Oceana colocou Carlitos na cadeira de criança e puxou a cadeira ao lado para se sentar.
Ela estava um pouco desconfortável e disse com indiferença fingida: — O garçom achou que éramos uma família. Nós temos idades parecidas e estamos com uma criança, é fácil as pessoas entenderem mal.
Fernando se sentou do outro lado.
Ele deu um leve sorriso e comentou: — Eu ajo como seu ex-marido na sua casa e as pessoas nos consideram um casal aqui fora. Todo mundo nos confunde como casal, não acha que temos uma ligação especial?
Oceana fez um bico, um pouco contrariada: — Para de ficar me rodeando. Eu já te disse, não tenho interesse em você.
Ao dizer isso, ela olhou Fernando mais algumas vezes.
Com a conversa chegando nesse ponto, bastava que Fernando declarasse suas intenções como antes.
Aí ela aproveitaria para perguntar quem era a garota que ele encontrou no parque naquele dia.
Não que ela quisesse saber, mas achava um absurdo ele ter algo incerto com outra pessoa e ainda ficar flertando com ela.
— Tudo bem, não vou mais ficar te rodeando.
Fernando falou, interrompendo seus pensamentos.
Oceana ficou surpresa e suas sobrancelhas se franziram aos poucos.
Como assim, não ia mais ficar rodeando?
Queria dizer que não ia mais correr atrás dela.
— Que não corra, eu prefiro a tranquilidade.
Enquanto falava, cruzou as pernas e endireitou a postura: — Você trabalhou muito nesses dias. Como eu disse, o almoço é por minha conta, não tente pagar. Eu não quero dever favores a "amigos comuns".
Ela deu ênfase a essas palavras.
O rosto calmo de Fernando se tingiu de frustração e o sorriso em seus lábios se tornou amargo.
— Aliás, você não disse que ia fazer um teste de alergia no Carlitos? Acho que não vi o exame na pasta dele.
Oceana perguntou, lembrando-se de algo: — Será que você esqueceu de pegar?
— Eu peguei. — O rosto de Fernando ficou tenso, mas ele tentou disfarçar. — Não sei onde acabei guardando. Mas não tem problema, ele não tem alergia a nada.
— As crianças de hoje em dia são tão frágeis, até têm essa história de alergia alimentar. Eu e a Sabrina, quando éramos crianças no orfanato, comíamos qualquer coisa que achássemos. Às vezes a gente vomitava e tinha diarreia, mas nunca falaram de fazer exame para ver se era alergia...
Oceana achava que era um milagre as duas terem crescido saudáveis.
Quando tinham dez anos, ajudavam Larissa a cozinhar, confundiam açúcar e sal, e muitas vezes comeram bolinhos doces, ou pratos azedos porque usavam vinagre achando que era molho de soja...
Fernando ficou calado, ouvindo-a falar e, vez ou outra, concordando.
— Ela também pode dizer que o sofrimento valeu a pena, Henrique se arrependeu a tempo. Se não, quando eu voltasse para a família Couto, com certeza arranjaria um homem muito melhor para ela e faria ele se arrepender para sempre.
Se Sabrina e Henrique não tivessem reatado, Oceana não conseguiria aproveitar a paz de sua própria família com a consciência limpa.

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