Ela bateu a mão sem olhar para trás.
— Se você não conversar comigo, vou pular do avião.
Fernando a ameaçou descaradamente.
Oceana se virou, mas quando encontrou os olhos risonhos dele, ela desanimou, fazendo a situação ficar até cômica.
— Fernando, você é doente? Sua família foi quem quis falar de bens antes do casamento, dos bens da Família Moraes. Eu vou embora, por que você vem com essa encenação? Cismou só comigo agora?
Oceana disse, e à medida que falava, a raiva a dominava de novo.
As palavras do senhor Arnaldo eram absurdas. Mesmo sem saber exatamente tudo o que ele tinha dito a Oceana, Fernando conseguia imaginar.
O motivo da visita do Senhor Arnaldo à Oceana também estava claro para ele.
Caso não conseguisse encontrar a criança, deixaria que Oceana tivesse um com ele, resolvendo o problema de sucessão da Família Moraes primeiro.
Ele tinha medo de que Oceana quisesse os bens da Família Moraes e ainda mais de Carlitos...
O tanto que Senhor Arnaldo era mesquinho mostrava o quanto tudo aquilo machucou a Oceana.
Só de pensar naquilo, Fernando se sentia agoniado.
Ele se sentia frustrado não por si mesmo, mas por Oceana.
— Eu não sabia que ele ia procurá-la. Eu disse que quando os problemas da Família Moraes se resolvessem, tínhamos que conversar sobre o passado do Carlitos.
Ele novamente falou sobre o passado de Carlitos, e o coração de Oceana pulou.
Mas ela tentava evitar o assunto ao máximo.
— Eu não quero conversar, pouco importa se o Carlitos é seu filho ou não, não quero ter nada com você.
Fernando ficou calado.
Essa atitude era exatamente a cara da Oceana com o gênio dela.
Ele ser pai do Carlitos só aumentava as chances de Oceana aceitá-lo, no máximo.
Oceana não aceitaria ter uma família com ele só porque ele era pai do Carlitos.
O clima ficou tenso, e Oceana notou algo de repente, esticando o pescoço para espiar os bancos da frente.
Tanto Marcel quanto Elisa estavam deitados em seus bancos e pareciam dormir.

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