu baixa enquanto beijava seus cabelos. — Morrendo.
A enfermeira observou a cena em silêncio antes de perguntar.
— E você? Como está?
Olívia continuou acariciando os cabelos da filha.
— Bem. — Olívia respondeu automaticamente enquanto passava os dedos pelos cabelos de Meredith. — Ainda estou um pouco sob efeito do remédio. Demorei para tomar ontem.
A enfermeira assentiu de leve antes de acrescentar:
— O senhor Liam saiu há quase uma hora.
Olívia ergueu os olhos imediatamente.
— Foi ele quem pegou a Meredith? — perguntou rápido demais para parecer indiferente.
— Não. — A enfermeira apoiou uma das mãos na cômoda. — Ele pediu para eu buscá-la.
Algo apertou discretamente dentro dela.
— Entendi. — A resposta saiu mais baixa do que pretendia.
— Ficou com ela um tempo antes de sair. — A enfermeira observou atentamente a reação dela. — E pediu para deixar você dormir.
Olívia abaixou os olhos para a filha e beijou seus cabelos.
— Entendi.
O silêncio durou alguns segundos.
— Confesso que fui para o seu quarto durante a madrugada esperando encontrar uma situação bem diferente depois do que vi no hospital. — comentou a enfermeira com um sorriso discreto.
Olívia revirou os olhos imediatamente.
— Não começa.
— Eu não falei nada.
— Mas pensou. — rebateu enquanto ajeitava a blusa de Meredith.
— E qual o problema disso?
Meredith começou a brincar com um dos botões da roupa da mãe. Olívia segurou a mãozinha dela com carinho.
— Ele só estava sendo gentil por causa da situação que a filha dele se encontrava.
A enfermeira soltou um suspiro.
— Olívia...
— É verdade. — insistiu, desviando o olhar.
— Não foi isso que eu vi.
Olívia permaneceu em silêncio por um instante.
— Isso foi combinado há muito tempo. — explicou enquanto observava Meredith brincar. — O casal podia estar com raiva um do outro, podia querer se matar em determinados momentos... — a garganta apertou levemente. — Mas nunca na frente da pedra preciosa.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Acabou o livro? Mais de uma semana sem capítulos novos . . . ....
pelo que entendi estao postando de 20 dias a mais, quando vamos ler os novos capítulos nem se lembra mais o que estava nos capítulos anteriores, é preciso voltar p se atualizar. por favor poderiam postar tudo logo, já está ficando chato....
Até que enfim depois de 3 semanas divulgaram novos capítulos...
Mais capítulos já tem 3 semanas que li o cap 551. O romance é bom, mas ficar aguardando liberar capítulos é muito ruim....
Ivanete de fatima cerqueira de miranda...
Capitulo 552 ansiosa pra ler......
Fica difícil acompanhar a história pq demora muito para desbloquear os capítulos, está parado no 534 a muitos dias....
Era bom que fossem divulgado 3 capítulo por dia como era antes, pq fica muito chato esperar 2 ou 3 semanas pra ler...
Espero que não demore muito pra divulgar o capítulo 552 pq passou 3 semanas pra postar os capítulos 530 a 551. Mal posso esperar...
pelo amor de deus não nos abandone mais, "ansiosicima" para os demais capítulos...