Olívia fechou os olhos.
— Não é da sua conta.
— Agora é Liam. A situação está crítica mesmo.
— Eu não vou ouvir isso.
— Vai, sim. — A voz endureceu imediatamente. — Porque eu dei uma ordem.
O coração dela disparou.
— E eu lembro muito bem de ter dito que existiriam consequências se você descumprisse.
— Eu fiquei longe dele. Eu estava morta.
— Estava. — Alberto concordou com facilidade irritante.
— Ele me encontrou e me obrigou a voltar.
— Eu sei.
— Então eu não tenho culpa disso.
— Também sei. Mas isso não muda o que eu quero.
— Como assim?
— Liam está me dando muito prejuízo.
— E o que eu tenho a ver com isso?
— Você vai continuar priorizando quem mais ama. Quero que tudo continue exatamente como está.
Um aperto desconfortável surgiu no estômago dela.
— Como assim?
— Liam na cobertura. Você na mansão. E ninguém se machuca.
— Você está me ameaçando?
— Você está muito equivocada. Criminosos fazem ameaças. Eu só estou evitando problemas.
— Você é doente.
— Talvez. Mas o seu marido realmente está me dando muito prejuízo... e o sofrimento dele me dá prazer.
— Você é um psicopata ridículo. Obcecado por uma mulher que nunca te escolheu. Vive em função de fazer os outros sofrerem.
— Já ouvi coisas piores.
— Pelo menos uma vez você resolveu ser honesto.
— Sei exatamente quem sou.
O silêncio caiu entre eles.
— Nem o diabo quer você no inferno. Está arriscado você tomar o lugar dele. Você é um monstro.
— Talvez.
— Não existe talvez.
— E, mesmo assim, continuo vencendo. — Ele fez uma pausa longa e calculada. — Você sabe que ele voltou para a vida de antes.
— Cala a boca.
— Sabe que voltou. Califórnia... Mônaco...
A garganta dela apertou.
— Eu disse pra calar a boca.
— O apartamento.
Ela franziu a testa.
— O que tem o apartamento?
Do outro lado da linha, Alberto soltou uma risada baixa.
— Então você ainda não sabia.
O coração dela tropeçou no peito.
— Do que você está falando?
— Da mulher da Califórnia.
O silêncio durou apenas um instante.
— Ainda não ligou os pontos?
— Você está mentindo.
— Talvez.
Ela permaneceu calada.
— Está vendo?
— Vendo o quê?
— Você não está discutindo comigo.
Olívia apertou os dentes.
— Porque você não vale a discussão.
— Não. É porque uma parte de você acredita em cada palavra que estou dizendo.
— Vai para o inferno. — Ela voltou a andar pelo banheiro, tentando descarregar a energia nervosa que se acumulava.
— O problema não são as mulheres.
Ela tentou desligar.
Não conseguiu.
— O problema é que ele seguiu em frente.
A respiração dela falhou.
— Cala a boca.
— Ele recuperou a filha.
O peito dela apertou.
— Você realmente acredita que Liam Holt vai colocar Meredith em risco por alguém que escolheu outro homem?
— Para.
— Eu não acredito.
— Chega.
— Acho que ele é capaz de qualquer coisa por aquela menina.
As lágrimas começaram a arder.
— Inclusive de reorganizar a própria vida.
— Para...
— Inclusive de decidir quem faz ou não parte dela.
As lágrimas começaram a escorrer.
— Você é um desgraçado.
— Eu até achei que isso aconteceria com a Bárbara. — Alberto soltou uma risada baixa. — Engraçado... algumas mulheres sempre encontram o caminho de volta para a vida dele.
Olívia desligou. Não porque quis. Porque simplesmente não suportava ouvir mais uma palavra. E, mesmo assim, continuou parada diante do espelho.
— Mantenham contato visual.
— Sim, senhor.
— Para onde ela está indo?
O segurança consultou rapidamente o monitor de rastreamento.
— Ainda estamos acompanhando.
— Não intervenham. Apenas garantam que ela permaneça em segurança.
— Entendido, senhor.
O táxi atravessou alguns quarteirões antes de reduzir a velocidade diante de um edifício residencial.
Olívia pagou a corrida, desceu sem olhar ao redor e entrou no prédio.
O chefe da equipe ergueu os olhos para a fachada. Reconheceu o endereço imediatamente. Levou novamente a mão ao ponto eletrônico.
— Senhor...
— Fale.
O segurança respirou discretamente antes de concluir.
— A senhora Olívia entrou na cobertura do senhor André.
O silêncio do outro lado da linha prolongou-se por alguns segundos. Longo o suficiente para que o segurança apertasse involuntariamente o aparelho em sua mão.
Quando Liam voltou a falar, a voz saiu exatamente como antes.
Fria.
Controlada.
— Continuem aí.
— Sim, senhor.
A ligação foi encerrada.
O elevador parou no último andar. Assim que as portas se abriram, Olívia saiu quase sem enxergar o caminho. Os passos apressados a conduziram até a porta da cobertura.
Apertou a campainha.
Uma vez.
Duas.
Três.
Depois continuou apertando, sem conseguir esperar. Do outro lado, passos acelerados ecoaram pelo apartamento.
A porta se abriu.
— Senhora? — A empregada arregalou os olhos ao encontrá-la naquele estado. — Aconteceu algu...
Olívia nem conseguiu responder. Passou por ela quase sem perceber que estava ali.
— André... — chamou, a voz falhando entre um soluço e outro. — André...
A empregada virou-se imediatamente para o interior da cobertura.
— Senhor André!
No mesmo instante, ele surgiu no corredor que levava aos quartos.
Vestia apenas uma calça de moletom cinza. Estava descalço e sem camisa, o cabelo ainda desalinhado, como quem havia acabado de sair do banho ou interrompido o descanso ao ouvir a insistência na campainha.
Assim que seus olhos encontraram Olívia, toda a expressão mudou. O susto deu lugar à preocupação.
— Olívia...
Ela tentou dizer alguma coisa. Não conseguiu. O queixo tremia. A respiração falhava. As lágrimas voltaram com força. Então correu. A distância entre os dois desapareceu em poucos segundos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Aguardando para novos capítulos, voltou a ficar interessante...
Aí meu Deus, n demora com os próximos pfvr!...
Demora pra sair novos capítulos?...
Ahhhhh cadê novos capítulos? Isso tá muito chato....
E os capítulos novos nada de publicação...
Ohhh ansiedade Senhora autora,por favor para quando novos capítulos...
E os novos capítulos nada ainda...
Ansiosa de mais para os próximos capítulos! 😃...
E os novos capítulos, já tá na hora da Olívia ter um pouco de trégua no sofrimento...
Amanhã terá novos capítulos?...