Ela precisava ser melhor com Fernando.
Se não houvesse outra forma de agradecê-lo, eu acabaria me entregando a ele só para retribuir a bolsa de sangue que ele deu hoje.
Fernando tratava Carlitos muito bem.
Ela estava tão emocionada que quase arrastou Fernando até o altar ali mesmo só para retribuir tudo que ele tinha feito por nós.
Fernando era médico, fazia exames regularmente e não tinha doenças genéticas. O médico apenas fez um tratamento simples no sangue e já o transfundiu para Carlitos, pois não havia tempo a perder.
Ele pressionou o curativo com um algodão e retornou à porta da sala de cirurgia.
Assim que a luz vermelha de cirurgia no canto superior direito se apagou, a porta se abriu.
Fernando e Oceana se levantaram ao mesmo tempo e foram para a frente.
— O corte na testa do Carlitos é bastante profundo, o tratamento foi complicado. Ele perdeu muito sangue e sofreu uma concussão leve, por isso precisa de repouso total. Não o deixem ficar agitado nos próximos dias. Foram dez pontos no total, usamos agulhas estéticas, mas não posso garantir que não fique cicatriz...
A cada palavra do médico, o coração de Oceana apertava.
Até que o médico disse: — Ele vai ficar internado em observação. Se tudo correr bem em três dias, terá alta.
Ao ouvir isso, Oceana finalmente respirou aliviada.
— Obrigada, doutor.
Carlitos foi transferido para um quarto comum. A ferida havia sido suturada com anestesia e metade de sua cabeça estava enrolada em ataduras.
Havia manchas de sangue no curativo, e o rostinho dele estava pálido, sem cor nos lábios.
Oceana sentou ao lado da cama, segurou a mãozinha dele, e as lágrimas voltaram a cair.
Na porta da sala de cirurgia, ela havia chorado de medo que ele corresse risco de vida.
Agora, ao vê-lo sofrer daquele jeito, o coração dela doía.
Elisa Sousa precisou de muito tempo em casa para se acalmar, antes de correr para o hospital com Marcel Couto.
Os dois empurraram a porta do quarto e, antes mesmo de entrarem, já estavam com os olhos vermelhos.
Elisa Sousa assentiu com a cabeça: — Tem razão. Ficar aqui só vai atrapalhar, e com o Fernando te fazendo companhia, fico mais aliviada.
A garganta de Oceana apertou, e ela olhou para Fernando instintivamente.
— A senhora tem razão. Vou cuidar bem deles, não se preocupem. Eu acompanho vocês até lá embaixo.
Fernando concordou naturalmente e os acompanhou até a saída.
Quando voltou, ele trouxe dois jantares leves.
— Coma enquanto está quente.
Oceana montou a bandeja, colocou o jantar sobre ela e perguntou: — Você não vai comer?
Fernando respondeu: — O Carlitos não deve comer muito, eu como o que sobrar dele.
Ao ouvir isso, Oceana empurrou a porção inteira para Fernando.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!