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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 786

O nome fez Bárbara estremecer.

— Ele tinha uma obsessão por mim. Eu não queria nada com ele. Nunca quis. Só que começou a emprestar dinheiro para meu pai. Um empréstimo depois do outro, até ele não conseguir pagar.

Bárbara já parecia saber o que viria.

— Não...

— Meu pai me entregou a Rodolfo como pagamento.

— Não...

— Entregou. E Rodolfo sabia exatamente o que estava fazendo. Armou aquilo. Sabia que meu pai nunca conseguiria pagar.

— Para...

— Bárbara...

— Para.

Elisa obedeceu.

Por alguns segundos, apenas o choro baixo de Bárbara foi ouvido.

Então ela mesma perguntou:

— Ele fez aquilo com você outra vez?

Elisa demorou a responder.

— Fez.

Bárbara fechou os olhos.

— Mais de uma vez?

Elisa assentiu, incapaz de pronunciar qualquer palavra.

Bárbara levou as duas mãos ao rosto.

Victor deu mais um pequeno passo.

Ela não recuou dessa vez.

Mas ele ainda não a tocou.

— Eu consegui fugir depois de um mês — Elisa continuou. — E pouco tempo depois descobri que estava grávida.

Bárbara baixou lentamente as mãos.

— De mim.

— De você.

— E por que não abortou?

Elisa ficou imóvel.

— Bárbara...

— POR QUE NÃO ABORTOU?

O grito veio carregado de uma dor tão profunda que Victor fechou os olhos por um instante.

— Por que me deixou nascer? Para quê? Para eu crescer sem pai? Para acreditar que minha mãe estava morta? Para passar a vida inteira tentando entender por que não tinha uma família como as outras pessoas?

— Eu quis você.

— Eu sou filha de um estupro!

— E daí?

Bárbara ficou em silêncio.

Elisa avançou instintivamente um passo, mas parou ao ver a filha recuar.

— E daí, Bárbara? O crime foi dele. Não seu.

— Eu não deveria...

— Não termina essa frase.

Pela primeira vez, havia firmeza no desespero de Elisa.

— Não diga que não deveria ter nascido.

Bárbara chorou.

— Eu não conseguia abortar você. Sabia o que tinha acontecido comigo. Sabia como você tinha sido concebida. Mas, quando descobri que estava grávida, havia uma vida dentro de mim que não tinha culpa de nada.

Elisa levou a mão ao peito.

— Era um coração batendo, Bárbara. Um coraçãozinho. O seu. E, para mim, isso bastava.

Colocou a mão sobre o próprio ventre, como se décadas desaparecessem por um instante.

— Eu quis você. Deus é minha testemunha do quanto eu quis.

Bárbara apertou os lábios.

— Eu conversava com você na minha barriga. Fazia planos que não tinha dinheiro para realizar. Imaginava seu rosto. Pensava em como seria quando você segurasse meu dedo pela primeira vez.

As lágrimas escorreram ainda mais.

— Eu lutei para colocar você no mundo.

Bárbara balançou a cabeça.

— Então por que me renegou depois?

Elisa pareceu receber um golpe.

— Eu nunca reneguei você.

— Fez eu chamar você de tia!

— Para manter você viva!

— E a Laura podia chamar você de mãe!

Laura abaixou os olhos.

— Ela teve o que eu não tive!

— Laura também pagou pelos meus erros!

— MAS TEVE VOCÊ!

O grito fez Laura estremecer.

Bárbara percebeu, mas já não conseguia parar.

— Ela teve pai, mãe, irmão, avós! Teve os Holt! Teve uma família inteira! E eu cresci olhando para tudo isso sem saber que também era sua filha!

— Eu sei.

— Não sabe!

— Sei porque estava ao seu lado!

— Como tia!

Elisa levou a mão ao peito.

— Como tia! — Bárbara repetiu. — Quando eu perguntava se minha mãe teria orgulho de mim, a senhora respondia como tia. Quando eu queria saber como ela era, a senhora me contava histórias como se estivesse falando de outra mulher!

Elisa permaneceu em silêncio.

— E eu acreditava.

A voz de Bárbara diminuiu.

— Acreditava em tudo.

Elisa respirou com dificuldade.

— Cada vez que você me perguntava por sua mãe, eu precisava entrar no quarto depois e chorar escondida.

Bárbara ficou imóvel.

— Cada aniversário seu em que eu queria dizer que fui eu quem colocou você no mundo... cada vez que ficou doente e eu queria simplesmente dizer “a mamãe está aqui”... cada vez que me abraçava e agradecia por ser uma boa tia...

A voz desapareceu.

Elisa precisou respirar antes de continuar.

— Eu morria um pouco.

— Então devia ter contado!

— Eu tinha medo!

— De quê?

— DE PERDER VOCÊ!

Bárbara riu, devastada.

— Que ironia.

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