Naquele momento, Daniela acabara de chegar perto do carro, antes que pudesse entrar.
Arnaldo aproximou-se com alguns seguranças.
— Senhora Ramos.
Daniela parou na porta do carro, virou-se e olhou para Arnaldo.
— O que foi?
Mesmo Arnaldo tendo o dobro da idade dela, o poder e o prestígio da Família Ramos davamlhe coragem para enfrentálo de cabeça erguida.
— Não entenda mal. Eu apenas gostaria de dar uma olhada no seu carro.
Arnaldo não abriria mão de nenhuma possibilidade facilmente.
E se as cinzas não tivessem sido escondidas na montanha?
Então a mais provável de ajudar a carregar a urna seria Daniela.
Os lábios de Daniela formaram um sorriso frio. — Chamar você de senhor Moraes é uma forma de respeito. Mas você não deveria perder sua postura de pessoa velha e respeitável. Você quer revistar o carro dos outros sempre que tiver vontade? Você tem a ousadia de revistar o carro da Família Ramos?
— Eu só queria dar uma olhada...
— Não sou uma criança de três anos. Você acha que eu não entendo a sua intenção?
O tom de Daniela era desagradável. — Nem sequer preciso dizer que não quero as coisas da Família Moraes, mesmo que a sua família tente me dar algo, eu nunca me interessaria.
A voz dela soou forte, com um tom inquestionável.
As pessoas que ainda estavam ao redor pararam. Não queriam ver Daniela arrumar problemas, e sim ver o quão absurdo Arnaldo iria ser.
Pouco antes, quando Arnaldo revistou o carro de Sabrina, alguns já se preocupavam por ele.
Mas a pessoa à frente dele agora era Daniela, a atual líder feminina da Família Ramos.
Sob tantos olhares, as costas de Arnaldo ficaram tensas.
Por fim, ele cedeu. — A Senhora Ramos está pensando demais. Se é assim, então não olharei. Pode ir.
Ela nem sequer sabia como falar com Henrique sobre aquele assunto.
Achou que encontraria uma tempestade na Vila de Ramos.
Mas quando o carro parou em frente à casa, a primeira coisa que viu foi o Rolls-Royce Cullinan de Henrique estacionado.
Através da janela do chão ao teto, Henrique segurava Noriel em um dos braços. Ao ver o carro de Sabrina chegar, ele se virou com Noriel e foi até a entrada para recebê-las.
Quando o carro parou completamente, Sabrina desceu: — Assistente Moreira, poderia fazer o favor de levar a Oceana para casa?
— Não vou. Pelo menos vou assumir parte da culpa por você.
Oceana desceu logo atrás, puxando Sabrina e indo em direção ao interior da casa.
As duas entraram juntas na Vila de Ramos. Noriel viu Sabrina e rapidamente avançou, abraçando-a.
Henrique passou Noriel para ela, envolveu o ombro dela com o braço e a guiou de volta para dentro. Então, sussurrou em seu ouvido: — Lindo trabalho.

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