Maria sentou-se na poltrona diante dela.
— Victor é muito ligado à família. Muito. Você precisava ouvir a maneira como ele fala dos pais, da irmã... — Bárbara baixou os olhos para as próprias mãos. — Para ele, família não é uma coisa que você encontra de vez em quando. Faz parte da vida dele.
— E isso é ruim?
— Para mim pode ser.
Maria continuou em silêncio.
— Hoje é a comemoração do aniversário da Meredith. Depois vai ter outro aniversário. Natal. Ano-Novo. Almoço. Qualquer outra comemoração. E como você acha que isso vai funcionar? — Bárbara ergueu os olhos. — Eu chegando de mãos dadas com Victor enquanto Olívia e Liam estão do outro lado da sala?
— Victor sabe de tudo isso.
— Sabe. E acha que vamos resolver.
— Talvez resolvam.
Bárbara soltou uma risada baixa, sem humor.
— Ele fala exatamente assim. Como se cada problema tivesse uma solução esperando a gente chegar até ele.
— E você acha que não tem?
Bárbara ficou alguns segundos em silêncio.
— Eu acho que tem coisa demais contra nós.
— Ou você está procurando coisa demais.
Ela imediatamente ergueu os olhos.
— Não estou procurando nada.
Maria sustentou o olhar dela com tranquilidade.
— Bárbara, você acabou de começar um relacionamento com um homem que está tratando você exatamente da maneira que sempre disse que gostaria de ser tratada e já está pensando no Natal.
Bárbara apertou os lábios.
— Porque eu não quero chegar lá para descobrir que não tenho lugar na vida dele.
A resposta saiu mais baixa do que ela pretendia.
Maria suavizou a expressão.
— Ele disse isso?
— Não. Muito pelo contrário. — Bárbara desviou os olhos. — Ele acabou de dizer que, das próximas vezes, eu vou com ele se quiser. Vai conversar com a Olívia hoje. E agora inventou que quer marcar um almoço com a minha tia para falar sobre nós.
— Érica?
Bárbara assentiu.
— Eu disse que não precisava. Nós estamos afastadas, nossa relação não está boa... Mas ele quer fazer mesmo assim. Disse que quer fazer tudo direito comigo.
Maria abriu um pequeno sorriso.
— E isso te incomodou?
Bárbara demorou a responder.
— Me assusta.
Maria não disse nada.
Bárbara engoliu em seco e olhou para a porta por onde Victor havia acabado de sair.
— Porque ele está fazendo exatamente o que disse que faria, Maria. Está me colocando na vida dele. Está falando com os pais, vai falar com a irmã, quer conversar com a minha tia... e eu fico pensando em quanto tempo vai levar até ele perceber que é complicado demais.
— Talvez seja Victor quem tenha que decidir o que é complicado demais para Victor.
Bárbara tornou a encará-la.
— E talvez eu devesse ser racional antes que isso vá longe demais.
Maria inclinou ligeiramente a cabeça.
— Racional ou medrosa?
Bárbara não respondeu.
Pegou o celular outra vez, mas permaneceu apenas segurando o aparelho entre as mãos.
— Amanhã eu tenho um dia cheio — murmurou, encerrando o assunto. — Preciso descansar.
Maria conhecia Bárbara o suficiente para perceber a fuga e, dessa vez, não insistiu.
— Então descanse.
Bárbara permaneceu alguns segundos sozinha na sala depois que Maria se afastou. Olhou novamente para a porta por onde Victor havia saído e sentiu o peito apertar.
Das próximas vezes, você vai comigo.
Fechou os olhos.
Era justamente esse o problema.
Levantou-se de repente e caminhou para o quarto. Entrou, abriu o closet e puxou uma mala de viagem. Colocou-a sobre a cama e abriu o zíper com movimentos rápidos, quase impacientes.
— Não. Não, não, não... — murmurou para si mesma enquanto começava a tirar roupas dos cabides e jogá-las dentro da mala. — Isso está indo longe demais.
Pegou outro vestido, dobrou de qualquer jeito e colocou junto dos demais.
— Pais, irmã, família... agora quer conversar com a minha tia. — Soltou uma risada nervosa. — Daqui a pouco o Meninão aparece com uma aliança e pergunta se eu prefiro igreja ou praia.
A brincadeira morreu tão depressa quanto surgiu.
Bárbara parou diante da mala.
Victor não havia feito absolutamente nada para que ela estivesse fugindo.
E talvez fosse exatamente por isso que estivesse.
— Que merda...
Sentou-se na beirada da cama por alguns segundos, passou as mãos pelo rosto e tornou a se levantar.
— Você queria isso, Bárbara. — Abriu outra gaveta e começou a retirar algumas peças. — Queria que alguém escolhesse você. Queria que alguém olhasse para você e não tivesse dúvida. Queria deixar de ser a mulher que fica esperando um homem decidir se você é suficiente.
Engoliu em seco.
— E agora aparece um homem fazendo exatamente isso e você quer fugir.
Jogou as peças dentro da mala com mais força.
— Porque é muito fácil querer amor quando ele não está acontecendo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Que lindos 😭😭🤍🤍🤍...
oiê está faltando o capitulo 560! houve atualização da escritora! poderiam atualizar aqui tbm por favorzinho. kkkk...
acabou o livro? nunca mais saiu nada...
Essa demora para liberar os capítulos é horrível....
Esses livro não acaba mais🤣...
cadeeee os demais capitulos????????????????????????????/...
Onde está o capítulo 660??...
Haaaa, preciso de mais! Por favor....
por favor atualizem! escritora já soltou novos capítulos....
Aguardando os capítulos novos...