Oceana ficou em silêncio por alguns segundos e gaguejou: — Eu... Para que vou a um coquetel de negócios? Não estou interessada.
— Pensei que você se interessaria pelas pessoas lá dentro.
Henrique insinuou algo.
Oceana fingiu não entender e acenou com a mão de forma indiferente. — Agora não me interesso por nada nem por ninguém, a não ser pelo que está acontecendo entre a Mariana e o Ricardo.
Henrique deu uma risadinha, com um leve traço de zombaria.
— Sabrina, controla ele. — Oceana virou-se para reclamar. — Em plena luz do dia, ele não vai trabalhar e fica atrapalhando nós duas em casa.
Sabrina lançou um olhar para Henrique. — Pronto, vá cuidar dos seus afazeres.
Oceana era uma pessoa que prezava pela imagem, e se continuassem a falar, ela ficaria com raiva.
Henrique ficou relutante, brincou mais um pouco com Noriel e só então foi para a empresa.
Mas ele havia esquecido um documento em casa. No meio do caminho, ligou para Sabrina.
— Leve os documentos para mim na empresa, não vai dar tempo de eu voltar para buscar.
— Onde...
Sabrina ia perguntar onde os documentos estavam.
Oceana, no entanto, zombou: — Com esse tom mandão que você usa, quem não te conhece acharia que a Sabrina ainda é sua secretária.
Do outro lado da linha, houve um silêncio de alguns segundos antes da voz de Henrique ser ouvida novamente. — Amor, por favor, leve os documentos para mim.
Oceana tinha a intenção de provocar, colocando-o em uma saia justa. A expressão de triunfo em seu rosto mal teve tempo de se formar antes de ser dissipada por aquele "amor".
Sabrina virou-se e subiu as escadas, sua voz um tanto pouco natural. — Fale logo, onde estão os documentos?
— Na primeira gaveta à direita, no escritório.
O olhar de Oceana, do andar de baixo, seguiu a figura de Sabrina até ela desaparecer na curva do terceiro andar.
Sabrina pegou os documentos, trocou de roupa e desceu as escadas. Levou Oceana e as duas crianças junto para o Grupo Quinto Andar.
— Você não vai subir para entregar os documentos pessoalmente? — Vendo a reação dela, a recepcionista parou de perguntar.
Sabrina balançou a cabeça. — Não. Por favor, leve lá para cima para mim. Minha amiga está me esperando, marcamos de comer juntas.
A recepcionista pegou os papéis e assentiu respeitosamente para ela.
— É uma honra, então vá logo cuidar dos seus assuntos.
Sabrina sorriu para ela, virou-se e foi embora.
A recepcionista era uma fofoqueira; no tempo em que demorou a entregar os documentos no andar de cima, passou por quase todos os departamentos.
Em menos de dez minutos, a notícia de que Sabrina havia voltado para a Capital já tinha se espalhado por toda a empresa.
O assunto não demorou a chegar aos ouvidos de Daniela.
Daniela estava com a cabeça fervendo. — O assunto da Mariana ainda não foi resolvido e a Sabrina voltou. Esses irmãos querem me matar de ansiedade?
Nos últimos dias desde que Henrique voltou à Capital, Antonio não tratava mais dos negócios oficiais. Com um raro tempo livre, preparou um bule de chá em casa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!