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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 554

Mais tarde, já sentados no tapete da brinquedoteca, Meredith segurou o rosto dele entre as mãozinhas. Então deu um beijo. Molhado. Desajeitado. Completamente babado.

Liam ficou imóvel por um segundo. Apenas um. Depois fechou os olhos brevemente. Porque aquilo o atingiu de um jeito que poucas coisas conseguiam atingir.

Os dedos deslizaram pelos cabelos da filha.

— Eu amo você, Princesinha.

Meredith sorriu. Como se tivesse entendido. Talvez tivesse. Liam encostou a testa na dela.

— Mais do que qualquer coisa nessa vida.

A voz saiu baixa. Rouca. Honesta. Os olhos permaneceram nela por alguns segundos.

— Você foi a melhor coisa que já aconteceu comigo. — A garganta apertou discretamente. — A melhor prova de amor que eu já recebi.

Beijou a testa da filha demoradamente. Porque, mesmo depois de tudo, Meredith continuava sendo a única certeza que existia em sua vida. A única pessoa que nunca o havia abandonado. A única que nunca o fez questionar o que era verdade.

Os dedos deslizaram pelos cabelos macios da menina. E a garganta apertou discretamente. Porque, se existia algo que Liam ainda sabia com absoluta convicção, era que amava aquela criança mais do que a si mesmo. E que seria capaz de destruir o mundo inteiro para protegê-la.

Por algumas horas, conseguiu simplesmente ser pai. Sem investigações. Sem reuniões. Sem tribunais. Sem fantasmas.

Depois do almoço, Meredith finalmente adormeceu. Liam permaneceu alguns minutos sentado na poltrona do quarto da filha observando-a dormir antes de sair em silêncio.

Passou pelo corredor da mansão e seguiu para o quarto. Alguns minutos depois, entrou no banheiro.

Quando desligou o chuveiro, o vapor ainda preenchia o ambiente. Liam saiu do boxe, passou uma toalha pelos cabelos e prendeu outra na cintura.

Enquanto atravessava o quarto secando os fios molhados, o celular voltou a vibrar sobre a cama.

Os olhos caíram imediatamente na tela.

Alex.

Pela quinta vez.

O maxilar endureceu.

Pegou o aparelho.

— O quê?

— Saiu o mandado. — Alex foi direto ao assunto.

Liam ficou em silêncio por um segundo.

— Finalmente.

— A operação começa em uma hora.

— Certo.

— E o delegado foi substituído.

Os olhos dele se estreitaram.

— Por quem?

— Dante Beaumont.

— Seu amigo.

— Sim.

— Ótimo.

Alex respirou fundo. Porque sabia exatamente o que viria.

— Liam...

— Eu saio em vinte minutos.

— Não.

— Não foi uma pergunta.

O silêncio caiu.

— Você não pode participar da operação.

— Eu não vou participar.

— Então para onde está indo?

— Para o mesmo lugar que você.

— Liam.

— Alex.

A voz dele endureceu. Fria. Perigosa.

— Um homem seguiu meu carro. — Os dedos apertaram o celular com força. — Seguiu minha esposa. Seguiu minha filha. E agora eu sei onde ele está.

Outro silêncio.

— Você quer me impedir de estar lá?

Alex não respondeu imediatamente. Porque não tinha uma boa resposta.

— Eu quero impedir você de fazer uma estupidez.

Um sorriso frio surgiu no canto da boca de Liam. Sem humor. Sem diversão.

— Está com medo de quê? — perguntou ele, observando-a com atenção demais.

Olívia respirou fundo. Tentou encontrar uma resposta racional. Não conseguiu.

— Que alguma coisa aconteça com você.

As palavras saíram rápidas. Honestas. Cruas. E só depois ela percebeu o que tinha acabado de admitir.

Os dedos fecharam-se ao redor do braço dele por puro impulso. Como se precisasse impedi-lo de sair. Como se aquela fosse a única coisa importante naquele momento.

Liam baixou os olhos para a mão dela segurando seu braço. Depois voltou para o rosto dela. A preocupação estava toda ali. Sem máscaras. Sem orgulho. Sem defesa.

E aquilo o atingiu mais do que deveria. Muito mais.

— Olívia...

Ela soltou o braço dele imediatamente e passou a mão pelos cabelos. Nervosa. Desconcertada.

— Eu só... depois de tudo que aconteceu… — A voz falhou. — Eu não gosto de motos.

O canto da boca dele quase se moveu. Quase. Porque os dois sabiam que era mentira.

O silêncio voltou a se instalar entre eles enquanto Liam sustentava seu olhar por alguns segundos longos demais.

Então desviou os olhos. A mandíbula endureceu. Porque sabia exatamente o que tinha acabado de ver.

Medo. Medo real. Não da moto. Não da velocidade. Medo de que alguma coisa acontecesse com ele. E aquilo o incomodou mais do que deveria.

Porque aquela não tinha sido uma reação pensada. Não tinha sido uma resposta construída. Não tinha sido uma explicação cuidadosamente escolhida.

Tinha sido puro instinto. E Liam sempre confiou mais nos instintos das pessoas do que nas palavras delas.

Sem dizer nada, colocou o capacete de volta sobre o banco da moto. Os olhos dela acompanharam o movimento imediatamente.

— Você não vai?

— Vou de carro. — respondeu simplesmente.

Olívia piscou. Surpresa. Porque aquilo tinha sido fácil demais. Fácil demais para Liam Holt. Mas ele já caminhava em direção a um dos carros sem olhar para trás.

E, pela primeira vez em muito tempo, ela teve a sensação de que Liam não estava apenas ouvindo o que ela dizia. Estava prestando atenção naquilo que ela não conseguia esconder.

Quando Liam chegou à propriedade, a operação já estava em andamento.

Viaturas ocupavam toda a entrada. Agentes circulavam pelo terreno enquanto técnicos da perícia entravam e saíam da residência carregando maletas, câmeras e caixas para coleta de evidências.

O imóvel ficava afastado da cidade, cercado por árvores altas e praticamente invisível da estrada principal.

Exatamente o tipo de lugar onde alguém conseguiria permanecer escondido durante anos.

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