Érica recostou-se na cadeira e percorreu Laura dos pés à cabeça com um olhar carregado de desprezo.
— Você continua tão inconveniente quanto eu me lembrava.
Laura abriu um sorriso.
— E eu que passei anos achando que você estava morta. Olha, titia... não quero ser indelicada logo no nosso primeiro encontro, mas a versão falecida estava me agradando mais.O senador ergueu os olhos, mas Laura sequer lhe concedeu atenção.
— Você atravessou um restaurante para me dizer isso? — Érica perguntou, erguendo uma sobrancelha.
— Não. — Laura apoiou uma das mãos sobre a mesa e inclinou ligeiramente o corpo. — Eu estava indo jantar com meu marido, toda bonita, cheirosa, feliz da vida, quando olhei pela janela e vi a diaba que infernizou metade da minha existência entrando aqui. Eu acredito muito nos sinais de Deus, titia. Achei falta de educação ignorar um tão evidente.
Érica soltou uma risada de escárnio.
— Deus agora?
— Depois que sobrevivi a você? Acredito ainda mais.
O sorriso de Érica diminuiu.
Laura também deixou de sorrir.
— Liam descobriu muita coisa. Nós sabemos que foi você. — Apontou para ela. — Não adianta se fazer de sonsa. Tudo o que aconteceu comigo foi você. Edgar, o pai dele, Marcela, o internato... meu filho. Você infernizou a minha vida quando eu ainda era uma menina.
— E, mesmo assim, está aqui.
Laura franziu a testa.
— O quê?
Érica abriu uma das mãos e a examinou com desprezo.
— Olhe para você. Casada com Edgar, cercada de filhos, rica, saudável... Esse apego de vocês ao sofrimento sempre me pareceu cansativo.
Laura soltou uma risada incrédula.
— Apego ao sofrimento?
— Você sobreviveu.
— Sobrevivi porque sou mais forte do que você imaginava.
— Talvez. — Érica inclinou a cabeça. — Embora tenha existido um momento em que eu realmente achei que você não sobreviveria.
Laura ficou imóvel.
O sorriso desapareceu de seu rosto.
— Não fala sobre aquilo.
Érica percebeu imediatamente onde havia tocado.
— Ainda dói?
— Não coloca meu filho nessa conversa.
— Você veio acertar as contas, Laura. — Érica apoiou o cotovelo na mesa. — Não pode escolher quais entram.
Laura deu um passo na direção dela.
— Estou avisando.
— Eu lembro de você naquele internato.
— Cala a boca.
— Tão novinha...
— Eu disse para você calar essa boca.
— Chorando...
A respiração de Laura ficou mais pesada.
— Para.
— Sozinha...
Laura fechou as mãos.
Érica sorriu.
— Foi muito divertido.
O senador virou imediatamente o rosto para ela.
— Érica...
— Não se mete — ela respondeu sem desviar os olhos de Laura. — Ela queria acertar as contas. Estou apenas ajudando.
Laura permaneceu parada.
— Repete.
Érica sorriu ainda mais.
— Eu disse que foi divertido.
Laura deu mais um passo.
— Repete olhando para mim.
— Foi divertido ver você sofrendo. — Érica sustentou seus olhos. — Perdendo aquele bebê e chamando por um homem que não estava lá.
Laura avançou.
— EU MANDEI VOCÊ CALAR A BOCA!
A mão se fechou nos cabelos de Érica e puxou com força.
Mas alguma coisa se desprendeu.
Laura recuou um passo, surpresa, e olhou para o que tinha na mão.
Uma peruca.
Érica levou imediatamente as mãos à cabeça.
Laura olhou para a peça.
Depois para ela.
— Ah, não...
Jogou a peruca sobre a mesa.
— Você acha mesmo que vai se esconder de mim atrás disso?
— Laura...
— Eu reconheceria essa cara até no inferno. — Laura apontou para ela. — Você é a cópia da minha mãe.
O rosto de Érica se contorceu.
— Não me compare com aquela vagabunda.
Laura perdeu completamente o sorriso.
— Ah... você não vai falar assim da minha mãe.
Avançou novamente e, dessa vez, agarrou os cabelos verdadeiros de Érica.
— Sua louca! Me solta!
Laura puxou.
— Agora eu peguei o cabelo certo.
O tapa virou o rosto de Érica.
Outro veio antes que ela conseguisse reagir.
— EU TINHA QUINZE ANOS!
— Me solta!
— QUINZE!
Érica agarrou o braço dela, tentando afastá-la, e Laura respondeu com um chute na perna.
— SUA DESGRAÇADA!
A cadeira tombou.
O barulho fez dois funcionários surgirem imediatamente na entrada da área reservada. O gerente veio logo atrás e bastou enxergar o senador para compreender o tamanho do problema.
— Isolem a área. Agora. — Fez um gesto discreto para os seguranças. — Fechem o acesso e mantenham os clientes longe deste corredor. Ninguém entra.
As portas foram fechadas. Dois seguranças permaneceram do lado de fora, enquanto funcionários redirecionavam discretamente qualquer pessoa que tentasse se aproximar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Que lindos 😭😭🤍🤍🤍...
oiê está faltando o capitulo 560! houve atualização da escritora! poderiam atualizar aqui tbm por favorzinho. kkkk...
acabou o livro? nunca mais saiu nada...
Essa demora para liberar os capítulos é horrível....
Esses livro não acaba mais🤣...
cadeeee os demais capitulos????????????????????????????/...
Onde está o capítulo 660??...
Haaaa, preciso de mais! Por favor....
por favor atualizem! escritora já soltou novos capítulos....
Aguardando os capítulos novos...