— Mãe, me dê o Noriel.
Sabrina disse a palavra "mãe" sentindo-se um pouco desconfortável.
Era uma forma de tratamento que ela não usava há muito tempo e, nos dois anos em que esteve casada, as vezes que a chamou de mãe podiam ser contadas nos dedos.
— Quem é sua mãe? Não fale besteiras.
Daniela parecia ainda mais desconfortável que ela: — Te dar o Noriel para quê? Ainda não o segurei o suficiente.
— Você não é mãe dela? — A Velha Senhora Ramos se intrometeu na hora. — Então você também não é a avó de Noriel. Por que está segurando o filho dos outros?
Mariana não conseguiu segurar, soltou um riso e caiu na gargalhada.
Seu riso ecoou pelo carro e pôde ser ouvido pela janela entreaberta.
O rosto de Daniela ficou vermelho, mas ela continuou segurando Noriel sem soltar.
— Então a senhora o leva, à noite nós vamos buscá-lo.
Henrique abraçou os ombros de Sabrina, deu dois passos para trás e, de bom grado, deixou que Daniela levasse o filho.
Essas palavras deram uma saída para Daniela, e ela ordenou que o motorista arrancasse.
A porta do carro se fechou lentamente, o motorista pisou no acelerador e o carro partiu.
Sabrina acompanhou o carro com os olhos até ele sumir na esquina, depois virou-se para Henrique: — Agora faltam só umas duas ou três horas para a noite.
Ir à Vila de Ramos e voltar só ia dar trabalho.
— Duas ou três horas de tempo de sobra, temos todo o tempo do mundo.
Henrique falou com um olhar cheio de desejo, soltou os ombros dela, segurou seu pulso e a puxou em direção ao carro. Tempo suficiente para o quê, exatamente?
Sabrina viu os cantos da boca dele levemente levantados e entendeu de imediato o que ele queria dizer.
— Eu ainda não me recuperei.
— E daí? — Henrique lançou-lhe um olhar de esguelha.
Sabrina: — E daí... você poderia pegar leve?
Henrique sorriu de leve: — Depende do seu comportamento.
Vestia um vestido preto de alças coberto por um roupão, e seus pés de pele clara desciam devagar os degraus até a piscina de águas termais, e uma onda de calor tomou conta de seu corpo.
— Por que viemos para cá?
Ela caminhou lentamente até o lado de Henrique e sentou-se.
Henrique apoiou os cotovelos na beirada da piscina termal e, ao vê-la se aproximar, estendeu a mão para segurar o pulso dela e ajudá-la.
— Por quê? Aonde queria ir?
Sabrina olhou instintivamente para o imponente hotel ao lado.
— Fique calma, sei que devo ter paciência com você. Mas se eu me segurar muito tempo, não vou aguentar — Henrique falou com um ar sério, mas com uma insinuação clara na voz.
Embora ela tenha ficado exausta naquela noite, não podia negar que Henrique havia tentado considerar os sentimentos dela.
O problema era que ele simplesmente não conseguiu se controlar.
Pelo menos ele teve a decência de trazê-la para relaxar; banhar-se nas fontes termais era realmente muito agradável.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!