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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 744

Maria sentou-se na poltrona diante dela.

— Victor é muito ligado à família. Muito. Você precisava ouvir a maneira como ele fala dos pais, da irmã... — Bárbara baixou os olhos para as próprias mãos. — Para ele, família não é uma coisa que você encontra de vez em quando. Faz parte da vida dele.

— E isso é ruim?

— Para mim pode ser.

Maria continuou em silêncio.

— Hoje é a comemoração do aniversário da Meredith. Depois vai ter outro aniversário. Natal. Ano-Novo. Almoço. Qualquer outra comemoração. E como você acha que isso vai funcionar? — Bárbara ergueu os olhos. — Eu chegando de mãos dadas com Victor enquanto Olívia e Liam estão do outro lado da sala?

— Victor sabe de tudo isso.

— Sabe. E acha que vamos resolver.

— Talvez resolvam.

Bárbara soltou uma risada baixa, sem humor.

— Ele fala exatamente assim. Como se cada problema tivesse uma solução esperando a gente chegar até ele.

— E você acha que não tem?

Bárbara ficou alguns segundos em silêncio.

— Eu acho que tem coisa demais contra nós.

— Ou você está procurando coisa demais.

Ela imediatamente ergueu os olhos.

— Não estou procurando nada.

Maria sustentou o olhar dela com tranquilidade.

— Bárbara, você acabou de começar um relacionamento com um homem que está tratando você exatamente da maneira que sempre disse que gostaria de ser tratada e já está pensando no Natal.

Bárbara apertou os lábios.

— Porque eu não quero chegar lá para descobrir que não tenho lugar na vida dele.

A resposta saiu mais baixa do que ela pretendia.

Maria suavizou a expressão.

— Ele disse isso?

— Não. Muito pelo contrário. — Bárbara desviou os olhos. — Ele acabou de dizer que, das próximas vezes, eu vou com ele se quiser. Vai conversar com a Olívia hoje. E agora inventou que quer marcar um almoço com a minha tia para falar sobre nós.

— Érica?

Bárbara assentiu.

— Eu disse que não precisava. Nós estamos afastadas, nossa relação não está boa... Mas ele quer fazer mesmo assim. Disse que quer fazer tudo direito comigo.

Maria abriu um pequeno sorriso.

— E isso te incomodou?

Bárbara demorou a responder.

— Me assusta.

Maria não disse nada.

Bárbara engoliu em seco e olhou para a porta por onde Victor havia acabado de sair.

— Porque ele está fazendo exatamente o que disse que faria, Maria. Está me colocando na vida dele. Está falando com os pais, vai falar com a irmã, quer conversar com a minha tia... e eu fico pensando em quanto tempo vai levar até ele perceber que é complicado demais.

— Talvez seja Victor quem tenha que decidir o que é complicado demais para Victor.

Bárbara tornou a encará-la.

— E talvez eu devesse ser racional antes que isso vá longe demais.

Maria inclinou ligeiramente a cabeça.

— Racional ou medrosa?

Bárbara não respondeu.

Pegou o celular outra vez, mas permaneceu apenas segurando o aparelho entre as mãos.

— Amanhã eu tenho um dia cheio — murmurou, encerrando o assunto. — Preciso descansar.

Maria conhecia Bárbara o suficiente para perceber a fuga e, dessa vez, não insistiu.

— Então descanse.

Bárbara permaneceu alguns segundos sozinha na sala depois que Maria se afastou. Olhou novamente para a porta por onde Victor havia saído e sentiu o peito apertar.

Das próximas vezes, você vai comigo.

Fechou os olhos.

Era justamente esse o problema.

Levantou-se de repente e caminhou para o quarto. Entrou, abriu o closet e puxou uma mala de viagem. Colocou-a sobre a cama e abriu o zíper com movimentos rápidos, quase impacientes.

— Não. Não, não, não... — murmurou para si mesma enquanto começava a tirar roupas dos cabides e jogá-las dentro da mala. — Isso está indo longe demais.

Pegou outro vestido, dobrou de qualquer jeito e colocou junto dos demais.

— Pais, irmã, família... agora quer conversar com a minha tia. — Soltou uma risada nervosa. — Daqui a pouco o Meninão aparece com uma aliança e pergunta se eu prefiro igreja ou praia.

A brincadeira morreu tão depressa quanto surgiu.

Bárbara parou diante da mala.

Victor não havia feito absolutamente nada para que ela estivesse fugindo.

E talvez fosse exatamente por isso que estivesse.

— Que merda...

Sentou-se na beirada da cama por alguns segundos, passou as mãos pelo rosto e tornou a se levantar.

— Você queria isso, Bárbara. — Abriu outra gaveta e começou a retirar algumas peças. — Queria que alguém escolhesse você. Queria que alguém olhasse para você e não tivesse dúvida. Queria deixar de ser a mulher que fica esperando um homem decidir se você é suficiente.

Engoliu em seco.

— E agora aparece um homem fazendo exatamente isso e você quer fugir.

Jogou as peças dentro da mala com mais força.

— Porque é muito fácil querer amor quando ele não está acontecendo.

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