Fernando parou o que estava fazendo e olhou para Oceana.
Aquele "Senhor Moraes" o deixou muito desconfortável.
— Eu quero. — Carlitos estendeu a mãozinha para Fernando, com os olhos brilhando ao ver a comida.
O semblante de Oceana se fechou, mas ela não teve coragem de chatear Carlitos, observando Fernando entregar a sobremesa a ele.
— Bom menino, Carlitos. Beba bastante água depois de comer o bolo.
Fernando abriu o bolo, entregou o garfinho para Carlitos e pegou o copo de água dele.
Carlitos pegou um pedaço do bolo, colocou na boca e fechou os olhos com satisfação, saboreando o sabor doce.
— Tá.
Era um sorriso e uma satisfação raros desde que Carlitos se machucara.
Oceana se sentiu ao mesmo tempo triste e feliz ao ver o menino assim.
Carlitos pegou mais um pedaço e ofereceu para ela: — Mamãe come.
— A mamãe não quer, pode comer.
Oceana segurou o bracinho dele e guiou a mãozinha dele de volta para a boca do menino.
Carlitos pegou outro pedaço e estendeu o braço para Noriel: — Nori come.
— Que bonzinho, Carlitos, mas seu irmão é muito novo e não pode comer. Pode comer.
O coração de Sabrina se encheu de ternura e ela acariciou a cabeça do pequeno.
Logo em seguida, Carlitos ofereceu a sobremesa para Sabrina: — Madrinha come.
— A madrinha também não quer, bom menino. Pode comer, foi o Tio Fernando que comprou, agradeça ao Tio Fernando.
Sabrina segurava Noriel, que arregalava os olhos de vontade e se debatia na direção de Carlitos, sem saber se ria ou chorava.
Carlitos virou a cabeça para agradecer a Fernando e ofereceu o doce a todos no quarto antes de comer tudo sozinho, tranquilamente.
No quarto, só se ouviam os resmungos gulosos de Noriel, direcionados a Carlitos.
A atmosfera pesou de repente.
Oceana puxou uma cadeira, sentou-se e cruzou os braços antes de falar.
No fim, Fernando apenas assentiu: — Então não vou falar.
Oceana ficou com o rosto vermelho, quase perdendo o fôlego.
— Hoje você... — Sabrina tentou perguntar; como amiga, não seria demais perguntar a Fernando quem era a garota.
Mas Oceana a interrompeu antes de terminar.
— Se não quer falar, deixa para lá, não temos o menor interesse em saber. Olha, Sabrina, já terminamos de comer e o Noriel parece com sono, é melhor vocês o levarem para descansar em casa. Eu fico sozinha aqui.
Ela virou a cabeça, enfatizando o "sozinha aqui".
Era hora do cochilo de Noriel; tentado pela comida de Carlitos, ele arregalava os olhos e já dava sinais de que ia chorar por não poder comer.
Sabrina mal conseguia segurá-lo.
— Deixa comigo. — Henrique pegou Noriel dos braços dela e concordou com Oceana. — Então nós já vamos.
— Certo, vamos. — Sabrina balançou a cabeça em sinal de desistência e saiu com Henrique.
No entanto, ela ainda estava preocupada. Assim que saíram do quarto, não se conteve e perguntou a Henrique: — Hoje o Fernando foi encontrar uma garota, você sabe quem é?

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