Oceana se levantou num salto e percebeu que, em algum momento, havia adormecido no sofá.
Os médicos estavam em volta da cama, examinando Carlitos.
Fernando, que estava ao lado da cama, estava tão cercado que só dava para ver metade da cabeça dele.
A voz dele ecoou: — Façam um exame de sangue agora, com urgência. Quero os resultados em duas horas para saber se é alergia a algum remédio ou outra coisa.
A enfermeira se aproximou na mesma hora e tirou sangue de Carlitos.
Oceana voltou a si ao escutar o choro de Carlitos.
Parecia um sonho, e o choro dele a despertou.
— O que aconteceu? — Ela se levantou, passou no meio da equipe médica até a beirada da cama, e seu olhar assustado recaiu sobre Fernando.
Fernando abriu espaço para ela chegar mais perto de Carlitos.
— O Carlitos teve algumas manchas vermelhas pelo corpo e está com um pouco de febre. A suspeita inicial é alergia medicamentosa, então vamos fazer um exame de sangue primeiro.
Após explicar, ele a confortou: — Fique tranquila, estamos em um hospital. Qualquer problema, vamos agir de imediato. Não vai acontecer nada.
O coração de Oceana ficou na boca, cheia de pânico.
Ela já tinha escutado histórias de várias crianças que morreram por causa de alergias a medicamentos.
Ela olhou bem para o rosto de Carlitos, e sua pele antes branquinha e macia estava cheia de manchas vermelhas!
Sua respiração parou, e as lágrimas começaram a cair incontrolavelmente.
— O resultado demora duas horas? Não é muito tempo? Dá para ser mais rápido?
A enfermeira tirou o sangue e foi correndo para o laboratório.
O Doutor Silas disse: — Senhorita Reis, não se preocupe. O caso de Carlitos é um pouco complexo, não parece ser apenas uma alergia a remédio, então faremos um exame de sangue completo, o que vai demorar um pouco mais.
Os sintomas de alergia medicamentosa costumam ser rápidos, e mesmo no hospital pode não dar tempo de salvar.
— Então... A alergia dele tem a ver com o machucado?
Fernando balançou a cabeça: — Não podemos ter certeza. Logicamente, o ferimento não causaria alergia, mas...
— Você não sabe resolver nada, então de que adianta te perguntar? — A paciência de Oceana chegou ao fim, e a irritação tomou conta dela: — Que tipo de médico é você? Não sabe nem uma coisa nem outra?
— Mamãe, tô passando mal.
Carlitos falou com a voz fraca.
Oceana se soltou da mão de Fernando, foi até Carlitos, acariciou o rosto dele e falou suavemente: — Carlitos, a mamãe está aqui. Conta pra mamãe onde está doendo.
Carlitos abraçou o braço dela, enfiou o rosto no colo de Oceana e resmungou sem conseguir dizer o que estava incomodando.
Crianças não sabem fingir doença, só não conseguem se expressar. Provavelmente estava sentindo dor no corpo todo.
Oceana o abraçou, e a sensação de impotência era torturante, formando um nó no seu peito que virava raiva.

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