Sabrina se encantou logo de cara, passando dias seguidos lembrando do seu rosto cheio de autoridade.
No banco do motorista, o homem girava o volante com destreza, mostrando um charme maduro em todos os movimentos.
Sabrina o observava fixa, sem piscar os olhos, procurando nos traços do rosto dele os detalhes do jovem que conhecera anos atrás, mas não conseguia reconhecer quase nada.
Contudo, ele também não estava tão sério e inacessível como na época em que ela tinha acabado de entrar no Grupo Quinto Andar.
Quando teve um contato mais próximo com Henrique, Sabrina perdeu metade da ilusão que tinha sobre ele.
Ela imaginava que ele fosse um homem centrado, discreto, gentil e elegante.
Mas ele era frio e implacável.
A sua inteligência acabou preenchendo o vazio da ilusão quebrada, fazendo ela se encantar ainda mais.
A aparência formidável do homem ficava ainda mais evidente aliada a sua habilidade.
De qualquer forma que Henrique se apresentasse, ele sempre tinha um charme capaz de deixar Sabrina completamente deslumbrada.
Agora, Henrique parecia ter abraçado a imagem de um marido, com um charme tranquilo e inigualável.
Ela se pegava pensando em continuar o casamento sem se dar conta.
Pensou tanto, tentando achar uma desculpa para terminar tudo e fugir dele, mas não encontrou.
Sabrina mordeu o lábio e desviou os olhos dele.
Mas ainda havia Daniela...
Mansão Belvedere.
Três anos atrás, no dia em que Henrique e Sabrina se casaram no papel, ele comprou aquele terreno para dar a Sabrina, mas ela não aceitou.
Sabrina achou que ele iria investir no terreno para lucrar, mas quem diria que ele construiria uma mansão ali.
O portão preto de grades se abriu devagar. O carro andou pela estrada interna da mansão direto para o estacionamento.
Os funcionários já aguardavam no estacionamento e logo abriram a porta para receber Sabrina.
Perto do estacionamento havia um parque com brinquedos de criança. Carlitos não pensou duas vezes e saiu correndo assim que desceu do carro.
Alguém logo foi atrás dele para tomar conta de tudo.
— No momento que soube que o Noriel era meu filho, mandei arrumar tudo e não pensei em mais nada.
Henrique se explicou calmamente.
Sabrina apertou os lábios e o seguiu para o andar de cima.
O quarto do bebê, o closet, a biblioteca, o espaço de lazer... o segundo andar inteiro estava pronto para Noriel usar no futuro.
— Sabrina, eu te dei tempo e espaço para você refletir sobre a nossa situação. Ninguém aqui vai limitar a sua liberdade. Se você ainda optar pelo divórcio, poderá ir embora quando quiser.
Henrique mostrou tudo para Sabrina e voltou para a sala.
Ele deitou Noriel no carrinho, sentou de frente para Sabrina, e a olhou com seriedade e firmeza.
— Nesse meio-tempo, eu te aviso quando for ver o Noriel.
Sabrina apertou a mão no carrinho, surpresa.
Ele não ia ficar ali?
— É claro que eu adoraria ficar aqui se você não se importasse — acrescentou Henrique, deixando a decisão para Sabrina.

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